[Entrevista] Bayside Kings e o questionamento anticonformista pela música

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Música e política se misturam sim! São complementares em muitos casos. É possível fazer música sem posicionamento, assim como é possível ser ativo na política sem ter canções no meio. Mas ambas sempre andaram juntas e não há como questionar. Questionar, no caso, apenas o marasmo cognitivo popular, que pode nos levar a tempos sombrios política e socialmente. A galera do Bayside Kings é desse time que confrontadores.

Eles se apresentam em Curitiba (serviço no fim da página) e conversamos com eles sobre temática lírica, postura e música. O vocalista Milton Aguiar foi o porta voz do BSK nesse papo.

Sobre o show na capital paranaense, acontece domingo, 21 de outubro, no Trip Bar, com abertura do F.U.B.A.R., Honra Hardcore e da revelação Dead Sky Dawning. Chegue cedo e confira a efervescente cena local em ação.

por Clovis Roman

O Novo lançamento – split Yin Yang, será lançado dia 19 de Outubro pela gravadora Hearts Bleed Blue em parceria com a AWAM Records. Como surgiu essa parceria e como vocês definem esse trabalho?
Milton Aguiar: O YIN-YANG nasceu em uma conversa entre eu e o Maneco (Mais Que Palavras), onde estávamos conversando sobre as bandas, as duas estavam em produção para lançamentos isolados e por que não fazer um registro juntos em amizade? Então pensamos em um tema que representasse nossas forças, o YING YANG tem uma representatividade de duas forças opostas que juntas trazem o equilíbrio, como na mitologia e filosofia oriental, o tigre e o dragão, o equilíbrio entre o céu e a terra. E sobre o lançamento e distribuição, já tínhamos uma conversa há um tempo de voltar para a Hearts Bleed Blue, então esse trampo será nossa “introdução” de volta. Então para quem foi ouvir o som, se preparar, pelo menos na parte do BSK, para sons rápidos, diretos e com dedo na ferida.

O endereço de vocês no site bandcamp tem o algarismo 013. É uma referência ao DDD de Santos ou algum trocadilho com referência política?
Milton: É a referência do DDD de Santos, o bandcamp tá até desatualizado, talvez vamos dar uma atualizada nele. No momento acreditamos que todo mundo tá no Spotify e no Deezer para ouvir suas bandas favoritas. O 013 representava um senso de localismo forte que a gente tinha no começo. Hoje eu não dou muito mais força para isto, porque acredito que “casa” é onde seu coração está e nem sempre é o lugar que você “dorme”. Então quando estamos em um show , onde tem bastante troca de energia, aquilo, aquele lugar faz eu me sentir em casa, por isto não levantamos mais a bandeira do localismo forçado.

Brincadeiras a parte, como vocês definem sua visão política, e como enxergam a situação atual no país, com candidatos de bravatas desumanas e outros antigos se travestindo de novidade. A gente tem salvação diante desse quadro de candidatos à presidência?
Milton: Nossa situação atual já deixou de ser política e é social, sobre humanidade. Hoje em dia, as pessoas se informam via WhatsApp, Facebook e esses lugares estão cheios de fake news e informação rasa, o que tá formando vários cientistas políticos que dormiram nas aulas de história e hoje dão show na timeline. Galera virou polarizada, tipo “nóis aqui e vocês ae”, e no final vamos todos tomar no cu. Eu sempre votei 00, porém nesta eleição o perigo e risco é maior, onde se eu me isentar, vou estar concordando por tabela com um verme fascistas, que tem seu cargo político há quase 30 anos e nunca teve voz ativa. O cara se cresceu na dor das pessoas e na cegueira de abraçar o radical sem pensar nas consequências, dão suporte para racista, misógino , xenofóbico, homofóbico e outros “fóbicos”, a lista é grande, então não posso me isentar, muito menos ficar em cima do muro. Galera não sabe nem se posicionar, imagina ter porte de arma, vai ser tipo o filme “PURGE” [N. do R.: Que saiu no Brasil como Uma Noite de Crime] ou qualquer filme do Clint Eastwood; bang bang mesmo. Sem contar que para ter algo regulamentado , você vai ter que gastar uma grana, ou seja, tudo que possivelmente virá pela frente, vai favorecer somente o burguês e a base vai se foder mais do que hoje.

Você que tem o pensamento pró radicalismo, sem empatia com minoria, para e pensa: “será que estas paradas estão certas? Será que dar suporte para um líder que fere os preceitos básicos da humanidade, não me faz igual a ele?”. É simples, pratiquem a empatia (saber se colocar no lugar do próximo) e vocês cegos, terão prosperidade no questionamento.

