[Cobertura] Odin’s Krieger Fest: Edição de 2018 começa com evento sold-out em Porto Alegre

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Odin’s Krieger Fest
com as bandas Lugh, FaunMetsatöll
Preto Zé
Porto Alegre/RS
30 de maio de 2018

por Day Montenegro

A nova edição do já tradicional festival brasileiro dedicado à música viking e folk, Odin’s Krieger Fest, trouxe atrações exclusivas e inéditas ao país, com a presença de bandas consagradas no estilo, proporcionando aos fãs brasileiros uma grande imersão na cultura nórdica. A “Wolfenforest Edition” passou por Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e terá seu encerramento na cidade de São Paulo, no dia 03 de junho.

A primeira noite do evento, que aconteceu no dia 30 de maio em Porto Alegre, ainda sofria com alguns reflexos da greve dos caminhoneiros, mas nada impediu o deslocamento dos fãs e das bandas até o bar Preto Zé, localizado na Cidade Baixa, bairro mais boêmio da capital. Apesar das dificuldades em função de transporte, o público marcou forte presença no local, recepcionando as bandas com um incrível “Sold Out”, que resultou em casa cheia e muita diversão. Por algumas horas os fãs puderam se desligar dos problemas enfrentados pelo país, e mergulharam de cabeça na atmosfera do evento.

LUGH
Um pouco antes da primeira apresentação, o público aproveitava para comprar itens medievais, hidromel, e merchan oficial das bandas nos stands montados no segundo andar do bar. Logo após, por volta das 19h30min os gaúchos da Lugh, banda de Santa Maria formada em 2009, subiram no palco para apresentarem seu celtic punk agitado e de atitude, aquecendo o público que ainda chegava no local. A música deles é sempre muito animada, com letras que falam sobre a rotina enlouquecedora dos dias atuais, onde a espera por diversão nos finais de semana na companhia de amigos e muita cerveja gelada é tudo que se precisa.

Pra quem não conhece os caras, eles possuem influências da música celta, especificamente a irlandesa, e utilizam muito a gaita (acordeon) em suas músicas, misturada com a agitação do punk rock. Eles também se inspiram em bandas como Fiddler’s Green, Flogging Molly, Dropkick Murphys, Ramones e Bad Religion. O quinteto tocou músicas de seus dois discos, “Quando os Canecos Batem” (2014) e “Histórias do Mar” (2016), seguindo por quase 1 hora o objetivo principal da banda, que é se divertir fazendo música, e consequentemente, animar todos os ouvintes.

METSATÖLL
Após uma pausa para organização do palco, o público erguia seus “drinking horns” e gritava pela próxima atração, que até então nunca havia se apresentado no Brasil. Após quase 20 anos de estrada, finalmente chegou a vez da Metsatöll, banda estoniana de Folk/Thrash Metal fazer sua estreia no país, e apresentar o som mais agressivo da noite, com um folk metal na sua mais pura essência. Por volta das 20h40min, os músicos desceram do segundo andar do bar onde ficava também o camarim, e resolveram chegar até o palco caminhando entre os fãs, no meio da pista. Muitos obviamente estendiam seus braços para tocar nos caras, que já de início causaram uma grande agitação pelo bar.

A banda que teve início em 1999, atualmente é formada por Markus Teeäär (vocal/guitarra), Raivo Piirsalu (baixo), Tõnis Noevere (bateria) e o multi-instrumentista Lauri Õunapuu, que roubou a cena ao utilizar seus instrumentos tradicionais estonianos, como Kannel, Talharpa, Torupill (versão estoniana da gaita escocesa), Parmupill (berimbau de boca) e Vilepill (flauta). Eles já possuem 6 discos lançados, mas para o festival resolveram trazer um repertório com faixas dos álbuns mais recentes, como Karjajuht (2014) e Vana Jutuvestja Laulud (2016), não deixando de tocar a tão esperada “Vaid vaprust”, do álbum Äio (2010).

Abrindo a noite com a agitada “Külmking” (2014), a banda imediatamente apresentou sua identidade musical, mostrando a perfeita combinação do thrash metal pesado com a música folclórica, que enche de riqueza suas composições. Antes de tocarem as músicas, eles explicavam em inglês o significado de cada, e apresentavam também a cultura estoniana aos fãs. O músico Lauri Õunapuu, que de pés descalços carregava a responsabilidade de fazer o som folk da banda, aproveitava para apresentar e explicar o funcionamento de cada instrumento utilizado por ele, sempre rodeado pelos olhos atentos e curiosos dos fãs. Como o palco era pequeno e não tinha grade distanciando a banda do público, eles por diversas vezes chegavam bem perto dos fãs, que batiam palmas e sempre davam um ótimo retorno, inclusive sabiam cantar algumas músicas, que eram na língua nativa dos caras.

