[Entrevista] The Gard entre os melhores lançamentos nacionais de 2018

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Chegou em nossa redação, por meio dos parceiros da Som do Darma, o trabalho de estreia do grupo The Gard, oriundo de Campinas, São Paulo. Na batalha desde 2010, os caras apresentam em Madhouse em Rock and Roll setentista, com o melhor do estilo daquela década. É uma viagem no tempo bem bacana. O som forte e autêntico é convincente.

Como referência, vale citar que os caras também tocam por Campinas e região um show tributo ao Led Zeppelin. Aí você consegue captar um pouco da inspiração dos caras. Com eles batemos um papo sobre o atual momento da The Gard. Eles tiveram recém adições na banda, que agora tem em sua formação Beck Norder no vocal, Allan Oliveira e Gabriel Miranda nas guitarras, Enrico Ghirello no baixo e Lucas Mandelo na bateria.

Abaixo, você confere uma entrevista com Beck Norder, além da resenha de Madhouse. No final, em primeira mão, o novo single dos caras: “Plastic Man”!

por Clovis Roman

A releitura de Immigrant Song é fantástica, pois ao mesmo tempo que manteve elementos e camadas fidedignas ao som do Led Zeppelin, é um produto bastante diferente no geral. Por justamente esta canção foi escolhida e por que retrabalhá-la desta maneira?
Beck Norder: Somos grandes fãs de Led Zeppelin, e já tocamos quase todas suas músicas. Montamos um projeto tributo ao Led, e claro além de conseguir shows, fãs, um retorno financeiro digno, aprendemos muito com as músicas. Não só do Led, mas com as músicas de outras bandas e outros estilos musicais. Isso foi ajudando-nos na The Gard a encontrarmos nossa linguagem musical e composicional. Tentamos reproduzir, em nossas músicas, muitos elementos que gostamos do Led: batida forte, riffs marcantes, linhas de baixo bem trabalhada, influências do blues, do folk, influências esotéricas e místicas musicais e extramusicais. Eis que desses elementos, que também nos identificamos, achamos uma música pesada, e que poderia muito bem ganhar uma versão com outro elemento em comum: o violão folk ao estilo fingerstyle, com um pouco de um sotaque oriental, árabe, como o próprio Led Zeppelin já fez com Kashmir.

Aliás, normalmente as bandas colocam covers (ou releituras, como é o caso) no final do disco. Abrir com uma canção tão famosa de outro artista não é algo ousado demais? Como vocês acham que o ouvinte vai encarar isto?
Beck: Hoje o mercado musical funciona de maneira completamente diferente, estamos vivendo essa mudança agora, e aprendendo com ela. O acesso é mais fácil, e por isso há uma abundância de material. Acreditamos que abrindo o álbum com um arranjo de uma música famosa alcançaríamos mais ouvintes que teria grande afinidade com a nossa música.

Ainda sobre ela: Por que não gravar “Good times bad times”? Vocês também tocam essa nos shows, não?
Beck: “Good Times Bad Times” é uma música super divertida de fazer em shows. Mas compor um arranjo novo, ressignificando a música, tem de haver um propósito. “Immigrant Song” é uma música com letra super poética, remetendo à cultura e mitologia nórdica, com a qual a The Gard também tem relação. Ou seja, cabe a ela muita releitura e ressignificação. Já a “Good Times Bad Times” é uma balada, com uma letra bem cotidiana sobre uma relação amorosa. O que faríamos de inovador com ela? Eu não sei [risos]

“Play of Gods” é um Hard Rock cadenciado bem envolvente, com vocais com um tanto de eco e um timbre marcante. Os riffs de guitarra são bons e a cozinha é absolutamente precisa. Tendo isto em vista, gostaria que me falassem sobre a letra que a completa. Aliás, no geral, que temas abordam em suas letras? São temas interpretativos ou as suas mensagens tem a intenção de serem bem claras.
Beck: Exploramos muito lendas, mitos, e qualquer coisa que tenha poesia, que flerte com a imaginação, com nossos outros “eus”. A “Play of Gods” é uma letra bem poética, pautada no fim dos tempos nórdicos, o Ragnarok, com um toque de atualidade, onde os homens ostentam poderes divinos e a guerra, e o fim do mundo como consequência disso [risos]. É difícil explicar poesia. Algumas letras são mais diretas e carregam mensagens mais claras sobre pensamentos e sentimentos da nossa atualidade, como em “Madhouse” e “Panem et circenses”.

André Diniz, do 260 studios produziu o disco junto com a banda. O que ele trouxe para a música de vocês? Houve influências neste sentido ou vocês chegaram ao estúdio já com tudo devidamente formatado?
Beck
: Na verdade nós gravamos tudo, depois de longos laboratórios musicais para definirmos cada nota e ritmo. Ao André do 260 Studios coube a mixagem e a masterização do som. Nós tínhamos tentado mixar e masterizar o som por conta própria, depois tentamos com um outro produtor, ambos sem êxito. Esse foi um dos fatores para termos demorado tanto para lançarmos um álbum com músicas que foram gravadas entre 2011 e 2012. O André foi um achado, ele trouxe a força que o nosso som precisava e aquele “verniz” moderno.

