[Resenha] Lost Society – Hell is a State of Mind

Lost Society – Hell is a State of Mind
(Shinigami Records – nacional)

por Clovis Roman

No meio Metal, o nome de Samy Elbanna ganhou mais destaque quando o músico, guitarrista e vocalista, assumiu o posto de Alexi Laiho na reunião do Children of Bodom que tomou forma ano passado. Aclamado pela crítica e fãs nessa função, Elbanna também comanda uma banda de metalcore, chamada Lost Society, que nasceu como um conjunto de thrash metal, mas disco após disco vem se sintonizando mais com o mainstream, algo que já tinha ficado bastante evidente no disco anterior, If the Sky Came Down (cuja nossa resenha você pode ler aqui).

O repertório começa com “Afterlife”, uma faixa que utiliza introdução tensa, riffs densos e incursões vocais com leves contornos rítmicos antes de transitar para os refrões tradicionais da banda. “Blood Diamond” insere camadas de cordas sinfônicas sobre uma base de metal moderno, buscando uma grandiosidade dramática que nem sempre se sustenta de forma orgânica. A transição para “Synthetic” introduz programações eletrônicas e graves marcados, gerando uma quebra abrupta na dinâmica do bloco inicial. O ritmo desacelera em “Is This What You Wanted”, construída sob uma estrutura de balada que alterna entre versos suaves ao violão e refrões pomposos.

A porção intermediária retoma elementos de peso em “L’appel Du Vide”, que aposta em guitarras com afinação mais baixa e arranjos de cordas para compor uma atmosfera densa. “Kill The Light” segue uma fórmula similar de contraste, unindo violões iniciais a coros melódicos explosivos. “No Longer Human” utiliza pequenas quebras estruturais para fragmentar o andamento da música, enquanto “Dead People Scare Me (But The Living Make Me Sick)” investe em uma proposta rítmica voltada ao groove e a ganchos de claro apelo comercial. O ritmo ganha mais rigidez em “Personal Judas”, que recupera o foco em riffs diretos e uma bateria acelerada. O encerramento com a faixa-título “Hell Is a State of Mind” sintetiza as ambições do álbum, mesclando passagens orquestrais, variações vocais extremas e dinâmicas contrastantes.

Meio presunçoso, Samy declarou em depoimento oficial: “O que nós podemos fazer é algo que ninguém mais consegue. Nós somos nós, todos os outros são todos os outros”. Ser único não significa necessariamente ser bom, necessário ou inovador dentro de um determinado território musical. Pode ser uma declaração de independência criativa ou apenas um rant sem maiores significados. O fato é que o Lost Society soa como diversas bandas de metalcore moderno, como Falling in Reverse, Bring me the Horizon, Spiritbox e até mesmo Linkin Park. É pesado, mas não é metal. É abrangente, por isso não atinge um alvo específico.

Em linhas gerais, trata-se de um trabalho voltado a um público jovem e adepto da vertente mais moderna e comercial do metal contemporâneo. Tem suas qualidades e merece um “confere” pelos fãs de ícones como Oliver Sykes, Ronnie Radke, Machine Gun Kelly, Olívia Rodrigo ou Chester Bennington. Ouvintes mais veteranos, por sua vez, encontrarão poucos atrativos em meio a tantas guinadas estilísticas.

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Músicas
1. Afterlife
2. Blood Diamond
3. Synthetic
4. Is This What You Wanted
5. L’appel du Vide
6. Kill The Light
7. No Longer Human
8. Dead People Scare Me (But The Living Make Me Sick)
9. Personal Judas
10. Hell is A State Of Mind

Foto: Sam Jensen

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