[Entrevista] Sandy e Felipe Andreoli falam sobre o novo disco do Angra, Ømni

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por Clovis Roman

O Angra é uma banda com uma força inenarrável. Rumando rapidamente ao mais alto escalão do Metal mundial nos anos 90, o grupo viu, no final do último milênio, sua formação se dissolver. Passaram por cima de tudo e lançaram alguns grandes álbuns nos anos seguintes, com três novos integrantes. Após mais turbulências, em 2013 eles convocaram o cantor italiano Fabio Lione e seguiram em frente. Com ele lançaram Secret Garden e agora Ømni, que consolida a atual fase da banda como um de seus melhores momentos de uma carreira de 25 anos.

Conversamos com Felipe Andreoli e com uma das convidadas especiais do novo álbum, Sandy. O baixista é o segundo integrante mais antigo do Angra atualmente, estando na formação há 17 anos. Ele nos fala, sem rodeios, sobre Ømni e os planos futuros da banda. Com Sandy, conversamos sobre sua participação na música “Black Widow’s Web”.

Eu sempre admirei o trabalho do Angra, sei do valor deles na cena do Rock brasileira e mundial. (Sandy)

A participação da Sandy em “Black Widow’s Web” é um dos grandes momentos do disco, por seu ineditismo e até mesmo pela coragem da banda em contar com alguém de um universo musical tão distante. Felipe explica: “Nós já tínhamos a música e já tinha pensado na participação da Alissa. Mas, na introdução e no fim da faixa, queríamos uma voz mais suave, que seria o outro lado da personagem – a Viúva Negra. O Rafa teve a ideia de chamar a Sandy, já que ela é uma pessoa com uma certa proximidade de nós, por causa do marido dela, o Lucas Lima, da Família Lima. Inclusive, ela já foi a shows do Angra e já expressou sua admiração pela banda. Quando o Rafa fez o convite, ela topou na hora, ficou muito surpresa e feliz. Acho que ela nunca esperou receber um convite desses“.

A própria Sandy nos falou, com exclusividade, sobre o convite e sua relação com a música pesada: “Eu sempre admirei o trabalho do Angra, sei do valor deles na cena do Rock brasileira e mundial. Meu marido já tinha tocado com eles, a Família Lima já tinha participado do show e eu já tinha visto um show deles. Achei o máximo! No geral eu tenho pouco contato com o Heavy Metal, mas eu respeito todos os estilos musicais, mesmo aqueles com os quais eu não me identifico tanto. E não é segredo para ninguém que meu filho é metaleiro (risos).  Então existe uma simpatia ainda maior da minha parte neste caso“.

O convite foi muito bem vindo, como ela explica ao contar sobre como foram as gravações: “Eu fiquei muito feliz com o convite, muito surpresa também (risos). Eu gravei no meu estúdio em casa, no momentinho que eu consegui escapar da minha rotina familiar e trabalho. Me mandaram a música pronta e como eu admiro muito o Angra, confiei muito. Pensei: ‘Não preciso nem saber que música é e qual o arranjo para aceitar o convite’. Falei sim na hora, nem tinha ouvido a música. Óbvio que quando eu ouvi gostei muito, muito mesmo. Para mim, foi mais especial ainda poder participar porque eu me identifiquei com a temática, a figura da viúva negra sendo colocada como uma analogia desta questão das redes sociais, que sugam as pessoas para a teia/rede. Me identifiquei e gostei muito disso, o que me deixou ainda mais feliz de poder participar”, explica a cantora.

Felipe Andreoli em Curitiba, 2015 (foto: Clovis Roman)

O baixista também ficou satisfeito com a música concluída: “Achei o resultado fantástico, achei muito legal que ela topou. A Sandy é uma grande artista, uma grande cantora, que abrilhantou muito a música, fazendo exatamente aquilo que a música pedia. Quando eu ouvi a primeira vez a voz dela na música, fiquei muito emocionado, porque a vemos cantando na TV desde criança, e vê-la num disco nosso, hoje, com a grandeza que ela tem como artista, é muito legal“.

