[Entrevista] Curitibanos do “Os Catalépticos” estão de volta após mais de uma década de hiato

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O grupo curitibano Os Catalépticos tem na capital paranaense suas raízes, pela questão lógica de ser onde foi fundado. Mas a música do trio, formado nos idos de 1996, ultrapassou todas as barreiras. O grupo cresceu a patamares altíssimos com seu trabalho, e hoje em dia é referência no Psychobilly, em âmbito mundial. Não a toa que, mais de uma década após seu fim, o nome Os Catalépticos é lembrado constantemente por quem vive música. O grupo, formado por Vlad Urban (vocal e guitarra), Mutant Cox (bateria) – esses dois formaram o Sick Sick Sinners na época do fim do Os Catalépticos – e Gustavo (contrabaixo) voltou aos palcos no final do ano passado, para um show lotado no Jokers, e está prestes a tocar no lendário festival Psycho Carnival. E mais está por vir, como nós contou Gustavo.

O Os Catalépticos ano passado fez um concorridíssimo show em Curitiba, e agora fará outra apresentação na cidade, no Psycho Carnival. Vocês voltaram a ativa em definitivo ou são shows especiais apenas?
Não dá para dizer que não voltamos a ativa, mas são shows especiais. A pretensão inicial era fazermos apenas esses shows. Mas a acolhida foi imensa e extremamente prazerosa para nós. Não há razão para ignorarmos isso. Chegamos a um consenso entre nós. Cada um está 11 anos mais velho, e repleto de outras prioridades. Não poderíamos fazer da banda mais um compromisso incômodo. Acordamos em tocar no máximo três vezes ao ano, em ocasiões especiais – grandes festivais – de preferência em pontos diferentes do mundo. O Psycho Carnival é uma dessas ocasiões especiais. Estamos acertando outros dois shows no decorrer desse ano, um na Europa e outro nos Estados Unidos.

Como vocês começaram a conversa para se reunirem para estes shows?
O lançamento do Little Bits of Insanity nos reuniu na mesma mesa. Não nos falávamos há anos, principalmente eu (Gustavo), com os demais, já que me afastei da cena. Naquele momento nem pensávamos em retornar. Quando acabamos a banda tínhamos convicção de que nosso trabalho estava (bem) realizado. As fotos do encontro chegaram à nossa segunda casa – a Califórnia – e de lá veio o convite. Não havia nenhum empecilho para aceita-lo. Continuávamos a ser amigos, e o máximo que poderia acontecer era trabalhar em ensaios para voltar à velha forma. Isso se tornou uma grande diversão, tal como era no começo. Convite aceito, decidimos que não seria racional nos juntarmos e irmos ao exterior sem tocarmos antes na nossa casa.

Houve alguma influência da demanda do público nesta decisão? Afinal, o grupo manteve um status elevado no meio musical mesmo após anos do encerramento das atividades.
Isso nos surpreendeu. A mim ainda mais, porque eu estava longe de tudo isso. No dia da assinatura dos LPs o Vlad e o Coxa [Mutant Cox] me disseram que ainda tinha gente que falava de nós. Achei legal, mas não tive a noção do que de fato isso significava. Lotar o Jokers em três semanas, vendendo ingressos dois meses antes do evento me deixou animado e assustado. Se somar a isso o que ocorreu em Los Angeles, onde lotamos uma casa grande como o Observatory, para mais de 1800 pessoas e com ingressos esgotados, isso te faz, no mínimo, pensar que tem alguma coisa boa por trás disso. Para mim o underground sempre teve memória fraca. Mas foi uma surpresa muito boa. Certamente a demanda do público foi muito relevante.

Quais são, efetivamente, os planos da banda após a apresentação no festival?
Os planos diretos são bem objetivos. Nos agradaria poder manter a banda como estamos pensando. Tocar pouco mas em shows significativos. Isso leva a uma pequena obrigação, ensaiarmos de tempos em tempos e não perdermos a forma. Particularmente eu sinto muita vontade de trabalhar em um novo lançamento. Mas para mim é fácil, já que sou exclusivo d’Os Catalépticos. A dificuldade maior de levamos isso à cabo, eu acho, está mais nos demais compromissos do Vlad e do Coxa. Principalmente do Coxa, que deve ter umas 15 bandas, todas muito ativas.

Os Catalépticos nas antigas

Chegaram já a pensar em trabalhar em novas composições, para um eventual futuro disco de estúdio?
Como eu disse na pergunta anterior, eu quero. Mas tem muita coisa no meio disso. Já me manifestei nesse sentido com o pessoal e vi, ao mesmo tempo, vontade e um pouco de preguiça… coisa de gente velha.

O convite para tocar no Psycho Carnival veio antes ou depois do show no Jokers ano passado?

Depois. Houve uma negociação muito tensa com o organizador do evento, um tal de ‘Vlademir’ [N. do R.: Vlad organiza o fest e também toca na banda]. Finalmente chegamos a um consenso.

Em plataformas digitais de música, como o Deezer, há dois álbuns da banda: Little Bits Of Insanity e o Zombification. Vocês tem interesse em colocar mais materiais da banda lá? Como o ao vivo na Grande Garagem que Grava, o One More Tattoo ou sons de EPs?
Não sei exatamente como isso funciona… sei que em diversas plataformas digitais encontro discos nossos e ninguém nunca nos pediu para colocá-los lá. A gente não vê muito problema nisso… tenho uma percepção de que essa divulgação é boa para quem quer ouvir e para nós é uma grande divulgação. Não veria óbice algum em ter toda nossa discografia nas plataformas. Acho que o mercado reagiu bem a essa situação – pelo menos no underground. Isso fulminou o CD, mas continuamos lançando LPs, que são bem procurados por colecionadores e são muito mais legais.

Poderiam comentar sobre a importância do Psycho Carnival para a música local e nacional?
O Psycho Carnival merece muito respeito. Usou um modelo novo, diferente do que se via no Brasil quando ele foi concebido. Fazíamos festivais, mas quase sempre restritos a uma noite. Quando começamos a tocar na Europa vimos a grandeza daquilo tudo. De como isso era superior a uma banda ou uma cena. O Vlad se ligou nisso e trouxe o modelo para o Brasil. Criou-se um momento de lazer recheado de boas coisas para fazer. Isso anima tanto quem é da cidade, que vê uma agenda cheia de diversão, como quem é de fora, que vê na ocasião uma boa chance de viajar, descontrair, ver em um mesmo local amigos de todo o Brasil e alguns do exterior. O Psycho Carnival, apesar de ter um pé muito bem fincado no Psychobilly, ficou maior do que isso, porque conseguiu juntar no mesmo local e período toda aquela parcela do underground que fez dele seu modo de vida, independente do seu estilo ou idade. É um legítimo festival underground, feito com muito profissionalismo e dedicação. Por isso tem dado muito certo.

Deixem uma mensagem ao público, convidando-os para o evento.
Para quem ainda não se decidiu não perca mais seu tempo. Junte a família e venha pra cá, tomar muita cerveja, ouvir muito Rock, rever e fazer novos amigos. O line up está caprichado e nele tem bandas que vai ser difícil ver de novo!

Confira aqui todas as informações sobre o Psycho Carnival 2018.

foto de capa: Pri Oliveira/CWB Live
foto matéria: promocional/reprodução

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