QUESTIONE – MUDE – LUTE – RESISTA

Vocês tocaram em um evento chamado Hardcore Contra o Fascimo. O quão importante é artistas e bandas se unirem nessa causa? Como vocês influenciam o seu público nessas questões?
Milton: Hardcore/Punk é questionamento interno e externo, é ação local com pensamento global, é muito mais do que música e sim, é político. Desde sempre é assim, não é pra escutar a melodia, e não é pra falar que não tem nada haver, caso alguém discorde, isto vira somente música. Faço um convite para uma busca na raiz e entender o movimento desde o começo e o por quê das coisas. O Hardcore/Punk no ‘brasa’ viveu um vazio na última década, de informar, questionar e pontuar. E eu não to me isentando não, também faço parte dessa culpa. Vivemos no hype da aparência vir antes da informação, onde julgamos o livro pela capa. O coletivo do Hardcore Contra o Fascismo nasceu com uma idéia local, de conversa de Facebook, onde várias pessoas, sem protagonismo, pensaram: “vamos sentar e observar, ou fazer alguma coisa?”. Resolvemos fazer algo. A idéia é levar para rua, livre para todxs, e com questionamento. E vai continuar também mesmo após as eleições, porque é preciso pontuar e fazer algo. O foda é que isto estendeu para outros estados do Brasil, onde cada local está colocando a cara a tapa e mostrando existência, ou seja, estamos conversando. E acredito que seja uma chama de mudança com idealização do que realmente o Hardcore/Punk é e como ele pode ser benéfico para nós que vivemos fora da linha do senso comum.

Muita gente vem pedindo para vocês lançarem músicas em português, alguma previsão para quando vão começar com isso? Qual a finalidade? Aproximar público e a mensagem da banda?
Milton: 2019, inclusive o yin-yang será nosso último registro em inglês. Percebemos que a mensagem tem que ser mais clara, a idéia é essa: passar a mesma energia e que o conteúdo não tenha ruídos. Tem muita gente que realmente não tem conhecimento no inglês, e se eu quero mudar as coisas até onde meus braços alcançam, a mensagem tem que ser linear, sem ruído e de fácil compreensão. O atual momento social influenciou muito nossa posição.

Vocês já estiveram em Curitiba em outras oportunidades, lembram de algum causo especial que tenha rolado por aqui?
Milton: Lembro da primeira vez que fomos para Curitiba. Fomos em uma van e no caminho entendemos o porque da rodovia da morte: nunca vimos tanto carro capotado, e com muita chuva. Lembro que estava com o cu na mão, o motorista não era dos melhores, mas a recepção da galera foi muito foda. Daí pra frente fizemos bons amigos, que fazem parte do meu círculo de amizades. A gastronomia vegetariana/vegana também é demais, e a cidade é linda. Por mim eu iria no mínimo a cada dois meses para CWB, sem contar que historicamente dentro do hardcore, CWB sempre teve bandas fodas.

Num mundo hipotético, quais três bandas vocês gostariam de colocar para tocar em um festival junto com vocês?
Milton: Imagina em CWB, BSK + COLLIGERE + YOURFALL + AOK + SUGAR KANE! Só imaginem que foda!!!

Deixem um recado/convite ao pessoal de Curitiba:
Milton: Alô amigos de CWB, é uma honra poder voltar depois de 2016 (alguém lembra? H2O e BSK). Temos bons amigos aí e bandas que gostamos muito. A recepção sempre foi boa e sem contar os lugares bonitos (turistando). Então aqui fica nosso convite para você, que é fã de Hardcore: dia 21/10 teremos questionamento interno e externo, com muito som de atitude. Obrigado todos os envolvidos e geral que já pegou o ingresso antecipado e vai colar. VENHAM AMIGXS!!!

SERVIÇO
Bayside Kings em Curitiba
Abertura: Dead Sky Dawning, FUBAR, Honra Hardcore
Data: 21 de outubro de 2018
Local: Trip Bar
Endereço: Rua Mateus Leme, 754 – Centro Cívico
Ingressos: R$ 15 (antecipado) / R$ 20 (na hora)
Venda: pixelticket.com.br/eventos/2523/bayside-kings-em-curitiba
Realização: SouthWind Records / Nichorres Produções

Evento no Facebook: www.facebook.com/events/306386243273407

foto: Tinho Souza/Divulgação

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