[Cobertura] Alice in Chains e Judas Priest fazem shows marcantes na segunda edição do Solid Rock

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2º Solid Rock
Judas Priest + Alice in Chains + Black Star Riders
Pedreira Paulo Leminski
Curitiba/PR
08 de novembro de 2018

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Em sua segunda edição, o Solid Rock mais uma vez reuniu grupos de estilos variados, e trazendo um nome pouco conhecido ao país. Se no ano passado a incógnita – ao menos para a grande maioria do público – era o obscuro grupo de Hard Rock Tesla, desse ano foi a vez do Black Star Riders. Entre os nomes mais famosos, dois grupos grandiosos, cada um em seu estilo – e que por mais diferentes que possam parecer a princípio, combinaram perfeitamente: Alice in Chains e Judas Priest. Ambas com novos discos simplesmente espetaculares, tocaram algum material novo e se aprofundaram nos seus grandes clássicos. Shows memoráveis.

Black Star Riders (foto: Clovis Roman)

Black Star Riders
A data do festival em Curitiba foi 08 de novembro, uma quinta-feira de clima agradável. Ainda com a luz do dia, o Black Star Riders subiu ao palco da Pedreira Paulo Leminski como um desconhecido de luxo. Afinal, apenas de ser um grupo relativamente novo, surgiu das cinzas do Thin Lizzy, lendário grupo de Rock dos anos 70. É deles, por exemplo, uma das versões definitivas de “Whiskey in the Jar”, décadas antes do Metallica. O Black Star Riders nasceu das cinzas do lendário grupo. Quando decidiram gravar The Killer Instinct (2013), os músicos da última encarnação daquela banda resolveram adotar um novo nome, para uma nova empreitada em tempo integral. Desse disco vieram 2 faixas, assim como outro par de Heavy Fire, o mais recente play dos caras, de 2017.

O mais lembrado no repertório, entretanto, foi All Hell Breaks Loose, segundo registro de estúdio do grupo, de 2015, que teve 5 canções no setlist. Dois clássicos do Thin Lizzy deram as caras, para aproximar o público à eles. Afinal, arrisco dizer que 99% dos presentes não fazia ideia do que se tratava a banda. Primeiro logo no começo, a empolgante “Jailbreak”, e mais para o fim, a apoteótica “The Boys are Back in Town”. Nessas destaque para o guitarrista Scott Gorham, que esteve lá quando essas canções foram originalmente registradas. A despeito da bem vinda nostalgia, o show foi um tanto burocrático. Bom, mas nada além disso. De qualquer maneira, abriram bem o evento.

REPERTÓRIO
Bloodshot
All Hell Breaks Loose
Jailbreak [Thin Lizzy]
Finest Hour
Heavy Fire
The Killer Instinct
Before the War
When the Night Comes In
The Boys Are Back in Town [Thin Lizzy]
Kingdom of the Lost
Bound for Glory

Alice in Chains (foto: Clovis Roman)

Alice in Chains
A fase atual do Alice in Chains, que conta com o vocalista e guitarrista William DuVall, tem a mesma quantidade de álbuns da fase anos 90, com o lendário Layne Staley. Nesse esquema de bandas grandes viverem rastejando com sua história nas costas, é comum ver grupos que não souberam envelhecer, que buscam apenas uma grana. Certamente essa não é a questão aqui. Pois desde de Black Gives Way to Blue (2009), passando pelo refinamento de The Devil Put Dinosaurs Here e desaguando no praticamente perfeito Rainier Fog, o Alice in Chains se encontra ainda criativo, relevante, importante. O último play, lançado em meados deste ano, convenceu até mesmo os mais céticos. O arrebatador single “The One You Know” foi um dos destaques do show, e nada deixou a dever ao lado de grandes sucessos do passado.

A prova de que o atual momento é tão prolífico quanto outrora foi a faixa de abertura, “Check my Brain”, que com seu refrão pegajoso e riff de abertura icônico, já tratou de chamar as atenções de todos ao palco, tanto dos fãs de carteirinha quanto dos desavisados. A colossal “Them Bones” e a apocalíptica “Hollow”, mantiveram o clima gélido em cima do palco. A grande surpresa veio então com “Down in a Hole”, clássico que não vinha sendo tocado nos shows mais recentes. A galera cantou junto. Chega a ser difícil destacar momentos marcantes, afinal, o show inteiro foi homogêneo. Mas “We Die Young”, “Stone” (peso descomunal), “Angry Chair”, o ultramegahit “Man in the Box” e “Would?” foram de chorar, literalmente. O final veio com “Rooster”, que decretou quiçá o único ponto baixo do show: foi muito curto, mesmo tendo durado cerca de 80 minutos. Caberiam mais umas três ou quatro músicas tranquilamente, como “Nutshell”, por exemplo.