Ao vivo a qualidade técnica da Metsatöll é absurdamente incrível, com perfeita harmonia entre os músicos, tanto nos vocais quanto nos instrumentos. Outro destaque da noite foi a performance do baterista Tõnis Noevere, que chamou a atenção dos fãs ao tocar com muito peso e brutalidade, recebendo inúmeros elogios ao descer do palco. Markus sempre muito animado, agradeceu a presença de todos, dizendo que finalmente a banda teve a oportunidade de tocar em nosso país, e que espera voltar em breve

REPERTÓRIO – METSATÖLL
Külmking
Metslase Veri
Must hunt
Küü
Kivine maa
Vaid vaprust
Tõrrede kõhtudes
Saaremaa Vägimees
Kuni pole kodus, olen kaugel teel
Veelind
Minu kodu

FAUN
Por volta das 22:20, chegou a vez da também tão esperada Faun retornar ao palco do Odin’s Krieger Fest, trazendo muita festa e alegria aos fãs, com sua música fortemente ligada à natureza e repleta de temáticas pagãs. Para quem não conhece, a banda formada na Alemanha em 1998 é uma das mais importantes da cena folk européia, carregando em suas composições uma mistura de música moderna com utilização de instrumentos antigos e folclóricos, tais como harpa celta, nyckelharpa (instrumento tradicional sueco), hurdy-gurdy (viela de roda), gaita de fole, entre outros, combinados com a bela harmonia dos vocalistas.

A primeira integrante a subir no palco foi a vocalista e multi-instrumentista Fiona Rüggeberg, que resolveu testar sua gaita de fole antes de começar o show, para animação dos fãs. Em seguida, subiram também o líder, vocalista e harpeiro Oliver S. Tyr, acompanhado por Rüdiger Maul (baterista e percussionista), Niel Mitra (samplista), Stephan Groth (vocal de apoio e multi-instrumentista) e a mais nova integrante Laura Fella (vocal e multi-instrumentista), que também foi muito bem recebida pelo público.

Dando início à apresentação, a primeira música a ser tocada foi a instrumental “Andro” (2003), onde cada integrante pode mostrar suas habilidades. Vale ressaltar que todos tocam mais de um instrumento, inclusive os vocalistas, trazendo assim muita riqueza e diversidade sonora às apresentações ao vivo. Como o espaço era um pouco apertado para a banda inteira, o percussionista Rüdiger Maul resolveu tocar seu instrumento (timba) na lateral do palco, para ter um pouco mais de liberdade. Apesar dos pequenos transtornos, estavam todos em clima super agradável e descontraído, e pareciam se divertir muito com os fãs. A vocalista Fiona Rüggeberg sempre muito carismática e alegre, sorria e dançava o tempo inteiro, cativando a todos desde o início.

Após tocarem “Wind & Geige” (2009), seguiram com a belíssima “Alba” do álbum Eden (2011), que é o favorito de muitos fãs. Destaque para a incrível harmonia entre os vocais nesta música, que na minha opinião poderia ter mais alguns minutos de duração, de tão maravilhosa que é. Trazendo um pouco de animação à noite, tocaram “Walpurgisnacht” (2014), canção que fala sobre a noite de encontro de bruxas no início da primavera, história conhecida no folclore alemão. O líder Oliver aproveitou a animação de todos e convidou o público a participar durante o refrão desta música.

Na sequência o músico Stephan Groth rouba a cena com um solo de seu instrumento chamado “Hurdy-gurdy”, que possui uma manivela e cordas e produz um som magnífico, parecendo até um pouco psicodélico. Ele então assume os vocais para interpretar a canção “Blaue Stunde” (2014), sendo acompanhado por Fiona, Oliver e Laura durante o refrão. A canção “Odin” (2016) foi tocada em seguida, onde Oliver convida os fãs para uma viagem ao mundo dos vikings, cantando sobre a magia das runas nórdicas. A nova vocalista Laura Fella ganhou destaque ao interpretar na sequência a música “Feuer”, que fala sobre o fogo e o poder feminino, inspirada em partes na personagem de Daenerys Targaryen, da série Game Of Thrones. Vale a pena dar uma conferida no clipe desta música, que foi muito bem produzido, assim como todos os vídeos lançados pela Faun.

Chegando ao final da apresentação, Fiona puxa sua gaita de fole para tocar bem perto dos fãs a instrumental “Rhiannon” (2005), levando os outros músicos a também se aproximarem com seus instrumentos. Foi como uma festa de encerramento, onde todos dançavam e se divertiam com a alegria da músicas apresentadas pelos alemães. A banda então fechou a primeira noite do Odin’s Krieger Fest com a canção Diese Kalte Nacht (2013), agradecendo a todos pela presença e participação em peso no festival, já deixando muitas saudades entre os fãs gaúchos.

Os amantes da música folk hoje podem comemorar a vinda destes gigantes da música folk ao nosso país, já que há alguns anos atrás isso seria praticamente impossível de se imaginar. Hoje com o crescimento e a popularização da cena medieval, e interesse dos brasileiros em séries e cultura nórdica, as produtoras estão conseguindo viabilizar eventos como este, fortalecendo ainda mais o gênero por aqui.

REPERTÓRIO – FAUN
Andro
Wind & Geige
Alba
Walpurgisnacht
Nacht des Nordens
Blaue Stunde
Odin
Pearl
Feuer
Iduna
Rhiannon
Wenn wir uns wiedersehen
Diese kalte Nacht

Agradecemos mais uma vez à produção do Odin’s Krieger Fest, e à Erick tedesco,  pelo credenciamento e atenção durante todo o período do festival. Aguardamos ansiosos pela próxima edição!

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