[Cobertura] Ozzy Osbourne se despede com repertório enxuto e mostra que ainda deve voltar

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Ozzy Osbourne
Pedreira Paulo Leminski
Curitiba/PR
16 de maio de 2018

por Clovis Roman

Tudo é relativo. E há pontos de vista diferentes para a mesma situação. Considerando isto, podemos começar a escrever sobre a – suposta – despedida de Ozzy Osbourne dos palcos. Se olharmos pelo prisma de sua importância para a história da música – afinal a voz do cara estava lá no primeiro disco de Heavy Metal do universo – o show foi soberbo. Afinal, ele mandou uma boa seleção de suas músicas solo e algumas coisas do Black Sabbath (foram três, todas do mesmo disco, Paranoid, de 1970).

Das músicas solo que tocou em 2015, na mesma Pedreira Paulo Leminski, todas foram repetidas agora em 2018. A grande diferença – e melhora – foi que duas do Black Sabbath foram limadas para dar espaço a mais trabalhos solo de Ozzy. Além disso, no geral tivemos uma música a mais; foram 14 contra 13. Isto permitiu ao público conferir a belíssima balada “Mama I’m Coming Home” (dedicada à Lemmy Kilmister, do Motorhead, falecido em 2015), a colossal “No More Tears” e a grande surpresa “Flying High Again”, segunda faixa do disco Diary of a Madman, icônico registro fonográfico de 1981.

Ozzy e banda em “último” show em Curitiba (foto: Jéssica Casselas)

Em meio aos solos, a galera ainda pode curtir pedaços instrumentais de 4 pérolas de Ozzy, comprimidas em formato medley: “Miracle Man”, “Crazy Babies”, “Desire” e “Perry Mason”. Esta última, ao menos, merecia ter sido executada na íntegra. Mesmo assim, este formato deu um pouco mais de dinamismo do que se tivéssemos apenas os solos firulentos de Zakk Wylde. O aclamado guitarrista retornou recentemente ao posto, no lugar de Gus G. (que havia justamente entrado para substituir Zakk).

O grego Gus G., como que respeitando o legado dos antigos guitarristas, imprimia seu estilo porém sem descaracterizar o material clássico. Por sua vez, Zakk se sente tão a vontade ao lado de Ozzy que “deu sua cara” a riffs e solos clássicos, fritando loucamente e inserindo harmônicos adoidado. O público mais casual achou tudo muito legal, já que a imagem de Zakk é impactante. O cara chegou a descer do palco e tocar cara a cara com os fãs da grade. Mas não tem como negar que faltou um pouco de fidelidade em sua execução.

Ozzy em ação em Curitiba (foto: Thayrã Kraismann)

Por outro lado, o multiuso Adam Wakeman brilhou no teclado, não deixando buracos e acrescentando camadas onde necessário, e também tocando guitarra (como fez em “Fairies Wear Boots”). Já Blasko se mostrou discreto no tocar, mas bastante despojado na presença de palco. As poses do baixista, calculadas, em frente a um ventilador, lhe deram um ar de Rockstar grandioso. Nas baquetas, Tommy Clufetos, um animal que não a toa fez as últimas turnês do Black Sabbath. O cara toca com força e de maneira enxuta, sem querer aparecer mais do que deveria.

O show durou 1h20, com os solos providencialmente colocados bem no meio do repertório, para um merecido descanso para Ozzy. Ele, que completará 70 anos ainda em 2018, está com a voz fraca, mas compensa este fator com sua presença e capacidade de interação com o público. Ele volta e meia pede à plateia que grite ou bata palmas, sempre sendo prontamente atendido. No final, em Paranoid, ele jogou seus famosos baldes de água na galera. Ninguém reclamou.

Zakk Wylde (foto: Jéssica Casselas)

O papo de aposentadoria só vai se confirmar com o tempo. Há chance sim dele voltar ao menos mais uma vez, pois ainda tem energia para tal. Basta ter uma agenda que lhe permita boas folgas entre os shows. Ao menos mais um disco de estúdio também deve rolar, ainda mais com a volta de Zakk Wylde às seis cordas.

De qualquer maneira, a galera resolveu não arriscar e compareceu em bom número na Pedreira. Não chegou a encher, mas foi um um público bastante satisfatório. E se voltar, que o faça com ainda mais canções de sua excelente carreira solo.

REPERTÓRIO
Bark at the Moon
Mr. Crowley
I Don’t Know
Fairies Wear Boots (Black Sabbath)
Suicide Solution
No More Tears
Road to Nowhere
War Pigs (Black Sabbath)
Miracle Man / Crazy Babies / Desire / Perry Mason
Flying High Again
Shot in the Dark
I Don’t Want to Change the World
Crazy Train

Mama, I’m Coming Home
Paranoid (Black Sabbath)

foto de capa: Divulgação/T4F
fotos matéria: Jéssica Casselas & Thayrã Kraismann

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