[Cobertura] Napalm Death e Cannibal Corpse provocam aniquilação sonora para casa cheia em Curitiba

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Napalm Death + Cannibal Corpse
Hermes Bar
Curitiba/PR
19 de setembro de 2018

por Clovis Roman

O Napalm Death tocou pela 4ª vez em Curitiba. O Cannibal Corpse também. Dois grandes nomes do som extremo se uniram e vieram pela primeira vez juntos ao Brasil para uma extensa turnê que passou pela capital paranaense.

Um deles, o Napalm Death, apesar de sua relação com o Death Metal (principalmente notável no clássico Harmony Corruption), é um grupo que ajudou a alicerçar o Grindcore, algo ainda mais ameaçador e violento.

Em seus discos lançados nesses mais de 30 anos de carreira, a banda deu umas viajadas e visitou terrenos incomuns, até mesmo o Rap. Muito groove apareceu nos anos 90, e justamente a saideira da apresentação dos britânicos, “Inside the Torn Apart”, é um exemplo disso. O som, incomum, funcionou bem em um repertório primordialmente focado em pauladas ultrasônicas e de protesto. O show em Curitiba foi extenso, teve uma ou outra música a mais que outros shows dessa turnê pela América Latina. Sorte nossa.

Se eles fecharam com um som cheio de ritmo, abriram com a epítome da tosqueira, oriunda dos primórdios: a horrenda “Multinational Corporations”, que acelerou os corações da galera mais chegada no som deles. Foi foda. Outra velharia, “Instinct of Survival” veio na sequência, quebrando tudo, assim como “Unchallenged Hate”. Material mais recente, da última década, como “When All Is Said and Done” e a desgraçada “Smash a Single Digit” se mostraram à altura dos clássicos.

Napalm Death (foto: Clovis Roman)

A banda, desde 2014, conta com John Cooke nas guitarras, no lugar de Mitch Harris, afastado por questões pessoais. John é brother dos caras, toca legal, mas não supre todas as lacunas deixadas com a saída temporária de Harris. Seus vocais de apoio são ruins, e não tem a mesma amplitude. E algumas palhetadas um tanto displicentes perdem notas importantes. Claro que não chega a ser vacilante, pois o show do Napalm Death continua sendo um massacre alucinante, jamais igualado. Mas definitivamente não é a mesma coisa. Ao menos o próximo disco de estúdio dos caras será gravado por Harris, o que é alentador.

Detalhes a parte, o Napalm Death não aliviou um segundo sequer. Nem mesmo na mais dançante “Breed to Breathe”. Eles ainda tocaram “You Suffer” e “Dead” na sequência, o que foi engraçado, afinal, as duas canções somadas não chegam a 5 segundos de duração. Ainda resgataram “Narcoleptic”, do fudido Order of the Leech e tocaram alguns lados-b recém compilados lançados na coletânea Coded Smears and More Uncommon Slurs – o disco em si reúne faixas raras do grupo lançadas nos últimos anos. É coisa de primeira qualidade.

O repertório poderia ter sido focado ainda mais nessa compilação, pois o Napalm Death toca por aqui direto e não precisa mais fazer sempre um repertório estilo “as 20 melhores”. De qualquer maneira, ver pérolas como “Standardization” e “Call That an Option?” ao vivo foi sensacional. “Everyday Pox”, clássico recente, também foi intenso. Mesmo com essas considerações, eu não poderia, em hipótese alguma, falar que foi um show ruim. Não foi.

REPERTÓRIO
Multinational Corporations
Instinct of Survival
When All Is Said and Done
Unchallenged Hate
Smash a Single Digit
The Wolf I Feed
Practice What You Preach
Standardization
Everyday Pox
Scum
Life?
Control
You Suffer
Dead
Narcoleptic
Victims of a Bomb Raid [Anti Cimex]
Suffer the Children
Breed to Breathe
Silence Is Deafening
Call That an Option?
How the Years Condemn
Nazi Punks Fuck Off [Dead Kennedys]
Cesspits
Inside the Torn Apart

Cannibal Corpse (foto: Clovis Roman)

Cannibal Corpse
O grupo de Death Metal americano Cannibal Corpse fechou a noite. Assim como o Napalm Death, essa é outra banda que eu já vi várias vezes ao vivo. E me pareceu que a divisão do repertório não foi tão bem balanceada, já que as sete músicas iniciais vieram de discos mais recentes, aqueles um pouco menos insanos que outrora. Com partes parecidas entre si, o show demorou para pegar no tranco. Claro que os fãs na pista estavam achando tudo muito legal, pois o grupo é simplesmente o maior nome do estilo no mundo. Com uma discografia sólida, os caras nunca abriram concessões, sempre foram fiéis ao seu som. Porém, nos últimos álbuns parecem ter entrado em uma zona de conforto, por mais contraditório que possa parecer.

Enfim, depois do primeiro bloco de “novidades”, começaram a aparecer aqueles sons doentios que construíram e consolidaram o nome da banda. Primeiro veio “The Wretched Spawn”, que soou ainda mais aniquiladora devido ao supracitado. A grotesca “Pounded Into Dust” veio a seguir e aí as coisas ficaram realmente violentas. A reação da galera aumentou em agressividade. Em meio a outros dois sons mais novos, “Gutted” foi outro momento intenso. E pro fim os caras apelaram para a covardia.

Afinal de contas, “Devoured by Vermin”, “A Skull Full of Maggots” e “Make Them Suffer” quase colocaram o Hermes Bar abaixo. A nojenta “I Cum Blood” foi anunciada de maneira característica pelo vocalista George Corpsegrinder Fisher, que explicou a temática lírica da canção. Entretanto, diferente de outrora, ele não a dedicou às moças no recinto. Evolução.

Ainda houve tempo para a dobradinha “Stripped, Raped and Strangled” e “Hammer Smashed Face”, clássicos inquestionáveis e sempre funcionais. O Cannibal Corpse nunca será desbancado do seu trono, pois construíram algo sólido durante sua carreira.

REPERTÓRIO
Code of the Slashers
Only One Will Die
Red Before Black
Scourge of Iron
Evisceration Plague
Scavenger Consuming Death
The Wretched Spawn
Pounded Into Dust
Kill or Become
Gutted
Corpus Delicti
Devoured by Vermin
A Skull Full of Maggots
I Cum Blood
Make Them Suffer
Stripped, Raped and Strangled
Hammer Smashed Face

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