Hellish War: Os guerreiros defensores do Metal

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Usando um clichê comum entre redatores especializados em Heavy Metal, o Hellish War é ‘uma instituição’ da música pesada no Brasil. Com mais de 20 anos de história, o grupo conta com 3 registros em sua discografia, além de um álbum ao vivo gravado em um festival de Metal na Alemanha. Aqui vamos focar no último disco dos caras, Keep it Hellish e também no debut Defenders of Metal, relançado para celebrar os 15 anos de seu lançamento original. Tudo isto com um papo exclusivo que batemos com o baixista JR.

por Clovis Roman

Keep it Hellish (2013)
Em Keep it Hellish, o vocalista Bill Martins tem a performance de sua vida. Mesmo que o Dark Witch seja sua banda de origem, é no Hellish War que ele parece mais solto, mais a vontade, em sua performance. Aqui ele soa muito mais agressivo que em Circle of Blood (debut do supracitado grupo, lançado em 2015), mais versátil também. O bom desempenho de Bill, que também já gravou com o Heavenly Kingdom (ignore o fato de ser uma banda de cunho cristão, Abílio – nome de Bill – gravou o trabalho como músico, sem necessariamente seguir a temática lírica), é um bônus em relação ao verdadeiro trunfo do Hellish War.

O vocalista, inclusive, cavou sua entrada na banda, e a conseguiu por méritos, mas não sem antes bater na trave na primeira tentativa. O baixista JR explica que “Após a saída do Roger [Hammer, vocalista original, que saiu em 2012], ele [Bill] nos mandou uma gravação dele cantando a “Son Of The King”, isto antes de escolhermos a Thalita. Por algum motivo passou despercebido“. Mas como a persistência é uma virtude, o cantor tentou mais uma vez, assim que soube da saída de Thalita, poucos meses depois: “Ele nos enviou uma nova gravação da mesma música. E desta vez ele matou a pau. Nos surpreendeu positivamente. Veio pra Campinas, fez o teste e o resto é história!“.

Opa, mas afinal, quem é Thalita? Ela entrou como vocalista no Hellish War no lugar de Roger Hammer, chegou a se apresentar ao vivo com a banda (estreou em um festival no interior de São Paulo, em 11 de agosto de 2012), mas as coisas não funcionaram como esperado. A pressão e a falta de experiência pesaram e logo a parceria foi dissolvida, poucas semanas após este show: “Naquela altura, a Thalita parecia ser a escolha certa. Ela ficou três meses na banda e acabou não rolando. Ela não tinha muita experiência com bandas e acabou sendo uma pressão muito grande pra ela. Decidimos por não continuar, não seria justo com ela e nem com a gente“, esclarece.

No álbum Keep It Hellish, o terceiro de sua discografia, o que ganha mesmo o ouvinte é o trabalho primoroso das guitarras, tanto nos riffs quanto nos solos cortantes. A dupla responsável pelas seis cordas, a mesma que gravou o fantástico álbum de estreia Defenders of Metal, é Vulcano e Daniel Job, que soam como complemento um do outro. Ambos se baseiam nos alicerces do Metal em sua forma mais pura. A cozinha é coesa, homogênea e reta, firmando solidamente a estrutura das composições. O resultado disto tudo é um trabalho coeso e pungente.

A faixa título une essas características de maneira magistral. O vocal rasgado mas melódico – e os eventuais vocais de apoio em coro – unido a uma bateria reta e baixo discreto, servindo de alicerce para o ataque das seis cordas, que destilam riffs espetaculares e de fácil assimilação. Uma ode ao verdadeiro Metal. O refrão “Hellish we keep – keep it hellish”, após um par de audições, não sai mais da cabeça. Em “Reflects on the Blade” o grupo apresenta algo mais veloz, com solos espetaculares, que remetem à dupla Glenn Tipton e K.K. Downing dos anos 80. Mais cadenciada, ao menos em sua abertura, “Fire and Killing” emana peso, onde a bateria de Daniel Person marca o ritmo, alicerçando o – mais uma vez – ótimo trampo da dupla das seis cordas. Outra música longa, ela conta com inúmeros solos, todos inseridos em um contexto. “Darkness Ride” e seu clima mais Progressivo (algo que o Iron Maiden vem apostando com maestria em seu últimos registros) é uma das melhores.

