[Cobertura] Tim Ripper Owens faz terceiro show em um ano em Curitiba

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Tim ‘Ripper’ Owens / Dominus Praelii / Jailor
Jokers
Curitiba/PR
3 de outubro de 2017

por Clovis Roman

O eterno ex-vocalista do Judas Priest, Tim ‘Ripper’ Owens, resolveu abraçar de vez seu passado e fazer turnês tocando apenas sons da banda britânica. Se em outras vindas ao país ele balanceava o repertório, tocando também músicas de seu álbum solo, do Beyond Fear e as vezes até resgatando o – fantástico – Winters Bane, dessa vez a coisa foi diferente. Além disso, priorizou os álbuns que ele gravou com a banda, o incompreendido e extremamente brutal Jugulator e o mediano Demolition. Se antes sons desses discos eram raros, agora apareceram em profusão no setlist.

Jailor (foto: Clovis Roman)

Para a abertura, foram escaladas as bandas Jailor e Dominus Praelli. O Jailor veio primeiro, fazendo um repertório curto e certeiro: foram 6 músicas em meia-hora de show. O grupo teve algumas mudanças de formação no decorrer dos anos, mas manteve sua unidade. Basta ouvir o último play dos caras para notar o alto nível de composição atingido. Ao vivo a coisa também funcionou, e alicerçados pela parte percussiva, de responsabilidade de Jefferson Verdani, os caras destruiram. Além de faixas de Stats of Tragedy, álbum de 2015, ainda relembraram a faixa que nomeia a banda, do debut Evil Corrupts (2005): “Jailor”. Interessante notar como os caras tocam no palco ainda mais rápido que nos disquinhos. Fulminante.

Repertório do Jailor
Jesus Crisis
Human Unbeing
Throne of Devil
Stats of Tragedy
Jailor
Six Six Sinners

Dominus Praelii (foto: Clovis Roman)

O Dominus Praelii é um nome importante do Heavy Metal nacional. Tive a oportunidade de vê-los um par de vezes em 2002, na época da divulgação do debut Holding the Flag of War. Quinze anos mais tarde o quinteto retornou a Curitiba, e mesmo com um setlist um tanto enxuto, passou seu recado com efetividade. Letras sobre batalhas e combates se mesclam a um instrumental melódico e com peso nos momentos adequados, além de vocais agudos, que complementam a sonoridade ao mesmo tempo ríspida e cristalina da banda.

Os caras dividiram o set em blocos: primeiro uma parte com cinco sons de Keep The Resistance (2010), depois, um punhado de faixas do debut e por fim, a única do Bastars & Killers (2006): “Battle of Stamford Bridge”. Que o sucessor de Keep the Resistance (e lá se vão quase 8 anos) chegue logo a mãos de todos os “bangers”!

Repertório do Dominus Praelii
Leftraro Is My Name
Get Out
Iuanchi God & Demon
Time on Time
Don’t Try to Change My Faith
Hard Deadly Wheels
Waves of War
Cold Winds
Battle of Stamford Bridge

Tim ‘Ripper’ Owens (foto: Clovis Roman)

A grande atração da noite começou seu show próximo da meia-noite, um horário horrível para uma terça-feira. Mas apenas a canção de abertura foi suficiente para apagar qualquer contratempo temporal: “Jugulator”, um colosso de ferro e sangue, começa no playback até a parte rápida, puxada por uma passagem veloz na bateria: aí então Ripper emenda agudos lancinantes e deixa todos sem entender porque ele demorou tanto para tocar esta música ao vivo. Com ela o ingresso já estava pago. Mas ainda teve “Blood Stained”, um dos maiores hits do Judas naquela época, cujo refrão foi cantado alto pela galera. “The Ripper” funcionou bem, afinal, ela emprestou seu nome como apelido à Tim Owens. Em sons como “Grinder” e da própria “Blood Stained”,  o vocalista repetiu frases e termos eternizados em ’98 Live Meltdown, primeiro dos dois ‘live’ que ele gravou com o Judas Priest. Foi como uma viagem no tempo.

Do álbum Jugulator, Ripper ainda cantou o single “Burn in Hell”, numa versão levemente mais curta que a original; “Bullet Train” (onde um backing vocal fez falta no pré-refrão) e “Death Row” – todas estas também integram o supracitado disco ao vivo. A grande surpresa seria “Dead Meat”, mas acabou sendo limada de última hora: quando ela seria tocada, Ripper saiu do palco e colocou uma jaqueta jeans. Ao voltar, ele pegou uma guitarra e brincou tocando um trechinho de uma música do AC/DC. Depois, veio “Living After Midnight”, que funciona em qualquer situação. A épica “Electric Eye” e “One on One” fecharam o show, após treze músicas. Outra que funcionou bem – e que proporcionou momentos apaixonados em vários casais presentes – foi a belíssima balada “Lost and Found”, pérola há muito perdida, mas agora resgatada por Ripper.

A banda que acompanhou o cantor contou com o guitarrista Kiko Shred e o baterista Lou Tagliari, ambos do Megahera; o baixista Will Costa, do excepcional grupo Higher; e o guitarrista Vulcano, do lendário Hellish War. O show serviu em sua função nostálgica, e Ripper se mostrou, na medida do possível, simpático com o público, que compareceu em quantidade razoável. Ele chegou a relembrar que este era seu terceiro show na cidade em 12 meses, e com este argumento, declarou amar a cidade. Nós acreditamos.

Repertório de Tim ‘Ripper’ Owens
Jugulator
Blood Stained
The Ripper
Painkiller
Lost and Found
Bullet Train
Grinder
Burn in Hell
Living After Midnight
Death Row
Hell Bent for Leather

Electric Eye
One on One

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