[Entrevista] John Schlitt fala sobre o futuro do Petra e seus projetos musicais

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O Petra é um dos pilares do Rock gospel mundial. Formado em 1972, o grupo chegou ao ápice comercial após a entrada do espetacular John Schlitt, em meados dos anos 80. O grupo voltou ainda mais suas forças para algo mais ‘radio friendly’, mas com muito talento; refrões grudentos, riffs simples e marcantes e batida dançante. Esses elementos tornaram álbuns como Unseen Power e, principalmente, Beyond Belief, os favoritos dos fãs. A banda seguiu pelos anos 90 lançando outros bons trabalhos, entre álbuns, registros ao vivo e discos de louvor, mas encerrou suas atividades após o pesadíssimo (para os padrões do grupo) Jeckyll & Hyde, em 2003. Anos mais tarde, começaram a esporadicamente se reunir para séries de shows.

Por duas vezes após o retorno eles passaram pelo Brasil, em 2010 e 2012. Quem perdeu essas datas ainda tem esperanças, mas pode ser que o Petra nunca mais bote os pés em nosso país novamente. Em meados deste ano, John Schlitt veio ao Brasil para apresentações solo e acústicas, junto a Michael Sweet, do Stryper, de quem é admirador como músico e acabou virando amigo. No show, o cantor mostrou um punhado de canções solo e alguns clássicos do Petra, com Beyond Belief.

Na noite de 27 de agosto, tive a oportunidade de encontrá-lo pessoalmente para pegar autógrafos e tirar fotos. Ali mesmo, nas dependências do Teatro Bom Jesus (o link da resenha está no fim da página), combinamos de fazer uma entrevista. Com intermédio da querida Sue Dempster, Schlitt me ligou para conversarmos sobre seus diversos projetos paralelos e claro, sobre o Petra e seu futuro.

por Clovis Roman

Primeiramente eu tenho que dizer obrigado pelo seu tempo. É um prazer podermos conversar, okay?
É um prazer conversar com você também, meu amigo.

Sobre a recente turnê que você fez com Michael Sweet, como surgiu a idéia dessa turnê acústica com ele?
Na verdade foi o promotor, foi ideia dele. Ele sugeriu para mim e o Michael e nós dissemos “isso parece ótimo”. Michael e eu nunca tínhamos feito shows acústicos juntos, e nós pensamos “vamos tentar!” E funcionou de forma fantástica.

E existem planos de tocar esse show acústico em outros lugares? Ou foi somente algo para a América do Sul?
Depois que nós fizemos, vimos que funcionou muito bem. Michael e eu acabamos ficando amigos. Nós falamos “pode ser qualquer hora!”. Se pudermos, faremos em qualquer lugar. Nós estamos vendo de fazer aqui nos E.U.A., mas não sabemos ainda se vai dar certo ou não. Mas com certeza deu certo no Brasil.

Sim, foi um ótimo show de vocês dois.
Obrigado meu amigo, foi bem fora dos padrões para nós dois. Michael tinha feito isso antes. Eu também, mas eu normalmente levo meu próprio violonista. Ter meu amigo do Brasil tocando foi um desafio, mas funcionou realmente bem.

John Schlitt cantando em Curitiba(foto: Clovis Roman)

Certo, e nesses shows você tocou bastante material solo. A respeito desses trabalhos, você tem pensado em lançar o sucessor de The Greater Cause? [John responde outra coisa]
Ah, eu adoraria. The Greater Cause é provavelmente para mim um dos melhores discos que já fiz. Se tivesse algum jeito de fazê-lo chegar ao Brasil de uma forma melhor, eu o faria. Mas está [foi lançado] na minha própria gravadora e não é uma gravadora muito boa, então é minha culpa que não houve mais exposição.

Outro trabalho que você fez recentemente: “The Union of Sinners and Saints”, é um disco muito, muito bom, que você lançou no ano passado. Diga-nos como essa reunião funcionou, como você conheceu os caras pra fazer essa banda.
Bem, isso começou há alguns anos. Billy Smiley, do Whiteheart, e eu estávamos indo a uma convenção que participaríamos. Já tínhamos nos cruzado antes e Billy é muito decidido, e ele disse “hey John, nós temos que nos encontrar e escrever”. Mas em Nashville todo mundo diz isso toda hora, e então disse: “Hey Billy, isso me parece ótimo, sabe? Eu estou livre a qualquer hora que você puder”. E você dizer isso significa “Nunca mais vamos falar sobre isso de novo”. Mas Billy me ligou pouco tempo depois e me disse “John, eu tenho este e este tempo disponíveis, vamos nos encontrar e ver como funciona”. Nós o fizemos e naquele primeiro dia eu acho que escrevemos uma música que acabou indo para o álbum. E no final funcionou tão fácil e tão bem, que nós passamos a fazer mais e mais e quando vimos, tínhamos um disco, um CD que estava pronto. Muitos amigos que co-escreveram conosco. Porque com todos os caras que conhecemos, nós montamos essa banda absurda, realmente uma das melhores bandas com a qual eu já toquei. É uma pena que nós não possamos expor mais de forma internacional essa banda. Mas eu acho que vai acontecer quando Deus quiser, o disco sair, deixar o público ouvir, perceber a qualidade dele e se interessarem e nós poderemos levá-lo a outro patamar.

