[Cobertura] Thorhammerfest: São Leopoldo/RS foi palco do maior evento dedicado ao Viking Metal na América Latina

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Thorhammerfest
Embaixada do Rock
São Leopoldo/RS
29 de abril de 2018

por Dayane Montenegro

No dia 29 de abril a tradicional Embaixada do Rock em São Leopoldo foi ponto de encontro de headbangers adoradores da cultura nórdica para celebrarem o Thorhammerfest RS 2018, maior festival dedicado ao Pagan, Folk e Viking Metal da América Latina, que também aconteceu no dia seguinte na cidade de São Paulo. A edição em solo gaúcho contou ao todo com quatro atrações (internacionais e nacionais), todas carregando a temática medieval em sua música.

A Barda (foto: Day Montenegro)

Por volta das 18h, a abertura do evento aconteceu com a performance da vocalista Raíssa Leal, que trouxe sua personagem “A BARDA” para interpretar canções de filmes, jogos e séries, animando os fãs mais geeks da noite. Acompanhada pelos músicos Mateus Messias (flauta) e Arthur Salles (violão), começam a noite com um tema instrumental de Game Of Thrones, causando já de início arrepios no público que ainda chegava no local e procurava um bom lugar para poder assistir ao trio. O grupo então da boas vindas a todos, e apresentam na sequência a belíssima “The Islander”, do Nightwish, que foi cantada em coro pelos fãs que estavam perto da grade.

A Barda (foto: Day Montenegro)

Quero destacar já de início a beleza e suavidade presente na voz de Raíssa, que trouxe muito encanto para aquela noite que logo se tornaria mais “pesada”. A apresentação do trio contou ainda com a canção tradicional “Scarborough Fair”, uma sequência de The Edge of Night/In Dreams, da trilogia O Senhor dos Anéis, e uma releitura fascinante “Stairway to Heaven”, tocada somente com violão e flauta. Logo após, a nostalgia tomou conta quando o trio apresentou “Times Scar”, tema do jogo Chrono Cross, dando aquela saudade de jogar em um bom e velho PS1. Falando em temas de jogos, um bom entendedor do assunto sabe que não poderia faltar temas de Skyrim e The Witcher, que possuem trilhas sonoras incríveis. Pois bem, o trio supreendeu o público com Priscilla’s Song (The Witcher 3), onde Raíssa com sua voz delicada nos transportava para dentro do jogo. Na sequência, as famosas “Dragonborn Comes” e Tales of the Tongues” (Skyrim), fecharam com chave de ouro a apresentação do trio pelotense, que foi muito bem aplaudido e ovacionado pelos headbangers.

Após um breve intervalo, os paulistas da ARMORED DAWN, um dos novos expoentes do metal brasileiro no exterior, e que vem conquistando cada vez mais o seu espaço, também marcaram forte presença no festival. Com caravanas de fãs que foram somente para vê-los, eles lotaram a Embaixada com a força de seu Viking Metal, mostrando que o Brasil também pode ser uma potência no gênero.

Armored Dawn (foto: Day Montenegro)

Pra quem ainda não conhece os caras, digo que já saíram em turnê pela Europa com o Fates Warning em 2017, e ainda foram escalados para acompanhar ninguém menos que Saxon e Diamond Head em shows na Alemanha e Holanda em fevereiro deste ano. Quer mais? Eles foram a única banda brasileira a tocar no Motörboat, o tradicional e super concorrido Cruzeiro do Motörhead, sem falar que abriram shows importantes aqui no Brasil, como Megadeth, Symphony X, Rhapsody, Tarja, Marillion, Offspring e Sabaton (ufa!). Bom, vamos ao show em São Leopoldo que foi matador, para ser singela.

