Restrospectiva: Confira o melhor de 2017 no ponto de vista do Acesso Music

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por Clovis Roman

O ano de 2017 marcou o lançamento do Acesso Music, um veículo que gosta de qualquer tipo de música. Idealizado por Kenia Cordeiro, ao lado do jornalista Clovis Roman, o site entrou em cena com uma proposta eclética, sem preconceitos. Livre. Uma equipe cheia de gente legal foi formada, cada um com suas peculiaridades musicais, o que refletiu em um conteúdo amplo.

Durante o ano trouxemos entrevistas com renomados artistas da música brasileira, como Roupa Nova, Criolo, Humberto Gessinger, Barão Vermelho, Branka, Nando Reis, Biquini Cavadão, Zeca Baleiro, Fernando Anitelli (O Teatro Mágico), Falcão e Capital Inicial. Também conversamos com Lenine, duas vezes em pouco mais de uma semana. Cobrimos shows de praticamente todos esses artistas também. Dentro do cenário independente, entrevistamos o Sem Futuro, o Ankhy e o Gosotsa todos diferentes entre em si, mas tendo em comum a qualidade musical e a determinação.

Biquíni Cavadão no Teatro Positivo (foto: Clovis Roman)

Além disso tudo, fomos credenciados para analisar e trazer aos leitores nossas impressões de shows de inúmeros artistas nacionais de relevância inenarrável: o rei supremo Roberto Carlos; a fantástica Gal Costa, que se apresentou ao lado de Nando Reis e Gilberto Gil; Caetano Veloso em um show belíssimo com seus filhos; Rick & Giovani mostrando o melhor do – verdadeiro – Sertanejo; Milton Nascimento, colossal, em apresentação sublime e cheia de cumplicidade com o talentosíssimo Tiago Iorc; Frejat; Maria Gadú; Anitta e Liniker e os Caramelows, entre outros. Ainda conferimos a primeira edição do festival Coolritiba, que teve shows fantásticos, como o da cantora Céu, A Banda Mais Bonita da Cidade, Criolo e Novos Baianos, que botou a galera pra dançar mesmo debaixo de chuva. E ainda teve o show da sensação do Reggae, o SOJA, que tocou junto ao Ponto de Equilíbrio e J.Boog.

Criolo se apresenta para um Teatro Guaíra lotado (foto: Clovis Roman)

E falando em shows, conferimos uma porção deles durante o ano: foram 51 apresentações que contaram com a cobertura do Acesso Music, o que mostra a força e qualidade do trabalho realizado e sua importância para a cultura. Foram 279 postagens desde quando o site entrou no ar, o que dá uma média maior de uma postagem por dia. Cada uma dessas matérias publicadas, desde notícias sobre shows ou discos até trabalhos mais aprofundados, como resenhas e textos especiais, são exclusivas.

Lenine barbariza com show enérgico no Teatro Positivo (foto: Clovis Roman)

Rock Pauleira
Como os fundadores do site tem um pé na música pesada (os dois pés, na verdade), houve uma quantidade relevante de matérias, coberturas e entrevistas com artistas do Metal. Entre os destaques, a entrevista com a banda Helloween, que fizemos em setembro. A conversa foi com o guitarrista Michael Weikath, que está na banda desde o começo, lá no começo dos anos 80; momento histórico. Mas também conversamos com bandas da nova geração e de grande relevância: os holandeses do Epica foram nossa pauta duas vezes este ano. Primeiro ligamos para a vocalista Simone Simons para um papo sobre sua vida e carreira, e alguns meses depois, foi a vez de conversarmos com Mark Jansen, guitarrista e fundador do grupo. Essas são as duas matérias mais lidas em toda a história do Acesso Music, mostrando o poder do Epica aqui nesses lados. Também conversamos com Iris Gold, em colaboração do amigo Marcos Franke; o cantor John Lawton, que fez história com o Uriah Heep e Lucifer’s Friend; o vocalista John Schlitt, do grupo de AOR/Hard Rock Petra; os etílicos do Alestorm; o supergrupo especializado em regravar sons pop Exit Eden; e os punks do Cockney Rejects.

Epica em Curitiba em 2015 (foto inédita de Clovis Roman)

Entre as coberturas de shows, conferimos a que pode ter sido a última apresentação do Deep Purple no Brasil (com abertura avassaladora do Cheap Trick!), a aula de Heavy Metal dos alemães do Accept, o som pesado mas acessível do In Flames, o show de horrores do veterano Alice Cooper e os também veteranos do The Cult, que vieram ao lado do Alter Bridge. Entre os tributos, tivemos um ao Judas Priest com seu ex-vocalista Tim Ripper Owens, e outro ao Black Sabbath, cansativo, apesar do bom repertório, cortesia do virtuoso e exagerado Zakk Wylde. A dupla John Schlitt (Petra) e Michael Sweet (Stryper) veio ao Brasil para uma turnê acústica, mostrando um leitura mais suave de suas carreiras. Ainda conferimos o show do Apocalyptica, quarteto de cordas que tocou músicas do Metallica; o Folk pesado do fantástico Tuatha de Danann e um show enxuto do Sad Theory no 92 Graus.