Sandy ainda nos explicou que, apesar de ter gravado com uma banda de Metal, não visualiza a curto prazo algum tipo de mudança em sua interpretação ou direcionamento musical: “O Angra me chamou para fazer essa participação exatamente porque acharam que minha voz, para a proposta da música, para o que queriam transmitir, seria adequada. Queriam uma voz suave, delicada, feminina. Eu procuro fazer a interpretação que a música pede. Na minha visão, o meu estilo pede a interpretação que eu faço, mas, se em algum momento eu for cantar alguma música que eu sinta que precise de um vocal um pouco mais agressivo, vou tentar fazer isso. Mas a minha música combina com uma voz mais suave mesmo e, neste momento, não tenho planos de fazer nada que fuja do que eu venho fazendo nos meus discos“.

Para encerrar o assunto, foi trazida a tona a possibilidade de contar com Sandy e/ou Alissa cantando em algum show da banda durante a próxima turnê:  “Todos nós gostaríamos muito de ter as duas cantando com a gente. Sei que é uma coisa difícil de acontecer, pelas agendas e pelos compromissos que as duas têm – a Alissa roda o mundo inteiro com o Arch Enemy e a Sandy também tem uma carreira super ocupada – mas vamos batalhar ao máximo para que isso aconteça”, diz Felipe.

O Angra e as nuances do álbum Ømni
O som do Angra apresenta uma evolução constante, uma mudança e busca de novos limites que torna seu material sempre instigante ao ouvinte. E um elemento que parece estar ficando cada vez mais evidente é o Prog. Entretanto, Felipe enxerga as coisas de outra maneira: “Eu discordo. O Temple of Shadows já é um disco que flerta bastante com o Prog. Se você ouvir músicas como “Never Understand”, lá do Angels Cry, já tem muito dessa veia Prog. Não é de nenhuma fonte específica de influência“, analisa. E ainda vai mais fundo: “Da mesma forma que o Jazz Fusion é a fusão do Jazz com outros estilos, o Prog [Metal], ao meu ver, é a mistura do Heavy Metal com elementos de outros estilos. Podem ser estilos dentro do Metal, de bandas mais modernas, pesadas ou técnicas, e pode ser uma fusão com a música latina ou flamenca, e claro, da música brasileira também.

Quando falo para ele de alguns versos de “Magic Mirror”, que parecem ter grande influencia de Yes, Felipe diz que: “Estes versos que você citou a gente poderia ter feito no Temple of Shadows, no Aurora [Consurgens], poderia ter feito em qualquer outro disco, pelo menos de 2003 pra frente. O lance do coral é muito mais Yes do que Periphery [N. do R: banda americana de Prog/Djent]. O Yes é uma influência que o Angra já teve. No refrão de “Judgement Day”, do Rebirth, há uma influência bem clara de Yes na minha opinião. E em outros momentos de discos passados também”.

Sobre as bandas que entram no rótulo Prog, nessa leva mais pesada, Felipe comenta sobre o Textures: “De uma forma ou outra eles são Prog Metal, mas estão no subgênero Djent, que é o Metal bem pesado, moderno, quebrado, muito técnico. Eu não acho que o Textures se encaixaria na mesma qualificação que Dream Theater ou Symphony X, por exemplo, que pra mim são Prog Metal. Achei uma pena que a banda encerrou as atividades ano passado. Acho uma banda fantástica. Eu e o Bruno especialmente ouvimos bastante“.

Felipe Andreoli em Curitiba, 2015 (foto: Clovis Roman)

A recepção positiva do novo álbum é atribuída ao entrosamento dos músicos, mesmo que alguns deles sejam relativamente novos na formação. A integração do vocalista Fabio Lione (que entrou em 2013)  e do baterista Bruno Valverde (em 2014) é maior, e o mais novo membro, o guitarrista Marcelo Barbosa, teve vantagens em seu período de adaptação: “O Marcelo, que é o cara novo, já tem uma relação com a gente de muitos anos. Ele não teve a mesma barreira, o mesmo tempo de adaptação que um cara completamente estranho teria. Ele é meu padrinho de casamento, tocamos juntos muitos anos [no Almah] e conhece o pessoal e o Angra há muitos anos, foi muito mais fácil. Rolou uma química muito rápida e forte, liderada pelo Rafa e por mim, que somos os membros mais antigos e principais compositores“, explica o baixista, que frisa que “o ‘input’ de todos foi muito importante, foi um um processo bastante colaborativo, as portas abertas para a contribuição de todos. O resultado desse álbum é a soma dos cinco integrantes“.

