[Cobertura] Paul McCartney apresenta o show mais importante do mundo em Curitiba

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Paul McCartney
Estádio Couto Pereira
Curitiba/PR
30 de março de 2019

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Ao sair de casa para fazer a cobertura do show, meu pai me disse: “Quando eu tinha 15 anos, o Beatles era a maior banda do mundo. E hoje, após todos esses anos, você está indo ver um Beatle, no maior show do mundo“. É incrível perceber que a obra de Sir Paul McCartney passou totalmente incólume pelo teste do tempo. A epítome disso tudo foi “In Spite of All the Danger”, que Paul anunciou como sendo a primeira música gravada pelo The Beatles, ainda como The Quarrymen; a canção data de 1958, ou seja, 61 anos. A galera curtiu tanto que no final, Paul soltou um “Massa”, em português mesmo. Aliás, ele falou várias vezes em nossa língua durante o imenso – mesmo! – repertório. Mesmo um artista com tantos anos, décadas, na ativa, pode soar revigorante, como preconiza o nome de sua atual turnê – Freshen Up – que marcou a volta do músico a Curitiba após mais de 25 anos.

Paul McCartney (foto: Clovis Roman)

Das músicas do mais recente trabalho, Egypt Station, duas vieram no primeiro bloco – “Come On to Me” e “Who Cares” – enquanto as outras duas vieram já na segunda metade do repertório, bem próximas uma da outra: primeiro “Back in Brazil”, um tema pouco inspirado, com ares de Bossa Nova, que Paul compôs no ‘Brazil’ em sua vinda anterior ao país, em 2017. Depois “Fuh You”, bela canção mas que soou menor vinda depois da maravilhosa “Eleanor Rigby”. Do material da lendária banda – e maior de todas – tivemos hits conhecidos por cada ser humano do planeta terra, como “Hey Jude” – cantada por todos, com cartazes em punho onde se lia “Na Na”, referência ao refrão em coro – “Can’t Buy Me Love”, “From Me to You”, “Let it Be” e “Helter Skelter”. Claro, também teve “Love Me Do”, esplendorosa, e uma “Something” (dedicada à George Harrison) com arranjo diferenciado em sua primeira metade.

Também houve espaço para outras menos famosas, mas igualmente maravilhosas, como “Blackbird”, onde Paul frisou mais de uma vez ser sobre direitos humanos. O inevitável aconteceu, e um grito de “Ele Não” ecoou pelo estádio, com o músico tentando acompanhar com acordes em seu violão. Entretanto, o clima não ficou pesado, como aconteceu no show de Roger Waters no ano anterior, onde os ânimos estavam exaltados na então véspera de eleição. Vale citar que foram entregues panfletos ao público sobre a “Meat Free Monday”, campanha que sugere o não consumo de carne às segundas-feiras, estimulando sua substituição por saladas, vegetais, feijões, castanhas e cereais. Paul não parou no tempo em questões sociais, e esse é mais um dos pontos a se respeitar nele.

Paul McCartney (foto: Clovis Roman)

Um bloco no meio do repertório trouxe Paul ao piano pela primeira vez de muitas. Nessa, tocaram “Let ‘Em In”, do The Wings, seguida pela lindíssima “My Valentine”, feita para a esposa Nancy, que estava presente no show; a igualmente bonita “Nineteen Hundred and Eighty Five” (uma das três do disco Band on the run, do The Wings; as outras foram “Band on the Run” e “Let Me Roll It”, outro highlight) e a supermegaespetacular “Maybe I’m Amazed”, de sua primeira empreitada solo pós Beatles, McCartney, de 1970.

Falando em The Wings, outra do ex-grupo de Paul que foi o destaque de um show vigoroso com quase 40 músicas (!!) foi “Live and Let Die”, aquela mesma que o Gun’s & Roses brutaliza até os dias atuais. Aqui, entretanto, a faixa soou grandiosa, com os vocais ainda vigorosos de Paul, com direito a explosões, fogos no palco e fogos de artifício saindo da arquibancada, ao fundo do palco. Foram muitos fogos, muitos mesmo, em dois momentos diferentes dentro da canção. Caso não tenha ficado claro, foram muitos fogos. Mesmo! A fumaceira encobriu a visão geral até metade da canção seguinte, “Hey Jude”. Vale citar que nessa, estendida para interação com o público, Paul pediu para separar as vozes do público. Primeiro “só os piás” (essa frase a galera meio que não entendeu e todo mundo cantou) e depois “só as guri-ás”, onde então as moças entoaram a frase de duas letras.

Paul McCartney (foto: Clovis Roman)

Na volta para o encore, a banda retorna ao palco com as bandeiras do Brasil, do Reino Unido e do movimento LGBTQ (Não. Não era a bandeira das Ilhas Maurício). Palavras não foram necessárias, pois o gesto deu sua mensagem de maneira clara: Apenas ame e respeite o próximo. Como diria John Lennon, Give Peace a Chance! Nesse bis rolaram a lisérgica “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)” e o primeiro Heavy Metal do mundo: “Helter Skelter”. Resta a gratidão eterna pela obra de Paul McCartney, e a esperança de que ele volte ao menos mais uma vez à cidade, mesmo considerando que ele já está com 76 anos (e com mais vigor que muita banda boazinha com garotos na casa dos 30 que já tocaram no mesmo lugar). Obrigado, Paul, por sua carreira, por suas belas canções e por fazer um show extenso, coeso, agradável e sem solos modorrentos. Ele declarou ,em recente entrevista, que o mundo sem o Beatles seria um lugar muito triste. Atualizo a frase para “O mundo sem Paul seria um lugar muito mais triste”.

www.meatfreemondays.com

REPERTÓRIO
A Hard Day’s Night [The Beatles]
Junior’s Farm [The Wings]
Can’t Buy Me Love [The Beatles]
Letting Go [The Wings]
Who Cares
Got to Get You Into My Life [The Beatles]
Come On to Me
Let Me Roll It [The Wings]
I’ve Got a Feeling [The Beatles]
Let ‘Em In [The Wings]
My Valentine
Nineteen Hundred and Eighty-Five [The Wings]
Maybe I’m Amazed
I’ve Just Seen a Face [The Beatles]
In Spite of All the Danger [The Quarrymen]
From Me to You [The Beatles]
Dance Tonight
Love Me Do [The Beatles]
Blackbird [The Beatles]
Here Today
Queenie Eye
Lady Madonna [The Beatles]
Back in Brazil
Eleanor Rigby [The Beatles]
Fuh You
Being for the Benefit of Mr. Kite! [The Beatles]
Something [The Beatles]
Ob-La-Di, Ob-La-Da [The Beatles]
Band on the Run [The Wings]
Back in the U.S.S.R. [The Beatles]
Let It Be [The Beatles]
Live and Let Die [The Wings]
Hey Jude [The Beatles]

Birthday [The Beatles]
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise) [The Beatles]
Helter Skelter [The Beatles]
Golden Slumbers [The Beatles]
Carry That Weight [The Beatles]
The End [The Beatles]

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