Metal Warriors enaltece música pesada autoral em Curitiba

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Metal Warriors
John Bull Pub
Curitiba/PR
08 de julho de 2017

por Clovis Roman

O festival Metal Warriors surgiu como uma iniciativa de bandas locais que procuravam fazer shows com boa estrutura. Os grupos Aquilla, Dragonheart e Disharmonic Fields então, em 2015, encabeçaram a primeira edição do evento, no John Bull Pub; a dose foi repetida no ano seguinte. Agora eu sua terceira edição, houve a adição do Archityrants, outro grupo experiente da cena Metal de Curitiba. A banda em questão surgiu das cinzas do A Tribute to the Plague, referência no Doom curitibano, e é formada por músicos gabaritados. O evento conta também com uma equipe, formada primordialmente por amigos e entusiastas – ou seja, é feito com bastante dedicação por todos, desde músicos a equipe de apoio, indo do trabalho da portaria até a assessoria, envolvendo todo o staff. Tanta dedicação resultou até mesmo no cumprimento dos horários das apresentações. Confira nossa resenha sobre as quatro apresentações, e abaixo, o repertório apresentado por cada uma e uma galeria de fotos!

Responsável por abrir a noite, o Disharmonic Fields apresentou um repertório enxuto, com oito músicas, sendo cinco delas de seu último álbum, Devil’s Weapon Shot, lançado ano passado. Deste foram apresentadas as cinco primeiras canções, a saber: “Nonsense of Life”, “Roots of Evil”, “Devil’s Weapon Shot”, “Don’t Believe a Word of Fate” e”Beyond the Boundaries of Time”. A faixa que nomeia o registro foi o grande destaque, com performance descomunal do vocalista Nelson Küster e um refrão cativante. Mas os caras ainda revisitaram o álbum Killing Hopes (2005), inclusive a abertura veio com “Blinded”, uma de suas canções mais famosas. O interessante foi notar que havia muita gente na platéia cantando junto com o Küster. Este fenômeno se repetiu nas demais bandas, mostrando que o festival é composto por nomes que já alicerçaram uma base de fãs. Vinda da demo Beyond the Black Horizon (que foi muito bem recebida pela crítica especializada na época de seu lançamento, em 2001), a canção que também dá nome a banda foi a saideira. Como fã, gostaria de ter ouvido a fantástica “Killing Hopes” – fica a sugestão ao grupo, inclusive.

Disharmonic Fields (foto: Clovis Roman)

Trazendo um tanto mais de angústia, o Archityrants veio na sequência fazendo o show de lançamento de seu segundo álbum, The Code of the Illumination Theory,  que saiu pela Mindscrape Records. O trabalho mostra uma banda mais madura e coesa, já que a atual formação é a mais sólida desde sua fundação. A adição de Tersis (Lutemkrat/Offal) nas guitarras trouxe não apenas um ótimo instrumentista, mas também uma garra e conhecimento musical que abriu um novo leque para as composições. Do álbum em questão, ao menos uma das músicas pode entrar no hall de clássicos do Doom Metal nacional: “Pale Black Dot” e seu andamento moderado, na linha do Candlemass, similariza-se a um hino. O repertório do quinteto foi dividido em duas partes: a abertura contou com duas faixas do debut “Black Water Revelation” (2012), com a faixa título e “Gruesome Symphony”; na sequência, vieram as faixas do novo trabalho – além da supracitada, vieram sons como “Super Tyrant” e “Ballad of the Great Oppressor” (que já havia aparecido no EP Sleep of the Damned, porém com uma mixagem diferente). A banda cujo vocalista é o experiente Luxyahak (Guilherme Medina), com passagens por Imperious Malevolence (ele gravou a primeira demo) e Doomsday Ceremony (idem), encontrou os membros certos e a perspectiva de crescimento é iminente. Em tempo: a formação, além de Luxyahak e Tersis, conta com o guitarrista fundador – e discípulo de Tony Iommi – Marcos Paulo, o baixista Daniel Franco (Sad Theory/RotPeter) e o baterista Danda (ex-Blackmass/ex-Amen Corner).

