Richie Kotzen muda conceito de perfeição musical e The Dead Daisies celebra o Rock and Roll e esbanja simpatia em Curitiba

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Richie Kotzen & The Dead Daisies
Opera de Arame
Curitiba/PR
12 de julho de 2017

por Kenia Cordeiro e Clovis Roman

Figurinha carimbada por esses lados, o ultramegatalentoso guitarrista e vocalista Richie Kotzen se apresentou mais uma vez no palco da Opera de Arame. Sua estreia ali tinha ocorrido um ano antes, quando veio ao lado de sua banda The Winery Dogs. Antes, ele já havia tocado em outros palcos da cidade, como o Teatro Positivo (como artista solo, na abertura do Extreme, em 2015), e também nos finados Opera 1 e Hangar Bar.

Dessa vez Kotzen apresentou um repertório balanceado entre sons mais pesados, como “Socialite” e “Go Faster”, com momentos mais lentos e viajados, como “Love is Blind”, “My Rock” e “Cannon Ball” (ambas de seu último álbum Salting Earth). Além de debulhar na guitarra, Kotzen também mostrou suas qualidades no piano elétrico, como na gostosa “Meds” (outra do disco novo, que certamente vai figurar nas listas de melhores do ano de um monte de gente por aí). Ninguém questiona os atributos do moço de 47 anos nas seis cordas, afinal, ele toca demais e todos sabem disso. Porém mesmo o mais ciente das qualidades técnicas de Kotzen se impressiona com o que ele faz no palco. O cara mescla momentos de puro feeling com outros de virtuosidade, sempre sem dispersar a atenção do público.

Como frontman, é reservado, mas mesmo assim sua presença cria um ambiente com ares de leveza. É impossível ficar impassível a um show de Kotzen. E para coroar, além de exímio instrumentista, é um vocalista acima da média; sua voz anasalada tem bastante charme e seus agudos, cada vez mais presentes em sua carreira, são desconcertantes – cantaria uma cover do BeeGees fácil fácil.

The Dead Daisies
A definição clichê para o The Dead Daisies é superbanda. Afinal, sua formação conta com músicos que passaram por nomes como Motley Crüe, Dio, Quiet Riot, Dolores O’Riordan e principalmente Whitesnake. Dos cinco, três já tocaram no grupo de David Coverdale, a saber: o baixista Marco Mendonza, o guitarrista Doug Aldrich (da qual saiu em 2014) e o baterista Brian Tichy. E apesar da experiência de todos os envolvidos, o grupo é novo, têm apenas três álbuns lançados e veio pela primeira vez ao Brasil. Sendo assim, eles prepararam um repertório repleto de covers (nenhum das antigas bandas dos músicos) e com algumas coisas dos seus álbuns autorais.

A tática teve seus prós e contras. O principal ponto contrário é que muitas músicas verdadeiramente legais do The Dead Daisies ficaram de fora. Em um repertório de 11 canções, cinco foram releituras de clássicos do Rock, sobrando seis composições próprias. Dessas, quatro vieram do mais recente play, Make Some Noise (2016): “Long Way to Go”, “Mainline”, “Last Time I Saw The Sun” e a faixa título. No disco em questão há duas covers, “Fortunate Son” (Creedence) e “Join Together” (The Who), ambas também apresentadas no palco da Ópera de Arame. A contagiante “Mexico” e “With You and I” foram as representantes de “Revolución” (2015). Ou seja, o debut auto intitulado dos caras foi ignorado no setlist.

O ponto principal foi que a apresentação virou uma grande festa Rock and Roll. E esta era a intenção, já que o vocalista John Corabi, disse, em determinado momento, que eles são tão fãs de Rock quando o público. E nada melhor que celebrar o Rock and Roll com versões de Deep Purple (uma das bandas favoritas de Corabi) e Beatles, com “Hightway Star” e “Helter Skelter”, respectivamente.  “Midnight Moses”, da Sensational Alex Harvey Band, foi a saideira. O grande destaque do show ficou com Corabi, que cantou de maneira absurda. Não a toa ele gravou o melhor disco do Motley Crüe, infelizmente ignorado pela grande massa que prefere Vince Neil (vai entender…).

O clima do show foi bastante festivo e a banda foi bastante simpática ao atender uma fila quilométrica de fãs e curiosos logo após sua apresentação. Tudo bem que John Corabi mostrou o dedo do meio pra alguém durante “Last Time I Saw The Sun”, mas tudo bem. Um tanto de rebeldia faz bem ao Rock and Roll.

KOTZEN
End of Earth
Socialite
Meds
Go Faster
Love Is Blind
Your Entertainer
My Rock
Cannon Ball
I Would (Acústico)
High (Acústico)
Fear
Help Me
This is Life
You Can’t Save Me

THE DEAD DAISIES
Long Way to Go
Mexico
Make Some Noise
Fortunate Son [Creedence]
Last Time I Saw the Sun
Join Together [The Who]
With You and I
Mainline
Helter Skelter [Beatles]
Highway Star [Deep Purple]
Midnight Moses [Sensational Alex Harvey Band]

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