Accept na Opera de Arame (foto: Arianne Cordeiro)

O primeiro semestre também teve shows muito bons, como a dobradinha Richie Kotzen e The Dead Daisies (banda com ex-membros de bandas como Whitesnake e Motley Crüe); o festival Metal Warriors, que celebrou a música autoral de Curitiba com as bandas Aquilla, Dragonheart, Disharmonic Fields e Archityrants; o Death Metal brutal do Krisiun, que teve entre as aberturas o Division Hell; o Metal alemão do Grave Digger em mais um show histórico; e o Metal mais melódico de Sonata Arctica e Rhapsody. Ainda nas bandas guiadas pela guitarra, tivemos o Punk/Hardcore do Cockney Rejects para público seleto no Jokers Pub e o The Pretty Reckless, bom grupo da nova geração do Rock, que encheu o espaçoso Teatro Positivo.

Clovis
Taylor Momsen comanda o público no show do The Pretty Reckless (foto: Clovis Roman)

Música boa
É realmente complicado citar destaques em um ano onde tanta coisa bacana ficou a disposição do público. Mas é preciso frisar que foi o ano de Anitta, ao menos no Brasil. Em seu país de origem ela estourou com diversas músicas grudentas e rebolativas. Mas também mostrou qualidade como cantora na meio Bossa “Will I See You”. Mas seu grande hit foi uma parceria, ao lado de Major Lazer e da drag Pabllo Vittar: “Sua Cara” é um bomba Pop devastadora e arrasou nas paradas. Foi provavelmente a música mais legal do ano. Se bem que “Paradinha”, também de Anitta, chega perto.

Anitta e seu show tecnicamente perfeito (foto: Clovis Roman)

No cenário nacional, para quem busca algo mais convencional, dois grandes trabalhos surgem como essenciais – e outro como curiosidade aos não iniciados: Espiral de Ilusão, álbum onde Criolo enfiou a cara no Samba, em um resultado que denota respeito ao estilo em sua maneira reverencial; e Estratosférica ao Vivo, de Gal Costa, gravado na turnê do fabuloso disco Estratosférica. Neste registro em estúdio ela mostra um leque de estilos, cortesia de inúmeros compositores inquestionáveis, como Caetano Veloso e seu filho Moreno (que também toca), a ótima Céu, Tom Zé, Marcelo Camelo, Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Criolo e Milton Nascimento. É mole? No ao vivo, um belo apanhado de sua carreira, com oito canções do supracitado álbum de estúdio e mais um monte de coisa boa que ela gravou durante sua história. Só a abertura com a Rock and Roll “Sem Medo nem Esperança” já vale a aquisição. O grupo Sepultura, que levou a música pesada do Brasil para o exterior lançou Machine Messiah, que vale a audição até por quem não é muito fã do estilo. Após várias tentativas os caras acharam um caminho próprio ao mesmo tempo atrativo para os ouvintes, e entregaram um disco cheio de musicalidade, urros e peso.

Gal Costa brilha no show Trinca de Ases (foto: Clovis Roman)

Lá fora muita coisa boa foi lançada, mas nosso destaque vai para Infinite, do Deep Purple. O grupo britânico mostra vigor mesmo após 50 anos de existência, entre idas e vindas. O álbum mostra músicas com estruturas melódicas sublimes, refrões efetivos e instrumental coeso de uma maneira quase inconcebível pela mente humana. Sendo este seu último registro antes do fim das atividades, o Purple se despediu em grande estilo.

Roger Glover durante show do Deep Purple na Pedreira Paulo Leminski (foto: Clovis Roman)

Mortes
Em 2017 vários artistas, geniais em seus estilos, deixaram esta vida. A música brasileira perdeu com as mortes de Jerry Adriani, aos 70 anos; Kid Vinil, 62; Luiz Melodia, 66; Belchior, 70; e Mário Linhares, do grupo Dark Avenger, aos 45 anos. O cantor Warrel Dane tinha 56 anos, e apesar de ser americano, estava morando no Brasil quando de sua morte. Ele estava no país gravando seu 2º disco solo, após carreiras de sucesso com os grupos Sanctuary e Nevermore.

Warrel Dane ao vivo em Curitiba em 2014 (foto: Clovis Roman)

Pelo mundo, muitas perdas. Aos 90 anos, Chuck Berry, que tinha vindo ao Brasil pela última vez em 2013, se foi. Um ano mais novo Fats Domino também nós deixou este ano. Tom Petty, 66 anos; o virtuoso guitarrista Allan Holdsworth, 70 anos e o baixista e cantor John Wetton, 67, também morreram em 2017. Outra perda muito lamentada foi a do guitarrista Malcolm Young, fundador e mente criativa do AC/DC, banda da qual ele estava afastado há alguns anos por problemas de saúde. Ele tinha 64 anos. Mais novo, Chuck Mosley (ex-Faith No More), com 57 anos, também partiu. Duas perdas em especial foram muito sentidas, pois ambos cometeram suicídio: Chester Bennington (Linkin Park), de apenas 41 anos; e Chris Cornell (Soundgarden), 52 anos. Este havia se apresentado no Brasil poucos meses antes.

fotos: créditos nas legendas
arte da capa: foto de Clovis Roman, com montagem de imagem de autor desconhecido

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