[Entrevista] Verthebral mostra a boa fase do Metal no Paraguai

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O grupo paraguaio Verthebral iniciou suas atividades em 2013, tendo lançado um EP e um disco completo, Regeneration. A versão que recebemos da Sangue Frio Produções conta com, além do álbum Regeneration (2017), Adultery of Soul, EP com 5 músicas, lançado de forma independente pela banda em 2015. Esse material compila, portanto, tudo o que a banda de Ciudad del Este, Paraguai, já produziu até o momento.

Confira abaixo nossa resenha desse trabalho e também uma entrevista exclusiva da banda para o Acesso Music.

A parte do álbum regular, anunciada com a breve intro “Apocalyptic Seasons”, começa de fato com “Place of Death”, um Death Metal calcado nos primórdios, mas com variedade de sonoridades mais atualizadas. Lembra algo do Malevolent Creation dos anos 90, enquanto que o solo no último minuto, com algo de eco reverberando, remete a algo que Chuck Schuldiner faria, porém menos técnico. “Spirit in Solitude” é outro arregaço, com sua letra sobre depressão e tendências suicidas. A temática lírica da banda gira em torno de diversos temas, sendo a crítica religiosa um dos mais fortes, como em “Inside of Me”. Como música, essa é um épico com mais de sete minutos, com introdução lenta e simples mas bem sacadas linhas de teclado – que aparecem de maneira funcional também em “The Plague of Insomnia” – que aumentam a angústia emanada pelo som.

Em “Beyond the Garden of Creation” a banda aposta em algo mais reto, com bom resultado, em uma faixa que deve funcionar bem ao vivo. Mesmo com agressividade sendo o mote da banda, como já explicita seu rótulo, é interessante notar a preocupação em criar climas e passagens complementares, que a fazem fugir da simplicidade excessiva que o Death Metal pode sugerir. Basta ouvir a parte ambientada antes dos velozes e alucinantes solos dessa mesma faixa para comprovar.

A parte do EP tem uma gravação muito boa, um pouco mais seca, e começa com uma intro até engraçada, “Final Thoughts”, seguida por “Human Limitations”, um bom Death Metal com solos na linha Trey Azagtoth, na mesma linha do material ouvido no full-album, com algo mais rude na execução, entretanto. As bases são mais simples, algo que eles lapidaram bem em Regeneration. A Verthebral é formada por Cristhian Rojas (baixo e vocal), Gabriel Galeano (bateria), Alberto Flores e Daniel Larroza (guitarra), dupla essa que faz um trabalho excepcional com as 6 cordas, tanto em ótimos riffs quanto nos solos.

Facebook: www.facebook.com/VerthebralOfficial

MÚSICAS
1. Apocalyptic Seasons (Intro)
2. Place Of Death
3. Spirit In Solitude
4. Regeneration
5. Beyond The Garden Of Creation
6. Without Any God
7. Old Man’s Memories
8. The Plague Of Insomnia
9. Immaterial Essence Of Things
10. Inside Of Me
11. Final Thought
12. Human Limitation
13. Adultery Of Soul
14. I Am The Vulture
15. Confronting Lies

ENTREVISTA

Eu tenho lido bastante positivas da imprensa sobre o trabalho de vocês. Até que ponto vocês levam isso em consideração?
As resenhas são importantes. Elas são simplesmente opiniões, mas obviamente ficamos felizes em saber que muitas pessoas opinam de forma positiva sobre o nosso álbum. É bom ler críticas objetivas, quando a pessoa toma um tempo para sentar e ouvir o álbum em sua totalidade e tirar conclusões. Por outro lado é uma opinião muito pessoal, é muito subjetivo. Se a maioria concorda que é um álbum poderoso e todas as músicas são boas, significa que o resultado final foi satisfatório e que o trabalho que fizemos é muito boa qualidade. Se todos os comentários são negativos é porque algo deu errado, é um fator para medir o sucesso ou o fracasso, mas não é algo absoluto. Há grandes álbuns de bandas famosas que são rotulados como fracassos porque eles venderam pouco, mas hoje eles são clássicos, como “Born Again” do Black Sabbath ou “Music From The Elder” do Kiss. Foram álbuns mal interpretados e muito criticados naquela época. Atualmente os dois álbuns considerados ‘cult’. Sem dúvida, os críticos estavam errados. Por isso o que conta é a opinião pessoal de cada um ao ouvir o álbum, [mas] nem sempre é bom ser guiado apenas pelos comentários.

