[Cobertura] Queens of the Stone Age e Foo Fighters mostram estilos opostos e convergentes

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Foo Fighters + Queens of the Stone Age
Pedreira Paulo Leminski
Curitiba/PR
2 de março de 2018

por Kenia Cordeiro
revisão: Clovis Roman

Na Pedreira Paulo Leminski, um dos mais belos locais para shows do Brasil, em um dia típico de Curitiba, ou “chuvitiba”, para os íntimos, aconteceu mais um grande evento memorável na Capital Paranaense. A previsão de tempestade não se concretizou, e mesmo que tivesse, em quase nada teria atrapalhado o público que já estava preparado, munido de suas capas de chuva e muita vontade de ver duas das maiores bandas de Rock da atualidade: o Foo Fighters e o Queens of the Stone Age.

A abertura ficou por conta do Ego Kill Talent, que fez um setlist curto. A banda conta com o cantor Jonathan Correa, ex-Reação em Cadeia, e o baterista Jean Dolabella (ex-Sepultura), e apresentou um show despojado, com músicas de seu álbum de estreia, autointitulado. A curta apresentação teve boa aceitação da galera, levando o grupo a agradecer bastante no final de seu reportório.

O Queens of the Stone Age é uma das bandas mais inventivas do atual cenário do Rock. Com um novo álbum em mãos, o grupo deu uma certa ênfase a Villains (2017), mas não deixou de fora grandes clássicos e algumas de suas melhores canções nesses mais de 20 anos de estrada. Apenas o debut, que leva o nome da banda, ficou de fora; isto que volta e meia “Regular John” aparece nos shows (rolou em Porto Alegre, dois dias mais tarde). A apresentação começou pontualmente às 19h30, com os caras mandando de cara a incrível “My God is the Sun” do disco …Like Clockwork (2013), que mescla a visceralidade lírica e instrumental, com as partes mais cadenciadas da melodia cantada. Aliás, essa descrição poderia servir para retratar quase toda a apresentação do grupo. O show é sem firulas, seco, irrepreensível. A iluminação simples, porém bem feita, combina perfeitamente com o tom soturno de algumas músicas, mas com partes mais explosivas também. Durante os 80 minutos de apresentação, o público pode apreciar um misto de intensidade e energia, do quinteto liderado por Josh Homme.

Queens of the Stone Age (foto: Tamie Ono Lor)

Josh, aliás, é a personificação do imaginário popular de um Rockstar Bad Boy. E ele não sai desse personagem quando está no palco. Desde os trejeitos, expressões faciais e até algumas falas, como quando dá uma tragada em seu cigarro, ao estilo de filme dos anos 80, em seguida joga o cigarro no chão e afirma: “eu fumo pra caralho mesmo”. Também tentou ser simpático, dizendo que toda noite deveria ser sábado, como que dizendo que o negócio é se divertir sempre. Mandou também algumas mensagens positivas. O fato dele ter chutado uma fotógrafa há alguns meses fez soar um tanto forçada essa simpatia, mas o lance é: o cara é um frontman marcante, que carrega em si uma imagem que fica gravada na memória de quem experimenta um concerto do Queens of the Stone Age.

Queens of the Stone Age (foto: Marcos Mancini)

O show em Curitiba teve um repertório extenso, 17 músicas. Algumas delas surpresas, como “The Lost Art of Keeping a Secret”, “In My Head” e “Burn The Witch”, que na atual turnê aparecem de vez em quando. A performance sorumbática da fantástica “If I Had A Tail” foi um dos pontos altos de um show conciso, de uma banda que mantém uma regularidade impressionante em estúdio e ao vivo.

A grande atração
O show do Foo Fighters começou às 21h30, com a energia em alta, com a fantástica “Run”, do mais recente álbum Concrete & Gold. Uma trinca de sucessos imensos veio em seguida, com “All My Life”, “Learn to Fly” e “The Pretender”, mantendo a agitação em alta. A partir daí, entretanto, muitas canções tiveram a duração estendida por causa de interações com o público. Músicas com 4 minutos tiveram mais que o dobro de duração, para que Grohl dialogasse ou fizesse brincadeiras diversas. Por mais que alguns desses momentos tenham sido bem legais – como quando a luz do palco foi totalmente apagada e a Pedreira ficou iluminada apenas com as luzes dos celular da galera – em outros, serviu para diminuir a empolgação do show – uma paulada como “Monkey Wrench” não comporta uma parada no meio para enrolação. Ela tem que ser tocada do jeito que é: rápida e sem firula.

