[Entrevista] Confira entrevista com o baixista do Sepultura, Paulo Jr.

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O Sepultura está chegando aos 35 anos de carreira. A banda, o maior nome da música pesada do Brasil com alcance mundial, está encerrando a turnê do aclamado Machine Messiah, 14º de sua discografia; e o segundo com a atual formação, que além dos veteranos Andreas Kisser (G), Paulo Jr. (B), conta com Derrick Green (V), na banda há duas décadas, e com o baterista prodígio Eloy Casagrande, que entrou em 2011.

A banda chega a Curitiba dia 09 de fevereiro, encabeçando o Curitiba Motorcycles, evento que reunirá bandas das mais variadas vertentes do Rock e do Metal. Ligamos para Paulo Jr. e em nossa ótima conversa abordamos o disco Machine Messiah, os planos da banda para o futuro próximo e também sobre o filme/documentário do Sepultura, o ótimo Endurance (assista no Netflix)

por Clovis Roman

Qual o balanço que você faz do filme Endurance? Foi um projeto ousado e o resultado final ficou ótimo. Como você vê esse produto agora depois de um ano e meio de seu lançamento?
Paulo: A visão que o Otávio Juliano, o diretor, queria era captar e passar ao público em geral. A ideia dele não era fazer um filme de Heavy Metal, que nosso público já nos conhece. A intenção era atravessar horizontes e mostrar isso para pessoas que não conheciam o Sepultura, ou só conheciam pelo nome, esse lado mais pessoal. Às vezes as pessoas têm uma impressão errada sobre o Heavy Metal. A ideia realmente era atravessar esse horizonte. E o resultado final foi super positivo, o filme passou no Brasil e América do Sul, e em alguns festivais da Europa, de documentários e tal. Eu sei que na hora que ele for transformado em DVD virão coisas extras. Tem muito material que ficou pra trás, que não foi utilizado devido ao tempo. Isso tudo a gente vai poder usufruir melhor quando a gente tiver o lançamento em DVD.

Muitas bandas de Metal tocam álbuns na íntegra quando estes completam determinada data. E o A-lex vai completar 10 anos agora em 2019. É um grande álbum, que teve boa repercussão na época e tudo o mais. Vocês já pensaram em fazer ao menos alguns shows especiais tocando ele na íntegra ou algo nesse sentido?
Paulo: Na verdade não, mas pode acontecer. Não vou falar que é impossível. A gente tá numa entre-safra agora. Vamos começar a fazer shows no Brasil, mas ao mesmo tempo vamos entrar em estúdio para começar a trabalhar em material novo, no segundo semestre. A gente tá usando esse gancho do Endurance, para repassar um pouco da história. Nos últimos shows que fizemos, tivemos um repertório mais cronológico, passando por praticamente todos os discos. Então essa ideia do Alex não apareceu em nossas conversas. Eu nem sabia que o Alex ia completar 10 anos. Essas coisas eu nem mantenho a contagem [risos].

Eu estava revisitando a discografia da banda e parei para pensar: “caramba, já faz 10 anos, parece que foi ontem”. É interessante relembrar isso, a gente nem vê o tempo passar.
Paulo: O Eloy já tem praticamente 8 anos de banda. Surpreende como as coisas são. A gente fica nessa correria e acaba perdendo a noção do tempo.

Com exceção entre o The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart e o Machine Messiah, que teve quase 4 anos de intervalo, o Sepultura costuma lançar álbuns em média a cada 2 anos. E o Machine Messiah completou 2 anos agora.  Vocês já estão com planos para gravar, já tem composições prontas, bem encaminhadas, ou vão começar com isso no 2º semestre?
Paulo: Nós temos algumas ideias e já temos um conceito, sobre o qual não posso falar agora, logicamente. A partir do momento que temos esse conceito, isso ajuda a criar as músicas; a gente já tem uma direção. Essa parte da inspiração é muito pessoal, a gente começa tocando, estudando, praticando, e se sai alguma coisa a gente vai lá e grava. E deixa guardado na caixinha. Pode ser usado tanto agora, como pode ser usado daqui três anos. Tem discos que a gente tem [material] guardado e que não foi usado para o Mediator, para o Machine Messiah. Pode ter coisa do Arise que eu nem sei. Esse momento de inspiração, é aquele momento que você vai e grava. Essa que é a parte mais importante da coisa. A ideia mesmo é preparar o disco. A gente já passou por Europa e América do Norte, e a intenção é voltar mais um pouco [com os shows no Brasil] e começar a trabalhar no álbum novo. Agora é fazer um ano de 2019 sólido, e preparar para 2020 lançar o disco novo.

O Sepultura, principalmente nos últimos 20 anos, costumava lançar álbuns com muitas músicas, 15, 16 por disco. E o Machine Messiah veio com 10. Essa enxugada foi uma decisão consciente, tentando remeter aos primórdios? Pois álbuns de Metal nos anos 80 vinham com 8 ou 10 músicas, até pela limitação de tempo do vinil.
Paulo: Sim, a ideia foi exatamente essa. A gente pensou no Machine Messiah, escreveu o disco, para o vinil. Foi realmente pensado nisso. Como você falou, tinha essa limitação, não lembro direito, uns 25 ou 30 minutos por lado, alguma coisa assim. Com as bandas de Metal, antigamente, tinha a música pensada pro lado A e pro lado B do disco, aquela música instrumental, a faixa título. Então o Machine Messiah foi pensado para o vinil. Por isso teve essa redução no repertório [do disco].