A banda tem como um de seus temas líricos a anti-religião. Isso fica bem claro em músicas como “Inside of Me”. Como é se declarar anti-religião em um país como o Paraguai, onde a maioria das pessoas é católica?
Eu acho que é um ponto de vista honesto, nossas letras são contra qualquer tipo de crença religiosa. Todas foram criadas pelo homem para controlar e manipular os mais fracos, e a mesma história é repetida de novo e de novo, em toda a América. O fanatismo religioso latino atinge níveis absurdos. O que eu vejo é muita confusão e desespero nessas pessoas, todos são pessoas vazias e procuram preencher suas lacunas, precisam acreditar em uma ilusão de não aceitar a realidade. Nossas letras transmitem uma visão agnóstica mas sincera. Eu não acredito no folclore popular do bem contra o mal ou vice-versa, se alguém se declara um satanista, ele o faz porque ele reconhece alguma outra divindade antagônica, isto é, ele precisa acreditar que há um deus bom para atacá-lo, ou não faria sentido, sabe? Eu sempre achei isso irônico. Eu prefiro ficar neutro e separado de todas essas mentiras.

Como está a cena do Metal no Paraguay atualmente? Há público para a música autoral no país? E como está o público nos shows internacionais?
Eu acho que a cena paraguaia é muito boa hoje em dia, hoje existem muitas bandas lançando discos por selos sul-americanos e europeus. Há uma matéria-prima muito boa aqui, que mostra que lá fora há interesse em bandas que fazem boa música e que levam suas bandas a sério. Em termos de audiência, sempre tivemos uma resposta muito boa em nossos shows, ganhamos muito espaço na cena paraguaia porque trabalhamos duro para atingir nossos objetivos. E as pessoas reconhecem isso comprando nossos CDs, cassetes e camisetas. Agradecemos o apoio constante do público, isso é fundamental para continuar.

Vocês estão gravando o segundo álbum da banda. Poderia nos falar quais as diferenças desse novo trabalho para o disco de estreia?
Estamos atualmente no processo de gravação do segundo álbum. Nós estamos no caminho certo, os métodos de composição foram os mesmos que em “Regeneration”, nós sempre começamos com riffs de guitarra, eles são o motor principal de nossa música. Acho que crescemos muito individualmente como músicos, hoje tocamos melhor. A principal diferença acredito que seja na forma de gravar, agora usamos metrônomo/click, e o resultado é realmente perceptível, tudo soa muito mais homogêneo e compacto. Este vai ser o primeiro álbum com o Denis, e ele realmente contribuiu com muitas idéias para a bateria. Ele tem um estilo muito técnico e agressivo, e combina essas duas partes muito bem. As linhas de bateria estão brutais.

Você já tem título e arte da capa do álbum definido?
Já existe um título para o novo álbum, mas não podemos adiantar nada ainda, será uma surpresa. O álbum terá 10 músicas, nas quais descarregamos toda a nossa fúria. Será realmente muito pesado e brutal. A arte da capa ainda está em processo de elaboração. O artista responsável é o brasileiro Marcos Miller, o mesmo que fez a capa de Regeneration. [Ele] é um grande ilustrador e suas obras são brilhantes.

Você poderia citar seus 5 álbuns de Metal favoritos de todos os tempos?
Bem, citar apenas 5 discos é muito complicado (risos). Mas vou citar 5 grandes discos que são considerados clássicos absolutos:

> Morbid Angel – Altars Of Madness (1989)
> Death – Leprosy (1988)
> Slayer – Show No Mercy (1983)
> Deicide – Once Upon The Cross (1995)
> Sarcófago – The Laws Of Scourge (1991)

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