O som de vocês parece unir uma gama variada de influências. Em cada canção conseguimos notar uma ou outra nuance musical, tudo feito com muito bom gosto. Quais estilos mais o influenciam? E no sentido inverso, que tipo de expressão musical não os desperta o mínimo interesse?
Beck: Muito obrigado, ficamos muito felizes com esse reconhecimento. O rock dos anos 70 carrega muitas influências e acaba por gerar subgêneros muito interessantes (blues rock, acid rock, prog rock, hard rock, folk rock, funk rock). Quando nos aprofundamos um pouco nessas vertentes, e investigamos o que esses caras escutavam, chegamos a bandas incríveis, com sonoridades que ainda há muito por explorar. Além dos já citados, destaco a música clássica, em que algumas bandas fizeram as primeiras convergências: Queen, Rainbow, Ritchie Blackmore, Uli Jon Roth e Yngwie Malmsteen. Alguns estilos não nos atraem muito, como bandas de metal extremamente pesadas, em que não se distingue o que está sendo tocado, ou que todas as músicas parecem variações de um mesmo tema, que o vocal é só grito, e a bateria se resume a pedal duplo do começo ao fim de uma música. Isso é excesso de habilidade mal convergida para criatividade. O punk rock quando é muito simples também cansa, mas tem suas exceções como The Clash e Ramones.

Vocês têm já 8 anos de estrada mas agora que chegaram ao álbum de estreia. Como foi todo este caminho? Era para ter levado todo este tempo mesmo?
Beck: Pode ter certeza que essa é uma questão nossa também. Não sei se dou risada ou choro agora [risos]. Acabou demorando muito mais que gostaríamos, uns cinco anos talvez. Nós queríamos fazer da melhor maneira possível, sem prejudicar um trabalho autoral de qualidade. Queríamos a melhor situação de lançamento, para que não fosse simplesmente só mais uma banda sem ouvintes. Um dos planos foi fazer shows tributo, o que nos deu certa visibilidade e retorno financeiro, porém nos tirou muito tempo de trabalho nas músicas autorais. A pós-produção do “Madhouse” também passou por dois processos longos antes de chegar nas mãos do André Diniz.

Aliás, vocês estão com novas composições já visando um novo disco de estúdio?
Beck: Sim, estamos! Estamos ansiosos para mostrar um pouco do que vai ser esse novo álbum.

Vocês fizeram uma releitura do Led Zeppelin. Agora, olhando no sentido inverso: Que banda ou artista você acha que faria uma versão interessante de alguma das músicas do The Gard?
Beck: Temple of the Dog? Metallica? Queen? Yes?

Mais Informações:
www.thegardband.com
www.facebook.com/thegardband
www.youtube.com/thegardband
www.soundcloud.com/thegardband
www.instagram.com/thegard_band

Resenha
O disco Madhouse, do The Gard, levou um tempo entre ser concebido, gravado e registrado. A demora, entretanto, valeu a pena, pois o grupo une em seu som, calcado nos anos 70, diversas nuances e influências musicais, o que dá vida ao material final. Uma de suas grandes referências é o Led Zeppelin, banda cuja releitura de “Immigrant Song” abre o play. Ousado. Entretanto, não espere aqui uma mera cover, tentando manter a maior proximidade possível da original. Essa é uma versão única, com andamento um pouco mais lento e uma riqueza impressionante nos arranjos; além disso, a performance de Beck Norder (também baixista e guitarrista no álbum) como vocalista é ótima.

Guitarras pesadas aparecem com força em “Play of Gods”, outra com ótimo vocal e bons arranjos. O solo do convidado Dennis Arthur (origem desconhecida) dá um toque especial com sua velocidade. A ilustração que acompanha a letra da música no encarte é bem bacana – legal que não tem páginas e páginas com agradecimentos, apenas as letras e os créditos dos músicos ao fim; nenhum espaço no papel é gasto com frivolidades. Como um todo, a arte gráfica é bonita, sem exageros e legível. É um trabalho esmerado em todos os seus pontos, afinal, a gravação é muito boa e a mixagem dá espaço para todos os instrumentos. Com ares mais modernos, com flertes ao Heavy metal, a faixa título é um dos destaques com seu refrão simples e ótimos riffs. Uma quebrada no andamento lá pela metade da canção, anterior ao solo de guitarra, mantém o dinamismo.

O épico do álbum, “The Gard Song”, tem mais de 10 minutos, e impressiona por prender a atenção do ouvinte; boas melodias e cozinha – cortesia do baterista Lucas Mandelo e do já citado Norder – precisa. Allan Oliveira traz bons solos mais para o fim, sem exageros. Bem construída, “Music Box” cresce sem pressa, com arranjos bem sacados nos vocais e efeitos de cordas bacanas. É a canção mais acessível, e por mais que seja difícil apontar uma música como melhor, já que todo o álbum é ótimo, é provavelmente a mais impressionante composição do disco. É a prova dos caras como compositores. Aprovados. “Back to Rock”, como o título preconiza, traz o Rock and Roll do volta à cena, com todos os seus devidos elementos: cozinha firme, riffs pesados e solos unidos a um vocal estridente e alto.

A excelente “Kaiser of the Sea” mantém a qualidade em alta, e antecipa “Panem et Circenses”, título que remete ao clássico eternizado pelo Os Mutantes, e cujas quais as letras encontram paralelos. Aqui, a música canta sobre manipulação e a busca incessante do material, relegando o posterior, o etéreo, a segundo plano. O trio já está pensando em um segundo disco, como você leu na entrevista acima. enquanto esse não chega, compre Madhouse e tenha um trabalho musical coeso e de bom gosto em sua prateleira. Vá sem medo.

MÚSICAS
Immigrant Song
Play of Gods
Madhouse
The Gard Song
Music Box
Back To Rock
Kaiser of the Sea
Panem Et Circensis

A música abaixo, “Plastic Man“, é o novo single do The Gard, e está disponível em todas as plataformas de música digital.

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