Tyketto – Closer to the Sun
(Shinigami Records – nacional)
por Clovis Roman
O Tyketto chegou um pouco tarde na festa da farofada. Em 1991,o grunge já estava destruindo a música universal,e foi neste ano que saiu Don’t Come Easy, álbum de estreia de Danny Vaughn e seus asseclas. Apesar do momento desfavorável para o hard rock, o grupo ainda lançou mais um disco, Strength In Numbers, em 1994. Vaughn saiu e no ano seguinte saiu Shine,com Steve Augeri comandando o microfone. Era o fim da linha.
A primeira reunião do Tyketto ocorreu em 2004, com quase toda a sua formação original: o vocalista Danny Vaughn, o guitarrista Brooke St James, o baterista Michael Clayton e o baixista Jamie Scott (que havia entrado no final de 1991). Em 2012, o grupo lançou Dig In Deep e, em 2016, Reach, momento em que apenas Vaughn e Clayton permaneciam da formação original. Clayton saiu em 2023 e o cantor segue como único membro original do Tyketto. Mesmo assim, a banda segue entregando trabalhos de qualidade. Até mais que outrora, eu diria.
O disco traz logo em suas primeiras faixas, músicas que são a mescla perfeita de riffs de guitarra, andamentos moderados e dançantes e linhas vocais irresistíveis, como “Higher than High” e sua irmã “Bad for Good”. Entre eles, está a mais emotiva “Starts with a Feeling”, que parece ter vindo diretamente de uma coletânea dos maiores sucessos do Air Supply, é a melhor música do álbum. A parada na última entrada do refrão, apenas com a voz de Vaughn, é irresistível, daquelas que funcionam nas Ouro Verde FM da vida e também ao vivo; não tem como não entoar “And it starts with a feeling, Wide awake and dreaming. It starts with a feeling, I’m helpless to deny”. Tivesse uma pitadinha a mais de peso, seria uma música da banda Landfall. Mesma coisa para a faixa-título, outra composição brilhante, grudenta e gostosa.
Mantendo a proposta musical intocada, “We Rise” conta com os mesmos elementos de suas antecessoras, e soa competente. A primeira mudança estilística do álbum Closer than the Sun vem com “Donnowhuddidis”, que começa brilhante mas depois vira um blues rock sem qualquer brilho. A não ser que você goste muito de músicas antiquadas guiadas por piano e gaita; mesmo que a referida música não tenha gaita. Mais a frente,outra faixa que tem uma abordagem diferenciada é “Harleys & Indians (Riders in the Sky)”, com o diferencial que aqui as coisas funcionam brilhantemente. Agora sim, com gaitas a tiracolo, a composição caminha tranquila, sem pressa, com forte acento percussivo e um andamento que torna impossível ouvir sem, ao menos, ficar batendo o pé no ritmo. E pro final, a bateria pisa no acelerador (claro, dentro dos limites do hard rock) e um belo solo de gaita fecha a paçoca com energia.
Se no começo do CD parecia que as músicas ficariam muito no mesmo terreno, sem grandes invencionices, o Tyketto mostra que soube mesclar bem as músicas na tracklist de Close to the Sun. As boas baladas “The Picture” e “Far and away” desaceleram as coisas sem deixar de lado belos arranjos e melodias; além disso, somos brindados com a brilhante performance excepcional de Vaughn. A primeira é guiada com instrumentos elétricos e a segunda, por violões e violino, quase pisando no terreno folk. Só que bom. Para botar o ponto final neste que é apenas o 6º disco de estúdio do Tyketto, “The Brave”, mais acessível, cadenciada e apoteótica na medida certa. É uma daquelas canções pop rock perfeitas, que apenas gênios do AOR conseguem fazer. A audição desse play é indispensável.
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Músicas
- Higher Than High
- Starts with a Feeling
- Bad for Good
- We Rise
- Donnowhuddidis
- Closer to the Sun
- Harleys & Indians (Riders in the Sky)
- Hit Me Where It Hurts
- The Picture
- Far and Away
- The Brave
Foto: Davey Rocks
