[Cobertura] Roberto Carlos desperta diversas emoções no público curitibano

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Roberto Carlos
Opera de Arame
Curitiba/PR
01 de dezembro de 2017

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

As peculiaridades de Roberto Carlos são de domínio público; sua paixão pelo azul, suas manias e afins. Suas músicas são amadas por grande parte da população brasileira. Todos conhecem, ao menos, umas duas dúzias de músicas do cantor, mesmo que não seja fã. Por isso mesmo Roberto Carlos consegue, aos 76 anos, entregar um show que cativa desde seus fãs na mesma faixa etária até os mais jovens, que se aprofundam em sua história, em sua vasta discografia. Durante a extensa apresentação, todo o público, a despeito de sua faixa etária, encontrou um ponto de congruência: a de reverência ao Rei.

A abertura do espetáculo se deu com um medley instrumental, executado por sua monstruosa banda, que passou por vários sucessos, alguns deles tocados mais para a frente em sua forma integral. Algumas outras canções foram brevemente citadas, tornando o número de abertura – regido pelo maestro Eduardo Lages – um deleite para os que conhecem mais a fundo a obra de Roberto. Por fim, o anfitrião de todos surge, vindo do fundo do palco, centralizado. Ele saúda a todos e canta, de cara, uma de suas obras mais conhecidas: “Emoções”. Deram sequência “Como Vai Você” e “Além do Horizonte”, mantendo o clima de emoção instaurado no começo da apresentação.

Entre canções mais lentas, Roberto Carlos mostrou vitalidade ao interpretar sons mais agitados como “Ilegal, Imoral ou Engorda”, “Mulher Pequena” ou “O Calhambeque”. Esta, vinda dos primórdios da carreira do cantor, antecedeu uma música que por muito tempo ficou fora do repertório: “Quero que vá tudo pro inferno”. Ele se recusou por anos a cantá-la por causa da palavra “inferno”, que aparece no título e no refrão. E a volta da música foi salutar, já que é uma das melhores de todo seu imenso catálogo. Estas duas representaram a parte da carreira de Roberto que tinha no Rock and Roll sua maior inspiração. Uma viagem no tempo, já que elas foram lançadas há mais de 50 anos; meio século de história.

Roberto Carlos (foto: Clovis Roman)

Se aproximando do final do espetáculo, Roberto apresentou duas músicas se seu último lançamento, o EP que também leva o nome da maioria de seus álbuns: Roberto Carlos. Primeiro veio “Chegaste”, uma canção com roupagem moderna, feita em parceria com Jennifer Lopez, bastante elogiada pelo artista antes e depois de sua execução. A voz da cantora surgiu em playback para o dueto com o Rei, assim como imagens do videoclipe nos telões. O dueto é um dos inúmeros exemplos de como Roberto Carlos se reinventou na virada do milênio. Em 2001 lançou um inesperado trabalho acústico (primoroso, diga-se de passagem), e depois investiu em inúmeros trabalhos (em áudio e vídeo) ao vivo (até então, só tinha um registro do tipo, o ótimo Roberto Carlos Ao Vivo, de 1988). Também apostou em trabalhos em parceria ou releituras (as vezes ambos juntos), que renderam, por exemplo, Roberto Carlos e Caetano Veloso e a Música de Tom Jobim, cujo título é autoexplicativo.

Roberto Carlos deixou para lá sua tradição anual de lançar álbuns para se ajustar as novas demandas do mercado fonográfico. E deu certo, pois o EP Esse Cara Sou Eu vendeu duas milhões de cópias e sacramentou a canção de mesmo nome como um de seus clássicos; não a toa foi uma das mais aplaudidas, já no final do repertório. Depois dela, veio “Como é Grande o Meu Amor por Você”, um tema suave, envolvente, que puxou um belo coro do público, que neste momento se levantou e foi para a boca do palco para ficar mais perto do rei. Esta canção foi lançada no álbum Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura, um dos inúmeros brilhantes momentos de sua carreira, de 1967. Há também um filme de mesmo nome e época, o primeiro dos quatro que gravou entre o final dos anos 1960 e início da década seguinte.

O encerramento definitivo veio com “Jesus Cristo”, apoteótica em sua melodia. A emblemática cena de Roberto Carlos jogando flores às mulheres das primeiras fileiras foi o marco que pôs fim ao concerto. O rei da Música Popular Brasileira faz, desde sempre, juz ao seu reinado. Nós, súditos, agradecemos.

REPERTÓRIO
Intro
Emoções
Como Vai Você
Além do Horizonte
Ilegal, Imoral ou Engorda
Detalhes
Desabafo
Outra Vez
Lady Laura
Nossa Senhora
O Calhambeque
Quero que vá tudo pro inferno
Olha
Sua estupidez
Mulher Pequena
Chegaste
Sereia
Se Você Pensa
Esse cara sou eu
Como é Grande o Meu Amor por Você
Jesus Cristo

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