Quando cito que algumas passagens de “Caveman” remetem a trabalhos como Fireworks e Hunters and Prey, Felipe argumenta: “Eu não sei se concordo sobre os riffs remeterem ao Fireworks ou ao Hunters and Prey. Eles remetem ao Angra. O Angra sempre teve esse lance brasileiro, então não sei se isto se encaixaria em um disco específico“. Sobre o resgate de elementos da história musical da banda, de ser algo consciente ou não, ele vai mais fundo: “É de certa forma uma decisão consciente, de sempre trazer as bases do estilo do Angra, os pilares da música brasileira são uma dessas. [Mas é] ao mesmo tempo inconsciente, porque este estilo já está muito enraizado, especialmente em mim e no Rafa, que já estamos na banda há muitos anos. Quando a gente vai compor – e quem compôs este riff fui eu – já sai assim, com este lance brasileiro, tribal. A música brasileira pra gente vem de diversas maneiras. Não é nenhum esforço pra gente trazer essas ideias. Elas vem naturalmente”.

Marcelo Barbosa e Felipe Andreoli em Curitiba, 2016 (foto: Clovis Roman)

Logo que foi lançado oficialmente, em 16 de fevereiro, o disco teve grande alcance dentro do público do Metal e também fora dele. Até mesmo programas de fofoca abordaram o trabalho (claro, de uma maneira rasa e irrelevante), principalmente por causa da participação da cantora Sandy em uma das músicas. No Spotify foram tantas audições que a faixa em questão chegou ao primeiro lugar na parada “Viral 50”. Outras músicas do Angra ficaram entre as 50 mais nesta mesma lista. “Eu acho incrível que o Heavy Metal possa, mais uma vez, mostrar que pode estar no topo das paradas em qualquer momento. O que precisa para isto é que as pessoas acreditem que ele possa estar lá. No momento que bandas e músicos desistem, se conformam que só o Sertanejo, só o Funk vai ter lugar nas paradas, a chance do Rock em geral estar nas paradas vai diminuindo“, analisa.

Felipe também aproveitou para explicar os fatores que levaram a esta conquista: “Uma das premissas principais do Rock é que as pessoas contem uma para as outras. O Rock, via de regra, não é uma coisa de mídia de massa, então depende desse boca a boca. E tem em grande parte nisto a curiosidade das pessoas ouvirem a Sandy, principalmente no Brasil, e também a Alissa. Mas chegou a sete músicas no Top 50, isto me diz que as pessoas estão ouvindo o disco, o que é super legal. Fazia muito tempo que o Angra mesmo não tinha um disco com essa receptividade. O álbum surpreendeu as pessoas, pela qualidade das composições e pela dedicação que colocamos nele“, conclui.

Mudando de assunto mas permanecendo no terreno das vozes, o aumento substancial de composições co-assinadas por Lione chama a atenção. Ele esteve presente de maneira mais efetiva na criação deste disco: “A gente tá criando ideias, e o Fabio no canto dele. De repente, ele levanta e fala “Nossa, calma, para tudo, para tudo”, e aí canta uma melodia incrível, em cima daquela parte que a gente tava fazendo. Ele é um excelente compositor de melodias, trouxe várias das melhores para o disco“, diz Felipe.

Ele também explica que a banda se organizou justamente para que o cantor pudesse participar mais efetivamente: “A gente organizou as agendas para que ele pudesse estar mais presente no processo de composição. No Secret Garden foi mais difícil, a gente ainda tava se adaptando com o este fato dele morar fora do país. [Há também] o fato de que ele com certeza está mais bem entrosado e situado na banda hoje em dia. Tanto no âmbito pessoal quanto estilístico. Hoje ele entende muito mais o estilo do Angra do que quando ele entrou na banda, em 2013“.