Armored Dawn (foto: Day Montenegro)

Um pouco após as 20h, os músicos sobem no palco para tocar a primeira música da noite, “Bloodstone”(2017), segunda faixa do disco “Barbarians In Black”,  lançado no final do ano passado e que traz temas épicos e arrojados, com muita potência e agressividade. Com o poderoso vocal de Eduardo Parras, acompanhado de experientes músicos como o finlandês Timo Kaarkoski (guitarra), Tiago de Moura (guitarra), Fernando Giovannetti (baixo), Rafael Agostino (teclado) e Rodrigo Oliveira (bateria), o grupo mostrou que não veio para brincadeira. Agitando ainda mais a noite, descem a lenha com a rápida “Chance to Live Again” (2017), ótimo convite para começar o mosh-pit no meio da pista, esquentando ainda mais o clima na Embaixada. Parras saúda os gaúchos, agradece a presença do público e alcança sua cerveja para um fã da barricada para então conseguir cantar a incrível “Eyes Behind the Crow“ (2017).

Armored Dawn (foto: Day Montenegro)

Na sequência “Men of Odin” (2017), que é impossível não cantá-la com todas as suas forças, emociona os fãs, os quais já sabiam a maioria das letras desse álbum tão recente. Durante a belíssima balada “Sail Away” (2017), a banda prestou uma homenagem ao seu ex-produtor Kato Khandwala, falecido no dia 25 de abril deste ano. Kato além de ter trabalhado com a Armored Dawn, produziu álbuns de grandes bandas como Paramore, My Chemical Romance, The Pretty Reckless e Papa Roach. O grupo finalizou sua apresentação com as potentes “Barbarians in Black” e “Beware of the Dragon”, e não deixou nenhuma dúvida que estão mais do que prontos para alçar voos ainda maiores, já que possuem qualidade e maestria de sobra.

REPERTÓRIO – ARMORED DAWN
Bloodstone
Chance to Live Again
Eyes Behind the Crow
Men of Odin
Survivor
Sail Away
Gods of Metal
Barbarians in Black
Beware of the Dragon

Após uma pausa para organização do palco, era hora de tremer ainda mais a Embaixada com a presença brutal dos noruegueses da BLOT, que apresentaram a força de seu black/viking metal. O grupo subiu ao palco um pouco depois das 21h, com o corpo todo manchado de tinta vermelha, imitando sangue. Parecia até que estavam voltando de uma batalha e foram direto para o festival comemorar a vitória. Apesar da aparência de poucos amigos, os caras eram de uma simpatia incrível, paravam para tirar foto e conversar com os fãs, aproveitando também para beber muita cerveja, afinal estava muito quente naquela noite.

Blot (foto: Day Montenegro)

O grupo que possui influências de Dissection e Bathory, mandou um set pesado de 10 músicas, baseadas na maioria em seu álbum Ilddyrking, lançado em 2015, com letras sombrias, que falam de folclore, história e sociedade. Falando em “Ilddyrking”, a terceira faixa do disco que leva o mesmo nome do álbum foi a primeira música a ser tocada pelo grupo. Com um gutural fortíssimo, o vocalista Jan Åge Lindeland desceu a lenha e agitou os headbangers, que já estavam ansiosos para começar o mosh. Na sequência, “Chains Forever Unbound” com muita melodia e agressividade continuou a pancadaria na Embaixada. Destaque nessa música para o baterista Stig Reinhardtsen, que não poupou energia e quase arrebentou o instrumento com sua monstruosidade, e claro, habilidade de sobra nas baquetas. O público apesar de não conseguir cantar junto, balançava muito a cabeça e estendia seus copos de cerveja para a banda.

Blot (foto: Day Montenegro)

O vocalista que ganhou a admiração dos fãs ao mostrar sua tatuagem com o logo do Sepultura, agradeceu a todos pela presença, dizendo que era um dos melhores públicos que a banda já teve. Ele então pergunta se estavam preparados para mais black metal, recebendo em troca gritos dos fãs que estavam com sede de mais pancadaria. Anunciam então Sound of the Horde, com muita melodia do guitarrista Bengt Orstad, engatando na sequencia com outras faixas do disco Ilddyrking, como Fimbulwinter e a primeira composição da banda, God of War. A incrível “Blot”, que leva o nome da banda foi um dos pontos fortes desse show, com muito mosh na pista, surpreendendo o vocalista, que agradeceu dizendo como era bom tocar para um público tão energético como aquele. Após tocarem mais duas músicas, a banda se despede sob aplausos e gritos, agradecendo sempre pela receptividade. Se alguém ali não conhecia o Blot, certamente virou fã depois deste show.

