[Cobertura] Zakk Wylde faz show mecânico para legião ensandecida de fãs

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Zakk Sabbath
Hermes Bar
Curitiba/PR
14 de novembro de 2017

por Clovis Roman & Kenia Cordeiro

O guitarrista da banda de Ozzy Osbourne, Zakk Wylde, resolveu chamar uns amigos e fazer uma banda tributo ao Black Sabbath. Nas baquetas, o monstruoso Joey Castillo, que já passou pelo Queens of the Stone Age (tocou com a banda no Brasil no finado SWU em 2010). Nas quatro cordas, Blasko, que também toca com Ozzy e já passou por Rob Zombie e pelo barulhento Cryptic Slaughter. Um time de peso tocando clássicos eternos da banda que criou o Heavy Metal. O resultado dividiu opiniões.

A legião de fãs de Zakk compareceu em peso ao Hermes Bar; a casa estava intransitável de tanta gente. O artista, consciente da sua base de admiradores, entregou o que a galera queria: solos velozes e intermináveis, poses e pouco papo furado. O cara não anunciava as músicas, tampouco falava ao microfone; sua voz só era ouvida enquanto cantava, aliás, seu timbre se assemelha ao de Ozzy de maneira assustadora. Era música atrás de música, o que deu um ar intenso a apresentação. O guitarrista ficou quase todo  o tempo em cima do retorno, se evidenciando em relação aos outros músicos. Blasko ficou no canto direito, empolgado mas humilde. Até mesmo Castillo ficou um tanto apagado, mesmo que tenha tocado energicamente e de maneira soberba.

Dois pontos cruciais em relação a apresentação e sua efetividade recaem sobre o repertório e execução. Quando ao setlist, Zakk foi bastante feliz por selecionar músicas não tão óbvias (e por deixar “Paranoid” de fora, principalmente). Claro que todos nós amamos “Paranoid” ou “Iron Man”, mas a discografia do grupo na fase Ozzy é muito mais que isto, certo? Assim  sendo, tivemos pérolas como “A National Acrobat”, “Lord of This World” e “Wicked World”, junto a petardos eternos como “Snowblind”, “Supernaut” (que abriu o show) e “Into the Void”.

O porém incide na execução. Na gana de ser sempre o centro das atenções, Zakk acaba por, em alguns momentos, descaracterizar o legado de Tony Iommi. Ele estende passagens instrumentais a exaustão para ficar solando descontroladamente. Em alguns momentos não dava pra saber qual música estava sendo tocada, até que eles voltassem para algum riff principal. O Black Sabbath é digno de todas as homenagens e tributos. E um músico gabaritado como Zakk Wylde tem credenciais para isto, afinal, é funcionário do vocalista da lendária banda britânica e com ele gravou o espetacular No More Tears (1992). Só não precisava querer aparecer tanto: bastava deixar a música falar por si mesma.

No fim das contas, foi um show onde quem admira Wylde como guitarrista e ‘performer’ saiu extasiado. Ele certamente atende àquilo que seu público demanda dele.

REPERTÓRIO
Supernaut
Snowblind
A National Acrobat
Embryo
Children of the Grave
Lord of This World
Orchid
Under the Sun
Wicked World
Fairies Wear Boots
Into the Void
Hand of Doom
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
War Pigs

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