[Cobertura] Michael Sweet e John Schlitt fazem shows acústicos – mas empolgantes – no Teatro Bom Jesus

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John Schlitt & Michael Sweet
Teatro Bom Jesus
Curitiba/PR
27 de agosto de 2017

por Clovis Roman

A santíssima trindade do Rock and Roll, oriunda dos anos 70 e influenciadora de praticamente tudo que veio daquele momento até hoje, é formada por Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin. O Rock de cunho cristão também tem seu trio abençoado (nesse caso, literalmente): Bride, Petra e Stryper. E as vozes das duas últimas se uniram para uma turnê inédita pelo Brasil; John Schlitt e Michael Sweet fizeram uma série de apresentações acústicas em nosso país. Nós conferimos a data de Curitiba, que rolou no domingo, 27 de agosto.

Schlitt
O primeiro a subir ao palco foi John Schlitt. Ele entrou no Petra em meados dos anos 80, e com ele o grupo atingiu a perfeição na mescla do ritmo contagiante do Rock and Roll com os moldes acessíveis da música Pop, tudo isto aliado a letras bastante diretas sobre suas crenças. Não a toa que a banda lançou três álbuns exclusivamente com canções de louvor (aquelas que tocam em igrejas durante os cultos).

John Schlitt (foto: Clovis Roman)

Vinda do álbum Unseen Power (91), do Petra, “Dance” abriu o repertório curto que o cantor apresentou. Serviu para animar a galera de cara, que na sequência veria uma série de canções solo de Schlitt, não tão conhecidas mas de qualidade indubitável. E as releituras em formato acústico deram frescor e até melhoraram algumas dessas canções, como é o caso de “Love Won’t Leave Me Alone”, um som originalmente com ares eletrônicos, que ganhou vida e alma apenas nas cordas do violão e na voz ainda poderosa de Schlitt. Na sequência, vieram “The Grafting”, do homônino de 2008; “Show Me the Way”, de Shake (95) – deste também rolou “Wake the Dead”; e “Take Me Home”, de The Greater Cause, último registro solo do vocalista. Na parte solo, o álbum Unfit for Swine (96) foi o único ignorado.

Foi interessante ver John tão empolgado para mostrar seus trabalhos solo, e o público respeitosamente aplaudiu e aproveitou. Mas quando clássicos do Petra foram entoados, a platéia se agitou mais. E apesar de poucas, as canções do grupo foram escolhidas a dedo. A colossal “Jekyll And Hyde”, vinda do pesadíssimo disco homônimo – que quebrou uma sequência de trabalhos mais tranquilos – surpreendeu e funcionou. E a trinca “Beyond Belief”, “Creed” e “I Am on the Rock” (todas do disco Beyond Belief, 1990) foi o ponto alto da apresentação do carismático John Schlitt. Mas todo o show, que durou cerca de uma hora, foi irrepreensível. Um momento para guardar no coração para todo o sempre. Uma pena que três canções que estavam no setlist tenham ficado de fora: “No Doubt”, “Just Reach Out” e “Lord I Lift Your Name on High”.

Sweet
Guitarrista e vocalista do Stryper desde todo o sempre, Michael Sweet deu um enfoque especial a sua banda de origem no repertório. Ele trouxe no começo uma música de cada um dos discos dos anos 80 – e duas de Against The Law, de 1990 – de maneira cronológica: Abriu, portanto, com uma representante do EP The Yellow and Black Attack. E começou já se entrosando com a galera. No meio de ” You Know What to Do”, Sweet começou a conversar com uma pessoa da platéia, que ao falar que sabia cantar a referida canção, foi convidada a subir ao palco. O rapaz, chamado Rodrigo Godoy, é cantor reconhecido no meio cristão na cidade, e, visivelmente emocionado, cantou ao lado de Sweet alguns versos. O clima de descontração havia sido instaurado com sucesso. Mesmo que Sweet tenha parecido incomodado durante “Always There For You”, quando desceu no meio do palco e foi cercado pela galera, que queria selfies, toda a longa apresentação foi bastante leve e empolgante.

Michael Sweet (foto: Clovis Roman)

Em determinado momento, Michael rasgou o setlist (figurativamente) e começou a tocar sucessos do Stryper de acordo com os pedidos da galera. Ninguém pediu nada fora dos maiores sucessos comerciais, é claro, e isto facilitou as coisas para o artista. E não dá para criticar a galera, afinal, ouvir sons magistrais como “Soldiers Under Command”, “Free”, a fantástica “Calling on You” e “To Hell With the Devil” é sempre um deleite. Da banda preta e amarela ainda tivemos músicas como “Lady”, “All For One” (momento mágico) e “I Believe in You”, além do apoteótico encerramento com “Sing-Along Song”.

Ainda houve espaço para uma canção do Boston, “Amanda”, a única que Sweet precisou ler as letras – mesmo assim a interpretação ficou visceral, um dos momentos mais brilhantes do set. Também tivemos canções solo de Sweet, como a fantástica “Someday” e “I’m Not Your Suicide”, do homônimo de 2014, e até mesmo um som de sua parceria com George Lynch: “Dying Rose”. Mas o momento mais surpreendente foi “Livin’ on a Prayer”, daquele cantor que começou no glam esbanjando talento e transbordando clássicos em seus discos, mas que há muito tempo não lança um material realmente impactante: Bon Jovi. A música em si ficou ótima no formato acústico e, principalmente, na voz de Sweet, que mudou sua maneira de cantar sem perder sua elegância.

Música
No final, o que vale é a música. Os mundos cristão e secular (o que não é cristão) volta e meia cruzam seus caminhos. A santíssima trindade do Rock citada no começo do texto foi coverizada pelo Stryper no disco The Covering. O cantor Jeff Scott Soto fez alguns vocais de apoio no espetacular disco Against The Law. E o produtor John Elephante, que trabalhou em diversos álbuns do Petra, foi o vocalista do glorioso Kansas em dois álbuns, deixando de legado dois grandes hits: “Play the Game Tonight” e “Fight Fire With Fire”.

Há espaço para todos, e não há divisões: música boa, no fim das contas, é apenas música boa. E disto, tanto John Schlitt quanto Michael Sweet entendem bastante.

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