[Cobertura] Falcão é muito mais que brega; saiba como foi o show do cantor no Clube Santa Mônica

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Falcão
Clube Santa Mônica
Colombo/PR
28 de abril de 2017

por Kenia CordeiroClovis Roman

O cantor Falcão é um ícone da música brasileira, um artista capaz de entreter pessoas que o interpretam das mais variadas maneiras. Quem o leva como um cantor brega, dá risada e canta junto as letras debochadas. Os que vão além e conseguem captar a essência da sua música, apreciam ainda mais letras inteligentes – claro, sempre entremeadas de sarcasmo e humor negro – e músicas que são um verdadeiro caldeirão de influências sonoras: pegue Jovem Guarda, Tropicália, o som natural e orgânico do nordeste e muito Rock and Roll e você tem a receita musical de Falcão.

O cantor foi a atração principal de uma festa de temática brega (justo, não?) realizada para sócios e convidados do Clube Santa Mônica, instituição respeitada cuja imensa (e põe imensa nisto) área fica em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Mesmo sendo fechada ao público em geral, a equipe do Acesso Music foi muito bem recebida pelo pessoal do clube, e assim pudemos entrevistar o músico e cobrir um show estupendo. Poucos minutos após conversar conosco, Falcão subiu ao palco, por volta das 22 horas, para apresentar um repertório que poderia ter chego em 22 músicas executadas – no total, foram 15 músicas com mais duas cantadas sem acompanhamento da banda.

O setlist impresso que Falcão e banda prepararam foi ignorado após meia dúzias de canções. A abertura veio com a absurda “Ela me Traiu Usando o Resto das Camisinhas”, seguida já pelo mega sucesso “I’m Not Dog No”, que mostra um dos trunfos do artista: aquela brincadeira de juntar inglês com português tanto copiada por artistas posteriores, mas sempre sem a mesma classe. Outras pérolas vieram, como “As Bonitas que me Perdoem, Mas a Feiúra é de Lascar” e “A Terra Há De Comer (Já Que Eu Não Comi)”, junto a “Ô Povo Fei!”, música mais nova, ainda não registrada em disco.

Transformada em um épico com quase 10 minutos, “Ai Minha Mãe!” foi impagável, com a banda fazendo intermináveis pausas, voltando a tocar repentinamente o refrão enquanto Falcão falava qualquer coisa. Se em “No Cume” a galera dava risada do duplo sentido de cada uma das frases da letra, em “Holliday foi Muito”, seu maior hit comercial, o público (em sua maioria, de fantasiados em vestimentas bregas) cantou alto o refrão, que diz, sabiamente, que “homem é homem, menino é menino, macaco é macaco e viado é viado […] politico é politico e baitola é baitola”: versos dignos de tratado filosófico.

Outro momento marcante foi durante um intervalo, quando Falcão chegou ao microfone e propôs ao público que mandasse pra ‘puta que pariu’ os cornos de Brasília que ele falaria o nome. O primeiro citado foi Michel Temer, cujo coro foi o mais alto de todos. O libertador grito foi antecedido por sua própria banda recitando a frase repetidamente, com acompanhamento instrumental, o que virou uma cacofonia simplesmente genial. O grupo de apoio do cantor, inclusive, merece menção honrosa, pois é composta por músicos extremamente competentes.

Em meio ao povo que ria e dançava, um fã em específico ficou pedindo músicas totalmente obscuras e de humor peculiar, e por isso pudemos ouvir sons que Falcão nem imaginava que teria que cantar naquela noite, como “A Sacanagem é Roxa” e “Mesa de Necrópsia”. Ambas foram acapella mesmo, para atender ao clamor solitário. Esta última, inclusive, antecedeu “Amolda Um Bicho na Parede parte 2”, versão hilária de “Another Brick in the Wall part2”, do Pink Floyd – música que Falcão tentou gravar mas foi proibido legalmente pela equipe do grupo inglês. Na época a questão deu bastante ibope ao cantor, que resolveu a questão da melhor maneira possível: proibiu que o Pink Floyd gravasse qualquer uma de suas composições.

Para saber mais sobre essa história – e muito mais – confira a entrevista que fizemos com Falcão neste link. Abaixo, o repertório apresentado e uma galeria de fotos! 🙂

REPERTÓRIO
Ela me Traiu Usando o Resto das Camisinhas
I’m Not Dog No
As Bonitas que me Perdoem, Mas a Feiúra é de Lascar
A Terra Há De Comer (Já Que Eu Não Comi)
Lá Vai Ele
Ô Povo Fei!
Você é a Letra X da Palavra Love
Cadê Você (Odair José cover)
Onde Houver Fé Que Eu Leve a Dúvida
A Multa
Ai Minha Mãe!
Mulher Mala
A Sacanagem é Roxa [Acappella]
No Cume
Holliday foi Muito
Mesa de Necrópsia [Acappella]
Amolda Um Bicho na Parede parte 2

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