Archityrants (foto: Clovis Roman)

O Aquilla foi formado em 2003 com uma reunião de amigos querendo fazer música. A proposta evoluiu para um grupo que centra suas composições no Heavy/Hard, fazendo um som que é pesado ao mesmo tempo que é convidativo a movimentos corporais involuntários. Quem ainda não os havia assistido ao vivo comprovou isto logo nas primeiras músicas. O show começou com “Constantinopla” e “Night Killers”, mas foi a partir de “Fired” que o clima festivo que o som do grupo emana realmente apareceu. A canção em questão tem refrão grudento e não permite que se passe incólume por ele. Tinha gente cantando junto mesmo sem saber a letra; os coros de “ô ô ô ô” também ajudaram. Aliás, a interação da banda com o público é impressionante. Comunicativo e cativante, Marllon Gaio consegue concentrar em si as atenções quando assim o deseja. E se o clima é de descontração (o que de maneira alguma significa que o profissionalismo e qualidade técnica sejam deixadas de lado),  nada melhor que convidar amigos para o palco. Assim foi feito em “Alcoholic Memories”, cuja letra fala “sobre encher a cara e fazer merda”, como Gaio explicou. Diversas pessoas subiram para cantar o refrão com cervejas em punho, inclusive este que vos escreve. A apresentação foi se aproximando do final com a semi-balada “Never Say Never” e “Bastards Revenge”, e se consumiu de fato com “I Want Out”, do Helloween, que contou como convidado especial André Mendes, frontman do Dragonheart. O Aquilla, que sempre contou com dois guitarristas, conseguiu se sair bem com apenas uma, principalmente pela destreza do exímio Pablo Parra.

Aquilla (foto: Clovis Roman)

O Dragonheart comemorou 20 anos de carreira subindo ao palco do John Bull Pub e fazendo um repertório que revisitou toda sua discografia. Do mais recente The Battle Sanctuary apenas duas apareceram, justamente as que abrem o trabalho: “Far from Heaven… Close to Hell” e “Kill the Leader”. Os três discos anteriores também apareceram, com representantes como “Eyes of Hell” (Vengeance in Black, 2006), ” …and the Dark Valley Burns” (Throne of the Alliance, 2002) e “Arcadia Gates” (Underdark, 2000). A fenomenal “Dynasty and Destiny” e o maior hit dos caras, “The Blacksmith” também deram as caras.

Dragonheart (foto: Clovis Roman)

São quatro álbuns em 20 anos de estrada, então num repertório de apenas 10 músicas muitas coisas boas ficaram de fora. Mas o grupo garante que para as próximas apresentações novidades no repertório vão aparecer. Me resta torcer para que “Night Corsaries” seja uma delas. E quem sabe “Tied in Time”, “Spreading Fire”, “Underdark”, “Silent Sentinel”, “Forged into Metal”, “Ghost Galleon”…

DISHARMONIC FIELDS
Blinded
Dimension of Pain
Nonsense of Life
Beyond the Boundaries of Time
Don’t Believe a Word of Fate
Devil’s Weapon Shot
Roots of Evil
Disharmonic Fields

ARCHITYRANTS
Black Water Revelation
Gruesome Symphony
Ballad of the Great Oppressor
Pale Black Dot
Super Tyrants
Reticulan Black Ship
Self Imposed Minority

AQUILLA
Constantinopla
Night Killers
Fired
Headhunter
Aquilla
My Own Revolution
Alcoholic Memories
Never Say Never
Bastards Revenge
I Want Out [Helloween]

DRAGONHEART
Far From Heaven… Close to Hell
Kill the Leader
Arcadia Gates
Dynasty and Destiny
…and the Dark Valley Burns
Eyes of Hell
Queop’s Escape
Crusaders March
The Blacksmith
Gods of Ice

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