REPERTÓRIO
Check My Brain
Again
Never Fade
Them Bones
Dam That River
Hollow
Down in a Hole
No Excuses
We Die Young
Stone
Angry Chair
Man in the Box
The One You Know
Would?
Rooster

Judas Priest (foto: Clovis Roman)

Judas Priest
O Judas Priest está em turnê atualmente para divulgar Firepower, um álbum que mostra uma banda fiel ao estilo que o consagrou. Não há espaços para invencionices nesse disco. É o que os fãs querem. Infelizmente, por questões de saúde, Glenn Tipton, na banda desde o primeiro disco, no longínquo ano de 1974, se afastou, e foi substituído na turnê por Andy Sneap, que co-produziu o referido álbum. Andy, um tanto acanhado é verdade, foi magistral em suas partes, cuidando na maior parte do tempo da parte rítmica.

Os solos ficaram a mais com Richie Faulkner, que entrou no grupo há pouco menos de uma década e revigorou as estruturas da lendária banda. O cara tem presença de palco estupenda, é irretocável como instrumentista e fez com que a banda soasse mais afiada em Redeemer of Souls e Firepower do que no confuso Nostradamus (o último disco com K.K. Downing). Na seção de cordas, completa a equipe o discretíssimo Ian Hill, baixista da banda desde sempre. O cara fica no canto, escondido no fundo do palco, mas mostra uma segurança e solidez única. A percussão, há quase 30 anos, é de Scott Travis, baterista forte e preciso. Mas mesmo com esse time de primeira, as atenções são todas voltadas, na maior parte do tempo, ao vocalista Rob Halford.

Halford faz jus ao título de Deus do Metal. Sua presença marcante é alicerçada com um vocal que, por mais que esteja mais contido que outrora, ainda é bastante característico. Hoje em dia ele usa tons mais graves e até arrisca uns guturais aqui e acolá. O que não quer dizer que ele não faça aqueles agudos afiadíssimos que o consagraram. Em “Sinner”, obra perfeita vinda do álbum Sin After Sin (1977), a performance de Halford chocou, tamanha perfeição de seus gritos na parte psicodélica no meio da canção. Ali o ingresso já estava garantido. Mas ainda fomos agraciados com outras pérolas, como “Running Wild”, “The Ripper” (outra com agudos desconcertantes), a bela balada “Night Comes Down” e sua antônima, pouco depois: a ultraveloz “Freewheel Burning”.

Um punhado de clássicos também se fizeram presentes, como “Turbo Lover”, a cover do Fleetwood Mac “The Green Manalishi (With the Two Prong Crown)”, “Hell Bent for Leather”, com um performático Halford em cima de uma moto e “Painkiller”, destruidora como sempre com solos em profusão e vocais afiados. O encerramento se deu com o megahit “Breaking the Law” e com a festiva “Living After Midnight”. Mesmo com o duro golpe de não contar com Glenn Tipton nessa turnê, o Judas Priest ainda se mostrou um gigante do Heavy Metal. Aliás, o grupo é a epítome do estilo e Halford é a personificação do Metal. Bastava conferir os inúmeros patches (apliques de recortes retangulares de tecido) em seu casaco jeans, repletos de logotipos de bandas do estilo, das mais variadas ramificações. O Metal continua forte, e não há planos de se entregar.

REPERTÓRIO
Firepower
Running Wild
Grinder
Sinner
The Ripper
Lightning Strike
Desert Plains
No Surrender
Turbo Lover
The Green Manalishi (With the Two Prong Crown) [Fleetwood Mac]
Night Comes Down
Rising From Ruins
Freewheel Burning
You’ve Got Another Thing Comin’
Hell Bent for Leather
Painkiller
The Hellion / Electric Eye
Breaking the Law
Living After Midnight

 

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