Vocês tem o DVD do Les Tambours du Bronx, no Rock in Rio, mas o último registro oficial ao vivo da banda mesmo é o Live in São Paulo, que saiu já há algum tempo. Vocês pensaram em gravar algum show atual para posterior lançamento, seja DVD ou online?
Paulo: Cara, essas ideias estão sempre brotando. Sei que a gente tem o último Rock in Rio gravado, onde fizemos o show voltado para o Machine Messiah, mas não sei quando teremos acesso a esse material. Mas a ideia está sempre aí. Se tiver uma oportunidade interessante, que a gente ache que vale a pena gravar, para ser lançado… a gente ainda está buscando. Sei que é muito difícil preparar isso. Na turnê do Machine Messiah a gente fez mais de 180, 190 shows. Então é difícil você pegar um. A maioria dos shows foram super legais. Você poderia pegar vários desses shows e ter gravado um DVD. Iria retratar muito bem a história da banda e o momento do Machine Messiah. Mas a ideia está sempre de pé, a gente nunca a deixa de lado. Não sei te dizer quando poderá acontecer, mas eu concordo com você que tá na hora também.

Você tem o projeto The Unabomber Files, que já lançou dois EPs bem bacanas, com membros do Eminence e o Chakal. Esse projeto é mais de estúdio, ou vocês fazem shows também? É como se fosse um escape do trabalho no Sepultura?
Paulo: A gente nunca consegue se juntar para tocar ao vivo. Nesse momento Alan [Wallace, guitarrista, também do Eminence] está nos Estados Unidos. Aí quando um fica livre, o outro está em turnê. Quando eu estou livre, eles estão ocupados [risos]. Mas realmente surgiu como algo de estúdio. O Alan me ligou, com o André Márcio (bateria, Eminence) e o Vladimir Korg (vocalista, do Chakal e The Mist) e falaram “Estamos com uma ideia aí e estamos precisando de um baixista. Você não quer fazer?”. Respondi “Faço, sem problema algum”. Eles sabem que meu maior problema é o Sepultura, que eu não posso colocar de lado. Quando tiver tempo eu gostaria de levar esse projeto mais pra frente, de fazer pelo menos uma mini-turnê para tocar ao vivo. Pois na verdade a parte mais gostosa disso tudo, lógico que tem o processo de criação e gravação, mas o lance mesmo é estar no palco, viajando, tocando em cidades e lugares diferentes, conhecendo gente nova, culturas novas. Esse é o grande negócio pra mim. Eu espero que a gente consiga colocar esse projeto no palco em breve. Assim que o Alan voltar dos EUA vou conversar mais sério com ele a respeito disso. Como a gente estará preparando o disco novo [com o Sepultura], e a quantidade de viagens estará mais contida, então acho que vai sobrar um tempo sim para poder tentar colocar esse projeto na estrada, pelo menos um pouco.

Voltando ao Sepultura, vocês fizeram recentemente nos SESCs [em São Paulo, no mês de dezembro] alguns shows com repertórios cronológicos. Gostaria que comentasse sobre o setlist de Curitiba agora, vocês pensam em fazer cronológico também, qual é a ideia?
Paulo: Cara, não sei ainda, a gente vai decidir isso provavelmente alguns dias antes do show [risos]. Mas eu acredito que será uma coisa mais cronológica. A gente acaba decidindo meio que dois dias antes, não temos uma regra. A gente puxa músicas que não tocamos há muito tempo. Chega sem ensaiar e fala “Desculpa a música aí que nós vamos tocar, beleza?”. Na hora que a gente se encontra perguntamos: “E aí rola? Tá confiante?”. Se dá, vamos embora. Acredito que seja um lance mais cronológico, mas não tenho certeza, pode ser que mude. Eu te garanto que a gente vai fazer uma coisa para revisitar toda nossa história e o Machine Messiah também.

O Sepultura em sua carreira já fez releituras de grandes bandas e artistas, de variados estilos, indo de Bob Marley e Celtic Frost, de Chico Science ao Death, entre outros. Agora gostaria que você pensasse no sentido inverso: Qual banda ou artista você acha que faria uma releitura bacana de alguma das músicas do Sepultura? Que você acharia interessante de ver trabalhando em uma composição da banda.
Paulo: Caramba, de cabeça assim… pô, me pegou [risos]. Mas eu acho que o Lenine poderia fazer uma coisa legal, eu sei que ele gosta. Acho que o Zé Ramalho também, ele é um cara que o forte é o Rock e o Forró. O próprio Caetano Veloso poderia fazer uma coisa legal, sei que ele é admirador do Sepultura; e por aí vai. As bandas de Metal seria muito óbvio eu citar, tá na nossa praia. Mas se eu fosse escolher um artista, queria ver o Rush fazer uma versão do Sepultura [risos]. Seria bem interessante. Se o Judas Priest, por exemplo, fizer uma releitura de uma música do Sepultura, sei que o Halford é fã da banda, seria uma coisa mais óbvia. O próprio Metallica, não sei. Mas os nomes que eu citei saem um pouco desse nosso mundo. A parte mais importante da questão musical seria o artista gostar da gente, entender o que é o Sepultura. Aí a coisa fica mais fácil. Uma Ivete Sangalo da vida, eu sei que ela gosta de Rock, seria interessante, uma releitura mais diferente.

Confira todas as informações do Curitiba Motorcycles nesse link.

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