Outra que sugere (de maneira sóbria, sem exageros) a influência do Judas Priest é “The Quest”, a faixa que encerra o álbum. O épico de mais de nove minutos conquista de imediato o ouvinte, e mesmo sendo gigante, funcionaria muito bem até mesmo sendo a música de abertura. Várias passagens se acumulam antes da entrada do vocal, o que ocorre após mais de dois minutos de instrumental. A composição, ousada e competente, encerra o álbum de maneira grandiosa. Keep it Hellish é um disco que, apesar de suas músicas terem em média 7 minutos e 15 segundos de duração, é de fácil assimilação. Riffs e solos de guitarra eficientes, baixo discreto como pede o estilo, bateria pesada e vocal forte dão os contornos desejados pela banda no que tange ao estilo: Heavy Metal puro, indo pro lado mais alemão do rótulo. Imperdível para fãs de bandas como Grave Digger, Running Wild, Accept, Iron Maiden e similares. Se o debut Defenders of Metal (2001) é um clássico dentro do cenário musical do estilo, este Keep it Hellish o fará companhia nesse hall dentro de alguns anos.

Defender of Metal (2001)
E falando em debut, o disco Defender of Metal, lançado em 2001, voltou ao catálogo após anos. Isto atende uma demanda dos fãs é um tanto nostálgica para os que viveram à época de seu lançamento original. Eu tive a oportunidade de assistir o Hellish War em 2002, quando divulgavam, a pleno vapor, o referido álbum. O show em questão no dia 16 de maio, na abertura para o grandioso Saxon (outra grande influência dos caras). A apresentação foi marcante, afinal, eu nunca tinha visto uma banda tocar tantas músicas com a palavra ‘metal’ em seus títulos: “We Are Living for the Metal”, “Defender of Metal” e “Memories of a Metal” estiveram no repertório.

E esta apresentação foi memorável também para os próprios membros da banda: “O público nos recebeu muito bem, fizemos um puta show! Conhecer o pessoal do Saxon foi surreal! Eles foram muito gentis e cordiais com a gente. São lendas, mas são pessoas com o pé no chão. Foi uma experiência ímpar em nossa carreira“, relata o baixista. O show foi curto, cerca de sete músicas, mas o suficiente para despertar meu interesse e manter o nome Hellish War no meu acervo mental. Tanto que, mesmo sem nunca mais ter visto os caras ao vivo, ainda tenho boas memórias daquela noite, e volta e meia pego um de seus discos para ouvir.

O fato é que Defenders of Metal marcou uma geração, e agora está disponível para uma nova leva de fãs, que mantém a chama do Metal acessa nós tempos atuais, como explica JR: “Estamos por aí há mais de 20 anos e nosso público vem se reciclando de tempos em tempos. As pessoas estavam sempre perguntando sobre o álbum e onde que poderiam comprá-lo“. E mesmo tendo 15 anos, o material daqui ainda soa poderoso, ainda é interessante. A bateria do finado Jayr Costa, com um tanto de reverberação, dá um charme ao som, que é, assim como no último álbum dos caras, alicerçado mesmo é pelo trampo das guitarras. Ajudam também as melodias vocais, sempre grudentas e os ótimos refrões: a faixa título, “Defenders of Metal” não me deixa mentir. Assim como eles continuaram a fazer nos trabalhos seguintes, as canções são longas, sempre com muitas passagens unidas, criando algo sempre dinâmico e interessante. A atenção do ouvinte raramente se dispersa na audição, que dura 72 minutos. Neste quesito, “The Sign” se destaca, onde o trampo do vocalista Roger Hammer lembra muito o timbre do grande Mark Duffy, do Toranaga. Na versão digital desse relançamento há uma bônus: a releitura da faixa título pela atual formação.

O Hellish War é um dos pilares do mais puro Heavy Metal no Brasil. Agora, com seu passado revisitado, esperamos que um novo álbum esteja a caminho – e a banda já declarou que isto está nós planos: “Por enquanto estamos juntando e organizando as ideias. Estamos iniciando o processo de composição para o sucessor do Keep It Hellish“. Se seguir os passos do espetacular último disco, mais um clássico está prestes a nascer.

Mais Informações:
Site: www.hellishwar.com.br
Facebook: www.facebook.com/hellishwar
Twitter: www.twitter.com/hellishwar
YouTube: www.youtube.com/hellishwarofficial

foto: Eliton Tomasi/Divulgação

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