O disco anterior, Secret Garden, marcou a estréia de Bruno e Lione com a banda, e serviu para alicerçar o caminho que agora a banda trilha. Quando eu entrevistei o Rafael Bittencourt naquela época, ele me disse que Secret Garden marcava o renascimento da banda. E agora Ømni consolida este momento bastante vivo da atual formação: “O Secret Garden foi um disco de transição, o Fabio ainda estava tocando bastante com o Rhapsody, e a gente não tinha certeza que ele ficaria na banda. A gente também tinha o Bruno, dois integrantes novos, e estávamos reconstruindo toda a estrutura do Angra. É um excelente disco, mas ele mostra, em determinados aspectos, que é um disco de transição. Já o Ømni, não. Ele é a consolidação dessa formação: uma banda que sabe qual direcionamento quer, muito bem entrosada em todos os aspectos. Então, com certeza, se o Secret Garden foi uma fase de renascimento – porque viemos de uma fase muito ruim que antecedeu esse disco – agora, chegamos a uma fase muito melhor. Ficamos muito mais inspirados e estruturados para fazer o Ømni, e está aí o resultado“.

Estando em estado de graça, a banda não pensa mais em olhar para trás, como fez recentemente com turnês que celebraram os discos Angels Cry e Holy Land. O fato de Fireworks completar 20 anos agora em 2018 não deve ser motivo de comemoração: “A gente não vai, nessa turnê do Ømni, dar nenhuma ênfase às músicas do Fireworks. A gente já comemorou o passado bastante, o momento agora é de olhar para frente. Pode ser que, mais para o fim da turnê, conforme a gente já tiver rodado o que temos que rodar fazendo o Ømni, possamos voltar e dar uma atenção especial para o Fireworks“. Perguntado sobre a possibilidade de fazer alguns shows específicos tocando este álbum na íntegra, Felipe foi direto ao ponto: “No momento isso está fora de questão. A gente não tem a ideia de fazer isso não“.

E se o momento da banda é focado em divulgar o trabalho atual, nada melhor que conjecturar qual será o setlist – o qual a banda ainda não definiu. Sugeri a Felipe que músicas como “Light Of Transcendence” e “Travelers of Time”- que foram as primeiras divulgadas – além de “Insania”, “Magic Mirror” e “Ømni – Silence Inside”deveriam entrar no repertório. O músico foi ainda além: “A gente ainda está decidindo quais músicas vão entrar no repertório. Estamos coletando informações sobre quais são as músicas que a galera curte mais, e isso varia muito de lugar para lugar. Queremos fazer um repertório que contemple o disco novo e os clássicos. Mas a recepção tem sido tão boa que a ideia de fazer o disco inteiro não está muito longe de se tornar realidade. Talvez não na primeira parte da turnê, mas para a segunda parte é uma possibilidade“.

O guitarrista Kiko Loureiro, presente desde os primórdios do Angra, saiu em 2015 para entrar no Megadeth. Mesmo assim, ele se envolveu, mesmo que de maneira tímida, no conteúdo musical de Ømni: “Ele não participou do processo [de composição], a gente compôs o disco inteiro sem o Kiko. Ele tava numa fase super complicada, recém pai de gêmeos, tocando muito com o Megadeth“, explica o baixista, que ainda conta como rolou a contribuição de Kiko na faixa “War Horns”: “A gente compôs as partes principais, em Campos do Jordão, mas estava sem uma parte instrumental. Foi aí que a gente entrou em contato, a gente queria ter uma participação do Kiko no disco. Pedimos para ele mandar ideias e ele mandou dois trechos de solo, que a gente acabou encaixando. O restante foi a gente que fez, ele não participou de nada se não dos solos“. No clipe da canção, Kiko não aparece em nenhum momento. E falando em clipe, pode anotar aí: o próximo será de “Insania”.