REPERTÓRIO – BLOT
Ilddyrking
Chains Forever Unbound
Sound of the Horde
I Takt
Fimbulwinter
God of War
Death to All
Blot
Dead
Ruslende

Por volta das 22h15, chega a vez dos headliners e um dos pioneiros do viking/metal mundial subirem ao palco, para mostrarem o porquê continuam sendo uma das maiores referências do gênero. Os suecos da MÅNEGARM, que já possuem mais de 20 anos de estrada e 10 discos gravados, foram os primeiros a incorporar instrumentos tradicionais como violino e flauta, como também, vocais femininas em sua música. Eles já são conhecidos do público brasileiro, pois estiveram na edição de 2015 do Thorhammerfest em São Paulo, e agora pela primeira vez no sul aproveitaram para apresentar ao público gaúcho músicas de toda a carreira da banda.

Manegarm (foto: Day Montenegro)

Tocando a bela introdução de “Blodörn”, primeira faixa do disco “Månegarm” (2015), os músicos  arrancaram gritos dos fãs emocionados, que se não se intimidaram em cantar no idioma dos caras, ou pelo menos tentaram arranhar algumas palavras (como no meu caso, rs). A energia e presença de palco deles é absurdamente envolvente, sendo impossível ficar parado apenas observando. Por momentos tive que deixar meu equipamento de lado para “headbanguear”  junto com os fãs, que por sinal deram um show à parte. Em seguida foi só ouvir a intro do baixista (e vocalista) Erik Grawsiö para saber que a próxima seria “Tagen av Daga” (2015), acompanhado pelo violinista que acabou roubando a cena durante toda a música.

Manegarm (foto: Day Montenegro)

Erik apresenta então a banda, dizendo que vieram da “fucking and cold” Suécia, e aproveita a pausa para agradecer a presença do público. Continuam o show com “Fimbultrollet”, do álbum Dödsfärd (2003), e voltam novamente para o album “Månegarm” ao apresentarem a música “Kraft”, acompanhada em coro por todos os fãs. Em “Sons of War”, foi lindo ver o pessoal berrando o refrão que diz “we stand united, we are the sons of war!”, erguendo seus chifres com cerveja e hidromel. Era uma verdadeira confraternização entre amantes de boa música, bebida e cultura nórdica. O vocalista então chama o público para o mosh-pit, tocando na sequência as agitadas Nattsjäl Drömsjäl e Hordes of Hel, dizendo logo após que é muito bom poder voltar ao Brasil após 3 anos e ver um público assim tão animado.

Manegarm (foto: Day Montenegro)

Eles engatam na sequência com a tão esperada “Call of the Runes”, a qual foi uma das últimas do setlist, mas nem por isso deixou de agitar os fãs incansáveis, que continuavam a agitar. Logo após, para deixar o pessoal rouco de vez, seguiram com a incrível “Odin Owns Ye All”, que teve um excelente videoclipe lançado em 2015 (vale a pena conferir se você não conhece os caras). Encerram o evento com a belíssima Hemfärd, já deixando saudades em todos os fãs, e uma sensação de dever cumprido para quem veio de longe e fez de tudo para ver a apresentação dos caras.

REPERTÓRIO – MÅNEGARM
Blodörn
Tagen av Daga
Fimbultrollet
Kraft
Sons of War
Nattsjäl Drömsjäl
Hordes of Hel
Vedergällningens Tid
I Evig Tid
Call of the Runes
Odin Owns Ye All
Hemfärd

Por Odin, fazia tempo que eu não saía tão satisfeita e realizada de um festival! Esta edição do Thorhammerfest RS em São Leopoldo mostrou a força da cena folk na região, que tem crescido cada vez mais, lotando shows e sendo rota de eventos importantes do gênero. Os fãs foram incansáveis, e saíram super animados, carregando além das boas lembranças, produtos originais das bandas, como CD’s, acessórios, camisetas e até mesmo discos de vinil. Deixo aqui o agradecimento especial à Mitnel Produções e Heavy And Hell Press pelo credenciamento. Contamos ansiosos com uma próxima edição, que com certeza irá ser tão incrível como esta de 2018.

 

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