Foo Fighters (foto: Tamie Ono Lor)

No meio do set ainda tivemos algumas covers, em um momento bem descontraído, que culminou com “Under Pressure” (Queen & David Bowie) cantada pelo baterista Taylor Hawkins. Seu lugar foi ocupado por Dave Grohl, no único momento em que comandou as baquetas. E ali ele mostrou que é um frontman respeitável, com uma presença de palco excelente, seja tocando guitarra e cantando, seja lá no fundo, tocando bateria. Uma boa surpresa foi “Generator” (do álbum There Is Nothing Left to Lose, lançado há quase 20 anos), que não apareceu muito nesta turnê, e funcionou demais – até porque foi tocada direto, sem interrupções. Outro momento marcante aconteceu quando foram puxadas as notas iniciais de “Imagine” (John Lennon), mas Grohl entrou cantando “Jump”, hino eterno do Van Halen. A mistura causou espanto e risadas esporádicas (a medida que a galera foi sacando o que estava acontecendo). Simplesmente fantástico.

Mais pro final, após “Generator”, rolaram “Big Me” (em formato balada) e “Best of You”, que começou como a anterior, apenas com Grohl tocando e cantando. Depois que a banda entrou acompanhando, a canção cresceu bastante. No meio, rolou uma jam imensa e barulhenta, onde o líder da banda aproveitou para ir mais próximo do público, ao lado esquerdo do palco. Ao encerrarem definitivamente a música, haviam se passado praticamente 10 minutos. Ao voltarem para o encore, Dave Grohl disse que na próxima vez que vierem para Curitiba, tocarão 26 músicas. Desta vez foram menos, e eles fecharam as pouco mais de duas dezenas de canções apresentadas com a nova “Dirty Water”, a jurássica “This is a Call” e o encerramento definitivo com a grandiosa “Everlong”.

Foo Fighters (foto: Tamie Ono Lor)

O show do Queens of the Stone Age foi uma pedrada: música após música, sem muito papo: foram 17 em 80 minutos. O Foo Fighters, com contornos mais acessíveis, tocou 21 em 2h20 de show, sendo portanto, algo mais arrastado. Mas o fato é que, cada um a sua maneira, ambos fizeram shows inesquecíveis, de alto padrão. E o saldo final da apresentação foi bastante satisfatório: foi um dos shows de Rock and Roll mais lotados na história recente da Pedreira. Até na grade mais ao fundo, próxima ao lago que fica na parte de trás do espaço, estava cheio. Muita gente ficou em uma parte, próxima a entrada, onde sequer era possível ver o palco. Se este público continuar aparecendo em grandes concertos de Rock na cidade, a agenda de shows de Curitiba pode crescer durante 2018. Vamos torcer.

REPERTÓRIOS

Queens of the Stone Age
My God Is the Sun
Burn the Witch
In My Head
Feet Don’t Fail Me
The Way You Used to Do
Smooth Sailing
The Evil Has Landed
Sick, Sick, Sick
The Lost Art of Keeping a Secret
Make It Wit Chu
If I Had a Tail
Domesticated Animals
Little Sister
You Think I Ain’t Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire
No One Knows
Go With the Flow
A Song for the Dead

Foo Fighters
Run
All My Life
Learn to Fly
The Pretender
The Sky Is a Neighborhood
Rope
Sunday Rain
My Hero
These Days
Walk
Breakout
Billie Jean / / Blitzkrieg Bop / Love of My Life [apresentação dos músicos)
Imagine + Jump (John Lennon + Van Halen]
Under Pressure (Queen)
Monkey Wrench
Times Like These
Generator
Big Me
Best of You

Dirty Water
This Is a Call
Everlong

fotos gentilmente cedidas por Tamie Ono Lor, do Em Cartaz
*exceto foto de Marcos Mancini, cedida pela produção do show

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