A música “Z.I.T.O.”, original do álbum Holy Land, saiu como faixa bônus da versão japonesa do novo álbum, em uma regravação com Lione nos vocais, obviamente. E esta releitura não foi apenas para suprir a demanda do mercado japonês: “Chegamos a cogitar a entrada dela no disco porque, de certa forma, ela se conecta com o conceito do álbum. No Ømni a gente conecta conceitos do Holy Land, do Rebirth, do Temple of Shadows… Então, a “Z.I.T.O.” está inserida no conceito, mas achamos que não tanto a ponto de entrar no disco. No mercado japonês já existe a demanda por uma bônus. Muita gente fica revoltada, fala: “mas tem bônus para o Japão e para o Brasil não”, mas não entendem que isso é uma demanda no mercado japonês para bandas do mundo inteiro. O CD japonês sempre tem um diferencial – além da “Z.I.T.O.”, o Ømni vem com um DVD bônus com vários clipes da banda, incluindo o de War Horns“.

Futuro
O Angra lançou dois EPs durante sua história, ambos contendo algumas composições inéditas (ou semi-inéditas), covers e registros ao vivo. Se por um lado não há muito material sobrando das sessões es estúdio, um novo EP está sim nos planos da banda; ou ao menos, do Felipe: “Não temos muito material sobrando, mas a ideia de lançar um EP não é ruim. Eu sou a favor, inclusive já manifestei para o pessoal esta vontade. É sempre uma chance de você fazer umas versões alternativas, resgatar versões de outras músicas – como fizemos no Hunters and Prey – ou de fazer alguns covers. Então, não é uma ideia fora de cogitação“.

Outro lançamento que está perto de ver a luz do dia é um novo vídeo ao vivo. Eles tem 2 DVDs lançados, e ambos mostram a banda ainda se adaptando aos seus cantores, que haviam acabado de entrar no grupo naquelas ocasiões. Agora, com a banda afiada, chegou o momento de registrar outro material ao vivo em vídeo: “Sim, está nós planos de fazer um novo DVD dessa turnê, também é uma ideia que já dei para o pessoal. Dessa vez, a gente vai poder esperar um momento em que já estejamos mais à vontade com as músicas ao vivo. É um material super difícil de tocar, então tem que estar num momento bacana. E certamente vai ser uma apresentação em que todos vão estar mais integrados. Desta vez teremos o Bruno e o Marcelo, o que já é uma grande diferença do outro DVD”.

Angra 2018 (foto: Henrique Grandi/Divulgação)

Projetos Paralelos
Em 2016 Felipe gravou Carpe Ludus, com o One Arm Away, um disco de Metal com nuances mais próximas do Thrash. O grupo chegou a se apresentar no Abril Pro Rock, inclusive. Agora para 2018, com uma iminente grande turnê mundial com o Angra,  o grupo vai ficar em hiato. “O One Arm Away vai ficar meio parado este ano. O Antônio está com vontade de compor músicas para o próximo disco e eu vou participar quando possível deste processo. Mas já temos várias músicas que ele anda escrevendo e também outras que escrevemos juntos alguns anos atrás, para um outro projeto, mas que se encaixam perfeitamente para o One Arm Away. Então, vamos ver se conseguimos reunir as composições para gravar um disco novo no ano que vem“.

Outro grupo que Felipe participou e que tem material relativamente recente, é o Rec/All, que lançou seu debut há pouco menos de um ano. “O Rec/All é um lance diferente porque ele é praticamente um projeto solo do Rodrigo Rossi, a gente não se envolve na parte da composição. Nós simplesmente gravamos o disco, eu gravei todos os baixos, o Marcelo [Barbosa, do Angra] gravou alguns solos… Então, assim, vão pintar alguns shows esporádicos que o Rodrigo marca, mas na hora de um novo trabalho, vai depender do Rodrigo, que vai com certeza escrever as músicas desse novo disco“.

Para finalizar a conversa imensa, perguntei para Felipe Andreoli qual banda ou artista ele achava que gravaria uma cover bacana de alguma das músicas do Angra: “Hmm, pergunta interessante! Não sei que banda poderia ser, tem muitas bandas. Acredito que precisava ser uma banda mais nova, com certeza uma mais nova que o Angra, para fazer sentido esse tributo. Seria legal ver alguma banda de algum estilo mais diferente fazendo um cover do Angra, com uma roupagem diferente. Uma banda como o próprio Textures – mas o Textures acabou, infelizmente. Mas alguma banda nesse estilo poderia fazer um cover bem interessante do Angra, na minha opinião. É isso aí, Clóvis, muito obrigado pelas perguntas e pelo espaço, espero que gostem, tamo junto”.

