[Cobertura] Infusión e seu ponto de congruência artística conquista Curitiba

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Infusión
espetáculo com Pablo Vares, Letícia Spiller e João Silveira
SESC da Esquina
Curitiba/PR
23 de junho de 2018

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Infusión une música, canto e expressões corporais pela dança. A lucidez estrutural se transforma em espontaneidade em cima do palco. Pablo, Letícia e João se mesclam como artistas, se complementam e toda esta fusão é Infusión. Curioso ver como cada um deles, em algum momento do espetáculo, atravessou sua zona de conforto em direção ao terreno alheio. Assim, Letícia foi à percussão, Pablo pareceu tentar dançar e João arranhou acordes no violão.

Infusión (foto: Clovis roman)

Uma parte fundamental do espetáculo foi a música. Seja com canções próprias de Pablo, das de seu repertório atual (que ele apresenta no show Encruzilhada), canções compostas especialmente para Infusión ou peças musicais que servem de fundo para as performances corporais de Letícia e Silveira. Além de tudo isto houve espaço para releituras de composições de outros artistas, como obras do gaúcho Vitor Ramil. Na sua interpretação, Pablo se alicerçou na música flamenca, mas explorando-a ao lado de outras vertentes, e até no Metal ele encontra influência. Nada mais justo, já que o artista esteve envolvido de perto com o som pesado no começo de sua formação musical.

Como um maestro, João Silveira desempenhou diversos papéis em cima do palco, e sua imponente presença se fazia notar mesmo quando estava ao fundo do palco tomando chimarrão, enquanto seus colegas desempenhavam suas funções. O chimarrão, inclusive, mostrou como o trio busca absorver as culturas dos locais onde passam. E para aprofundar ainda mais este intercâmbio cultural, convidaram João Triska, artista local. Este, ao subir no palco, apresentou “Chima”, canção que fala da erva tão comum por esses lados. A faixa está em seu disco de 2016, Iguassul. O curitibano ainda apresentou, sozinho, “Brilla Mi Corazón”, com clipe recém lançado, e “Mocinhas da cidade”, clássico de Nhô Belarmino & Nhá Gabriela, eternizado no acetato em 1959, ao lado de Letícia nos vocais.

Infusión (foto: Clovis roman)

Daquele mesmo ano, se seguiu, já com o trio restabelecido, a composição de Luiz Bonfá e Antônio Maria “Manhã de Carnaval”. Canção belíssima, já foi relida por uma tonelada de intérpretes, indo de instrumentistas do quilate de Baden Powell a espalhafatosa Cher (que na época ainda uma cantora Folk/Pop) nos idos dos anos 60.

Infusión reuniu um público seleto, que parecia ser formado, em mais da metade, por curiosos. Independente do grau de afinidade de cada espectador com o que foi reproduzido no palco, a empatia foi imediata e o envolvimento, pleno, assim como a satisfação. Que o espetáculo seja eternizado de alguma maneira, para que seja referência de expressão artística no Brasil. Fabuloso.

Relembre aqui a entrevista que fizemos com os três artistas, antes do show.

 

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