[Cobertura] The Pretty Reckless se confirma como grande nome do Rock atual

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Esta matéria foi feita inicialmente para a revista Roadie Crew. Como não foi utilizada, posto-a aqui, revisada e atualizada.

The Pretty Reckless
Teatro Positivo
Curitiba/PR
12 de Março de 2017

texto e fotos por Clovis Roman

O The Pretty Reckless surgiu em 2009 e desde então foram lançados três discos, que mostram uma banda que evolui constantemente. Não a toa que seu último álbum, Who You Selling For, é seu melhor trabalho, onde os músicos mesclam influências diversas que resultam em uma música honesta e que ao mesmo tempo tem uma bacana pegada radiofônica. Claro que a fama da guitarrista e vocalista Taylor Michel Momsen ajudou no começo (ela atuou na famosa série Gossip Girl e com Jim Carrey no terrível Grinch), mas o grupo caminha muito bem com suas próprias pernas. Uma prova? Se em 2012 eles tocaram em Curitiba no Espaço Cult, casa que comporta cerca de 900, dessa vez eles reuniram uma quantidade respeitável de pessoas no Teatro Positivo, que comporta o triplo. Marcado inicialmente para 7 de março, a data foi prorrogada para o dia 12, devido a uma forte gripe que acometeu Taylor. Já recuperada, ela liderou o show com bastante destreza.

Repetindo o sucesso da última vinda à cidade, o The Pretty Reckless encontrou um público numeroso e bastante empolgado para sua apresentação no Teatro Positivo, em Curitiba. O show fez parte da turnê de seu terceiro disco, Who You Selling For, que sacramenta a relevância do grupo. O trabalho mistura peso, melodias grudentas, bons refrões e um acento pop na medida certa. É uma receita de sucesso. A miscelânea de elementos se mostrou também funcional ao vivo, já que a galera cantou junto durante boa parte da apresentação.

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Abrir com dois sons mais antigos – “Follow Me Down” e “Since You’re Gone” ajudou a atiçar e manter a empolgação do público – em sua massacrante maioria, de adolescentes – em alta. O segundo single do último álbum, “Oh My God” funcionou bem ao vivo, assim como “Hangman”, que mescla diversas camadas que resultam num som denso e pesado, que chega a lembrar o grandioso Alice in Chains em determinadas passagens. A histeria atingiu níveis elevados na tétrica mas ao mesmo tempo dançante “Makes me Wanna Die”, o primeiro grande sucesso da banda.

A frontgirl Taylor Momsen tratou de pegar uma guitarra para acompanhar seus colegas em “My Medicine”, não sem antes de ser agraciada com um coro de “gostosa, gostosa” – nada ofensivo, entretanto. O adjetivo aqui foi usado como simples reverência. Tanto que antes de “Going to Hell”, uma mera insinuação de Taylor em tirar a roupa se tornou logo em um coro de “tira, tira”. Gritos de “I love you Taylor” aqui e acolá também foram ouvidos.

Após “Prisoner” e “Sweet Things”, veio a sequência ‘calma’ do show. Duas belas baladas, a faixa título do último álbum do The Pretty Reckless, “Who You Selling For” (onde a cantora pediu para os fãs erguerem seus celulares, os substitutos naturais do isqueiro) e “Just Tonight”, além do hit “Zombie” acalmaram o ritmo apenas no instrumental. O público permaneceu ligado em 220V.

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E apesar de Taylor se o centro das atenções, afinal ela deita e rola em cima do palco (durante “Zombie”, literalmente), os demais integrantes também se mostraram peças fundamentais na engrenagem. O seguro guitarrista Ben Phillips dominou todas as canções, mesmo quando errava alguma nota. O feeling passava por cima desses detalhes. Em algumas introduções, chegou a brincar com riffs de bandas como Cream e AC/DC. Responsável pelas quatro cordas, Mark Damon era só empolgação, enquanto o baterista Jamie Perkins adicionava uma percussão rápida e agressiva, equilibrando os elementos do som do grupo. O cara chegou a colocar pedal duplo no final apoteótico de “Take Me Down”.

Após um pequeno intervalo, os quatro retornam ao palco para a saideira, “Fucked Up World”, que contou com um inusitado solo de bateria. O som, apesar do título provocativo, tem um ritmo mais cadenciado e suave. A galera reagiu bem e tudo acabou em um clima muito agradável.

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O saldo foi bastante positivo. O Teatro recebeu algo em torno de 1700 fãs, que aproveitaram bastante e cantaram altos nos singles, e ficaram mais contidos nas músicas mais recentes, mas ainda assim com notável devoção. O The Pretty Reckless já construiu uma sólida base de fãs no Brasil, e certamente voltará na próxima turnê.

[N. do R.: E a profecia se concretizou, já que algumas semanas mais tarde a banda foi confirmada como atração do Rock in Rio, ao lado de Aerosmith, Def Leppard e Alice Cooper.]

REPERTÓRIO
Follow Me Down
Since You’re Gone
Oh My God
Hangman
Make Me Wanna Die
My Medicine
Prisoner
Sweet Things
Who You Selling For
Just Tonight
Zombie
Living in the Storm
Heaven Knows
Going to Hell
Take Me Down
Fucked Up World

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