Colaboraram na produção da pauta da entrevista com Felipe Andreoli: Arianne Cordeiro e Elenice Sbalcheiro.
Revisão de Kenia Cordeiro

Resenha do álbum Ømni
O Angra sempre teve o poder de se reinventar e permanecer na ativa – e sendo relevante. Em 2013 eles convocaram o cantor italiano Fabio Lione e seguiram em frente após momentos de turbulência. A parceria, que a princípio parecia ser temporária, se mostrou a mais acertada possível, e o resultado da junção dos talentos de todos os envolvidos na atual formação do Angra resultou em Ømni, um álbum coeso, que passa um sentimento de unidade, onde o grupo utiliza elementos que vem permeando sua música desde o começo ao mesmo tempo que busca se renovar.

A performance de Lione é um dos pontos altos de um trabalho praticamente irretocável. Se em Secret Garden sua atuação soava como a de um convidado de luxo, em Ømni ele se posta como o porta voz do Angra. Porém, não só ele brilha cantando aqui. Além de Rafael Bittencourt, que arrasa em interpretações viscerais, como na balada “The Bottom of My Soul”, duas mulheres emprestam seus talentos ao álbum (assim como rolou no disco anterior, que contava com Simone Simons, do Epica, e Doro Pesch): a versátil Alissa White-Gluz, do Arch Enemy, que urra como louca em “Black Widow’s Web” e Sandy, que pouco tem relação com o Metal, mas que roubou a cena com sua voz angelical na intro e no outro da mesma música. A parceria deu ibope e rendeu uma ótima composição.

O entrosamento dos músicos é notável. E este clima de tranquilidade pode ser comprovado desde o primeiro dia da banda confinada no interior de São Paulo, na casa dos pais de Rafael Bittencourt, para compor. Nas primeiras 24 horas, uma música já estava pronta. Esta facilidade deles em criar torna, para o fã, a audição de Ømni um deleite. Colocá-lo para tocar duas ou três vezes seguidas é algo quase automático. Tem de tudo: uma faixa pomposa e rápida para abrir o disco com tudo (“Light of Transcendence”); sons mais percussivos e cadenciados, como “Travellers of Time” e “Caveman”; baladas tocantes como a já citada “The Bottom of My Soul” e também a belíssima “Always More”; e por aí vai. Tem materiais com refrões grandiosos como “Insania” e “Magic Mirror” (com sua pegada que sugere uma viagem ao Rock Progressivo dos anos 70) e coisas mais pesadas, com riffs quebrados. Tudo com um bom gosto absurdo, algo que sempre os acompanhou.

Também é digna de nota “Ømni – Silence Inside” e suas melodias vocais grudentas, e o encerramento pomposo com “Ømni – Infinite Nothing”, que reúne passagens de todas as músicas em uma canção que parece trilha sonora de filme (perca horas identificando cada trecho, eu recomendo), da mesma maneira que “Gate XIII”, do clássico Temple of Shadows, de 2004. O ex-guitarrista Kiko Loureiro participa em “War Horns”, fazendo solos absurdos. A participação do atual Megadeth mostra que o ambiente na família Angra é agradável nos últimos tempos. A boa música agradece.

Galeria de fotos

Arte da capa: Montagem de Arianne Cordeiro, com fotos promocionais

9 comentários em “[Entrevista] Sandy e Felipe Andreoli falam sobre o novo disco do Angra, Ømni”

  1. Excelente resenha, entrevista e matéria. Angra é um tesouro nacional que deveria ser mais apreciado pelo público em geral. Eles têm de tudo e mais um pouco. Pena que o brasileiro, pelo menos a grande maioria, não enxerga no metal uma fonte inesgotável de ideias, boas composições, de alta qualidade. Tenho orgulho de ver uma banda de metal brasileira no topo! Sucesso e estarei no show em SP esse ano para prestigiar mais uma vez essa banda fantástica e que nunca nos decepciona. \m/

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