[Resenha] The Pretty Reckless – Death by Rock And Roll

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Por Clovis Roman

O quarto álbum do The Pretty Reckless mostra uma banda mais madura, que lapidou muito bem sua obra para algo um pouco mais denso, desacelerado, mas ainda acessível. O trabalho saiu pela Century Media, e teve lançamento nacional pela Shinigami Records, em uma edição com seu já tradicional OBI e encarte em formato pôster, com uma foto bastante polêmica, feita na mesma sessão que resultou na capa de Death By Rock And Roll.

A faixa-título, que inicia a audição, é um rockão vigoroso com vocal bastante variado, indo do soturno a partes mais agressivas, deixa clara a intenção do quarteto. A instigante “Only Love Can Save Me Now” e seu andamento arrastado prende a atenção do ouvinte com maestria. A performance vocal de Taylor Momsen, nesta faixa e no álbum em geral, está mais encorpada e a produção – que ficou a cargo da própria Taylor – focou no peso. A dupla do Soundgarden Kim Thayil (guitarra) e Matt Cameron (bateria) participa na faixa.

A relação da vocalista com o Soundgarden é marcada por um trágico acontecimento: O The Pretty Reckless estava atuando como abertura do veterano grupo, em 2017, em uma turnê pelos Estados Unidos. Em Detroit, o frontman do Soundgarden, Chris Cornell, comete suicídio, ele que havia conversando com Taylor poucas horas mais cedo. Logicamente, a notícia e o abrupto fim da turnê foi traumatizante para ela, algo amplificado pela morte de um amigo pouco tempo depois. A cantora pegou todos os traumas e medos deste momento sombrio e os direcionou ao atual disco do The Pretty Reckless. Por isto ele tem um clima taciturno e pesado em muitas passagens, primordialmente no “lado a”.

A participação de Tom Morello (Rage Against The Machine, Audioslave, Prophets of Rage) em na suja “And So It Went” é um adendo bacana, com um solo caótico em uma música furiosa. A performance de Taylor e o coral de crianças nos versos finais se destacam. “25” abre com um dedilhado aflitivo, sugerindo ser apenas uma introdução para algo mais pesado, com a voz sóbria de Taylor e o ritmo marcial da percussão. Ares mais agoniantes alicerçam o refrão, para então voltar à tensão inicial. Na casa dos três minutos, uma parte com piano soa como uma reverência ao Beatles. Por sua vez, “My Bones” retorna aos andamentos cadenciados, em um bom momento, principalmente na segunda metade.

A primeira balada de verdade aparece apenas na metade do álbum, na forma da belíssima “Got So High”, cuja letra passa longe de temas amorosos. O som, entretanto, é suave, acolhedor. Outro momento delicado é “Standing at the Wall”, que abre espaço para outras canções mais tranquilas e radiofônicas: “Turning Gold” e “Rock and Roll Heaven” – ambas, no mínimo, espetaculares. A vinheta lisérgica e divisora de águas “Broomsticks” abre caminho para “Witches Burn”, um rock inspirado nos anos 70, com pequenas e certeiras inserções de teclado. Este é o último momento agressivo do disco, que é encerrado pela delicadeza country de “Harley Darling”, impressionante. A cada audição o álbum, bastante variado musicalmente, cresce no conceito do ouvinte, sendo que na primeira ele já convence.

Desconsidere qualquer preconceito que você, por ventura, tenha contra eles, seja pelo público que angaria ou pelo passado televisivo de Taylor Momsen. Como artista de rock and roll, ela é excelente, e Death By Rock And Roll é o melhor disco que já lançou. O tema e as inspirações do trabalho são densas, trágicas, excruciantes. Porém, a obra em questão processa a angústia e a transforma em esperança, em alegria. E a transição entre dois mundos bem específicos do trabalho se dá com a curta instrumental “Broomsticks”, como se mostrasse o lado A, tenso e soturno, e o lado B, esperançoso e sereno. E mesmo que você não se ligue na questão lírica, a audição do disco é prazerosa demais, deixando como resquício uma sensação boa de libertação.

Quando Taylor Momsen decidiu abandonar sua carreira de atriz, deixando a dócil e insegura personagem Jenny Humphrey para trás, afirmou que tocaria com sua banda pelo resto de sua vida. Mantendo o nível de seus trabalhos e evolução, só temos a agradecer pela decisão. O The Pretty Reckless é muito mais relevante para o mundo que Gossip Girl. Além do mais, um disco onde duas das músicas tem o termo rock ‘n’ roll no título não tinha como dar errado.

Eu cobri um show do grupo em 2017, na turnê do disco anterior, Who You Selling For, e os achei mais pesados ao vivo que em estúdio. Imagino como essas novas canções soarão em cima do palco!

Relembre nossa cobertura do show do The Pretty Reckless em Curitiba, e providencie sua cópia de Death by Rock and Roll!

Músicas
1. Death by Rock and Roll
2. Only Love Can Save Me Now (featuring Kim Thayil and Matt Cameron)
3. And So It Went (featuring Tom Morello)
4. 25
5. My Bones
6. Got So High
7. Broomsticks
8. Witches Burn
9. Standing at the Wall
10. Turning Gold
11. Rock and Roll Heaven
12. Harley Darling

Site oficial: deathbyrockandroll.com
Shinigami Records: www.lojashinigamirecords.com.br

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