[Cobertura] Genocide Fest se consolida no cenário curitibano em sua terceira edição

Nenhum comentário

Genocide Fest III
com as bandas Rebaelliun, Imperious Malevolence, Ethel Hunter, Divulsor
Jokers
Curitiba/PR
06 de abril de 2019

por Clovis Roman

Criado em 2016, o Genocide Fest chegou a sua terceira edição trazendo, mais uma vez, uma banda de Death Metal que pouco costuma dar as caras por esses lados. Na primeira edição, o headliner foi o Khrophus, que na época vinha raramente pra Curitiba, e na segunda edição, o Exterminate, inédito na cidade até então. Agora foi a vez do Rebaelliun, titã do Death Metal, que também nunca havia tocado na capital paranaense em mais de 20 anos de história. Junto a atração principal, como sempre, nomes da cena local completaram o lineup.

Divulsor (foto: Clovis Roman)

A abertura da noite ficou com a one-man-band Divulsor, que fez um set coeso, reunindo algumas músicas do EP Defiled Corridors of Ruptured Oblivion, como “Lascivious Repletion” – que abriu o repertório – e “Perfidious Spectrum of Human Deeds”, faixa insana que abre ultra veloz mas depois agrega partes mais macabras, com algo de Morbid Angel nos riffs. Um punhado de composições inéditas, que devem estar presentes no vindouro full-lenght também se fizeram presentes. O Brutal Death Metal do Divulsor segue a linha do Mortician, o que, convenhamos, é uma boa referência. O público pode ter começado meio acanhado, afinal, ainda era a primeira banda, mas mais pro final do set a galera se empolgou mais. O formato pouco comum, quando bem trabalhado, rende bons resultados. Esse é um exemplo disso.

O Ethel Hunter foi outra que mandou vários sons ainda não registrados oficialmente. As três canções de até agora seu único registro, o EP No Man is Truly Free foram tocadas, e outras tantas como “Ignoble Redemption” – com um punhado de riffs violentos e vocal extremamente bruto, algo que chega a remeter ao lendário Infernal – a antiga “By Nightfall” e “Darkest Cult”. A formação do grupo teve algumas alterações, como a ida de Hernan Oliveira indo para o baixo – instrumento que domina com destreza ímpar – além de cuidar das vozes, e a adição de Alexandre Walter Antunes nas seis cordas. A manobra se mostrou bem sucedida, pois trouxe mais precisão e brutalidade ao som do grupo.

Repertório – ETHEL HUNTER
No Man Is Truly Free
Ceaseless Pain
Relentless Hunt
Ignoble Redemption
By Nightfall
Darkest Cult
Flesh Blood, Quench Your Hunger
Near the Light
Twilight Darkness
Nomade

Ethel Hunter (foto: Clovis Roman)

Outra banda que teve grande mudança estrutural foi o Imperious Malevolence. Com a saída do guitarrista Danmented, que ficou oito anos com o grupo, eles colocaram não um, mas dois guitarristas no lugar: Will Aguiar e Rodrigo Kiataque, ambos mais jovens. Para o fã saudosista, é estranho num primeiro momento ver a banda com essa formação – há muitos anos que o Imperious Malevolence não era um quarteto – mas a vida segue e mudanças são uma constante. O fato é que a nova dupla mandou bem em sua função, com destaque para Will, que mandou ver em solos bem rápidos. O repertório mesclando a fase antiga – “No Return” e “Excruciate” foram devastadoras – dos três primeiros álbuns, com os materiais mais recentes foi uma decisão acertada. Deixar o álbum Doomwitness de fora do setlist, após anos tocando-o incessantemente, deu um ar renovado a tudo.

Repertório – IMPERIOUS MALEVOLENCE
Imperious Malevolence
No Return
Ascending Holocaust
Perpetuação da Ignorância
Where Demons Dwell
The Hellfire’s Cruelty
Ominous Ritual
Excruciate
Arquiteto da Destruição

Imperious Malevolence (foto: Clovis Roman)

O Rebaelliun, após mais de duas décadas de história, finalmente chegou a Curitiba para uma apresentação brutal e histórica. Com o baterista e membro fundador Sandro Moreira, ao lado de Lohy Fabiano, que entrou em 2000, a banda apresentou o novo guitarrista Evandro Passos, que mostrou destreza e segurou as pontas na brutalidade. O cara também toca em um tributo ao Led Zeppelin, mas aqui ele deixou isso de lado e apostou na agressividade pura. O show dos caras é uma porrada incessante, cujo repertório foi formado por um terço de antigueiras e o restante de material mais recente, após a volta a ativa da banda em 2015. Das antigas, a primeira foi “Spawning the Rebellion”, com seu começo mais cadenciado, que logo descamba na agressividade gratuita. E o bloco final, com músicas de Burn the Promised Land e uma apenas de Annihilation (a faixa título).

De resto, várias canções do excelente The Hell’s Decrees (2016), cujo título foi inspirado em uma música do disco de estreia. Entre estas, destaque para a caótica “Affronting the Gods”. Eu gostaria muito de ter ouvido “Killing for The Domain”, ou “Rebellious Vengeance”, ou “Unborn Consecration”, ou “Bringer of War”, que teriam sido também ótimas escolhas. Ainda houve espaço para uma música nova, chamada “The Messiah”, que foi anunciada com Lohy explicando – por mais óbvio que pareça – que o Metal é sim lugar para questionar, para se posicionar contra o establishment: “O Rock e o Metal são lugares para revolução, e não para o conformismo”, bradou para um público que parece ter sido pego de surpresa.

Rebaelliun (foto: Clovis Roman)

A perda do guitarrista Fabiano Penna foi pesada. Após uma turnê pela Europa, há pouco mais de um ano, o músico e produtor contraiu uma infecção bacteriana generalizada de origem desconhecida, e veio a falecer dias após retornar ao Brasil, aos 42 anos. A decisão de continuar certamente seria apoiada por ele, e seu legado está sendo honrado com isso.

Repertório – REBAELLIUN
War Cult Anthem [Bringer of War (The Last Stand)]
Spawning the Rebellion [Burn the Promised Land]
The Path of the Wolf [The Hell’s Decrees]
Legion [The Hell’s Decrees]
The Messiah [inédita]
Affronting the Gods [The Hell’s Decrees]
Dawn of Mayhem [The Hell’s Decrees]
The Last Stand [Bringer of War (The Last Stand)]
Anarchy (The Hell’s Decrees Manifesto) [The Hell’s Decrees]
Annihilation [Annihilation]
The Legacy of Eternal Wrath [Burn the Promised Land]
At War [Burn the Promised Land]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s