Certo, um dos convidados nesse álbum é David Ellefson do Megadeth. Você pode nos dizer em quais músicas ele toca e como surgiu a ideia de convidá-lo?
Oh, ele é um cara ótimo, ele é amigo do Billy, ambos vivem em Scottsdale em Phoenix, Arizona. E ele é um cristão muito devoto. Eles se juntaram e escreveram o instrumental da música que ele participou e depois nós colocamos a letra dessa música. Ele estava muito feliz em fazer parte do disco e nós estávamos muito orgulhosos em tê-lo no disco. E foi basicamente como o disco se desenvolveu nós temos partes aqui e lá de diferentes pessoas e tudo foi reunido em Nashville. Eu acho que nós terminamos com um grande projeto.

Eu sei que é difícil dizer qual sua música favorita de um álbum, mas a minha pessoalmente é “My Offering”, essa é a que eu mais gosto. Qual a sua música favorita nesse álbum?
Bom, primeiramente, obrigado. “My Offering” é uma música muito bonita, eu creio que foi uma das últimas músicas que escrevemos, porque nós queríamos dizer obrigado aos caras que estavam interessados no álbum, e obrigado a Deus por nós podermos nos reunir e fazer o álbum. Repare que eu falo “álbum”, eu sou old school, eu deveria estar dizendo “CD”, vou tentar dizer “CD” daqui pra frente. Mas provavelmente minha música favorita é “Independence Day”, a antiga música do Whiteheart. Eu adoro essa música e adoro ter tido a chance de tocá-la. Rick, o vocalista original, fez um trabalho incrível, então foi um grande desafio para mim em fazer minha versão e tentar manter o mesmo nível que ele. Eu realmente gosto muito dessa música.

Vamos falar um pouco sobre o Petra, a banda lançou o último álbum em 2003: Jeckyl and Hyde é um dos meus álbuns favoritos, não apenas do Petra, mas de todos os tempos. Você acha que esse álbum recebeu a atenção devida do público?
Não. Na verdade é por esta razão que o Petra se aposentou. Quando nós lançamos Jeckyl and Hyde – o qual eu concordo que é um dos melhores albuns que o Petra já lançou – não houve interesse algum, a indústria basicamente nos disse que não havia mais interesse em nós. Eu digo a indústria, não o público. A indústria nos EUA estava nos dizendo “nós não temos mais interesse em vocês, até onde sabemos vocês são old fashion e não queremos mais nada com vocês”. Então Bob e eu promovemos em turnê o álbum por todo o país, por todo o mundo na verdade, naquele ano. E então nada veio no ano seguinte, aí foi quando dissemos “ok, acabou”. Se a indústria não pode nos apoiar, nós não podemos continuar sozinhos e talvez seja a hora do Petra acabar. Passamos um tempo maravilhoso na música cristã e então foi aí que nós decidimos que era a hora de aposentar. E eu concordo totalmente com você, Jeckyl and Hyde é um dos melhores discos que nós já fizemos e quando ele passou despercebido, foi o nosso sinal para terminar.

Certo, após o término, alguns anos depois, o Petra retornou para fazer alguns shows e veio para o Brasil duas vezes. O que está acontecendo no momento, a banda está ativa? Trabalhando em algo? Acabou novamente?
(Risos) Ah, nós terminamos uma vez, isso foi em 2005, 2006. A primeira vez que viemos para o Brasil, foi algo especial, beneficente para a AIDS. E nós sempre dissemos que quando terminássemos, nós adoraríamos tocar junto em eventos especiais, em eventos beneficentes. E o Brasil foi o primeiro lugar a dizer “Nós gostaríamos que viessem pra cá”. E nós sempre amamos o Brasil, é um dos nossos países favoritos no mundo. E nós dissemos “Sim, iremos”. E eu acho que no ano seguinte nós fizemos a mesma coisa com a mesma equipe. E após isso houve um aniversário, um CD foi lançado e a gravadora pediu que nós fizéssemos alguma promoção do CD, foi uma época especial. E nós dissemos “vamos apoiar isso”. E eu acho que a última vez que fomos no Brasil foi para promover um aniversário de algum disco. E eu acho que nós tocamos 2 vezes nos E.U.A. nos últimos dois anos, com o Stryper, nos E.U.A. e em Porto Rico. Stryper e o Petra sempre quiseram tocar juntos, mas nunca tivemos a chance, e quando a oportunidade apareceu, nós fizemos. E desde então o Petra não subiu num palco junto, e achava que estava terminado. Mas ouvi algo dos caras, eles querem fazer algo. Eu não vejo isso acontecendo, mas se acontecer, louvado seja Deus. Seria ótimo tocar com meus amigos.

Então os fãs ainda podem esperar ver o Petra ao vivo de novo no Brasil, ao menos uma vez?
Eu não disse isso, eu apenas disse que seria ótimo se acontecesse, mas com o Petra você tem cinco indivíduos, e cada um tem seu caminho a andar e nós todos estamos bem ocupados. Se acontecesse seria ótimo, teria que ser nas circunstâncias certas. Eu não sei se haverá mais um disco do Petra, porque eu não sei se há tempo para fazê-lo, mas se sim, seria ótimo. Se não, podemos [ao menos] tocar juntos. Faz tanto tempo que um disco novo do Petra saiu, e sair em turnê com o disco Jeckyl and Hyde, que tem 10 anos, para mim não faz muito sentido.

Confira aqui a resenha do show de Schlitt e Sweet realizado em Curitiba.

Tradução e transcrição: Bruno Schmidt

Special thanks to Sue Dempster! 🙂

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