[Entrevista] Kelly Shaefer fala do legado do Atheist e relembra histórias com Velvet Revolver e Sepultura

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O Atheist surgiu quando os anos 80 caminhavam para seu fim, e chamou atenção com seus três álbuns, esses já lançados na década seguinte. Diferente de outras bandas de Death Metal na época, com riffs sujos e simples e letras que faziam as do Ramones parecerem tratados filosóficos, o grupo americano trazia muita técnica e lirismo mais aprofundado. A parte musical poderia ser comparada ao que o Death (a banda) estava começando a fazer naquela época. Porém o Atheist foi até mais fundo no lance, pois enquanto o Death era basicamente Metal,  eles passeavam por outros terrenos, com citações jazzísticas, latinas e até um ‘sambinha’.

Mais de 30 anos após sua fundação – houve um grande hiato no meio, entretanto – a banda pela primeira vez tocará no Brasil. Eles vem junto com o Suffocation. A dupla passará por Argentina, Chile, Peru e México dentro dessa turnê pela América Latina. No Brasil, o único show é em São Paulo. Conversamos com o vocalista do Atheist, Kelly Shaefer, que nos fala sobre a banda, repertório e seus causos com grandes nomes do Rock mundial.

por Clovis Roman

Esta será a primeira vez que o Atheist vai tocar no Brasil. A banda irá preparar um setlist especial ou tocará seu setlist regular?
Kelly Shaefer: Nós temos um set set muito especial para os fãs sul-americanos que nos esperaram 30 anos. [Teremos] algumas músicas que não tocamos ao vivo em 25 anos, e também algumas músicas que não tocamos desde 2006. Estamos animados com isso!

Ainda sobre o setlist, o quão difícil é definir quais músicas a banda vai tocar no palco? Afinal, a banda tem muitas coisas incríveis para tocar.
Kelly Shaefer: Bem, para esta próxima turnê, adicionamos algumas músicas que não tocamos há mais de 20 anos. Além disso, estamos fazendo uma versão legal de “Samba Briza”, que eu acho que a América Latina vai gostar. Às vezes, o setlist é ditado pelo país em que estamos tocando. Por exemplo, a Alemanha adora coisas antigas, enquanto a Europa Oriental curte mais o estilo de Elements [N. do R.: terceiro disco da banda, lançado em 1993] e a Holanda prefere algo mais técnico.

O baterista Joey Muha entrou para a banda há alguns meses. Como você o encontrou e por que o membro original Steve Flynn saiu?
Kelly Shaefer: Para ser claro, Steve NÃO deixou a banda. Ele e eu sempre fomos o núcleo do Atheist, e isso não mudou. Ele simplesmente não pode fazer essa turnê na América do Sul em particular. Com a bênção de Steve, nós trouxemos Joey Muha, que é um baterista incrível e felizmente disponível para esta turnê. E também uma feliz escolha para nós, ele é um incrível e jovem músico, e estou ansioso para fazer esses shows com ele.

Quando Atheist estreou com o incrível Piece of Time, ficou óbvio que a banda tinha uma abordagem diferente das outras bandas de Death Metal, com algumas boas letras, em vez de apenas cantar sobre a morte, sangue e coisas do tipo. Esta foi uma decisão consciente naquele momento, para se destacar?
Kelly Shaefer: 100%. Eu fui influenciado nas letras pela escola de Neil Peart e Steve Harris, entre outros grandes nomes. Mas sim, estamos definitivamente tentando nos separar das letras ‘Filme de Terror’, do tipo sangrento-ocultista que prevaleciam na cena naqueles primeiros dias. Eu sempre gosto de dizer coisas simples de uma maneira difícil.

Em 2010 Atheist lançou Jupiter, em geral um álbum muito bom. Eu mesmo gosto muito, gosto muito dos vocais mais ‘duros’. Como você vê esse álbum hoje, nove anos depois?
Kelly Shaefer: Mais orgulhoso do que nunca, e obrigado por ter uma mente aberta quando se trata de Júpiter. Eu acho que todos os nossos álbuns envelheceram bem, e com Júpiter é a mesma coisa. Liricamente está entre os meus materiais favoritos, assim como a bateria de Steve Flynn, e é singularmente diferente dos outros três, que são também diferentes uns dos outros, é como as coisas são conosco. Nós nunca faremos o mesmo álbum duas vezes.

Kelly, você fez um teste para se juntar ao Velvet Revolver em 2002. Você poderia me falar mais sobre isso? Quantas músicas você cantou? Eu me lembro de ouvir “Eye for an Eye” e também “Room 169” e ambas soavam matadoras. Essas músicas não foram lançadas? (as outras duas músicas que eu sei que você cantou foram “Tomorrow and Today” e “End of the Line”, certo?).
Kelly Shaefer: Eu fiz. E de fato, eu também ganhei uma menção rápida no livro do Slash [risos]. Ouvi dizer que eles estavam procurando um cantor para um projeto, e então eu estava com a minha banda na época, Neurotica, e tínhamos acabado de sair da turnê Ozzfest, em 2002. Minha assessora na época costumava ser a assessora do Slash, e ela mandou algumas das minhas músicas do Neurotica. Ele gostou da minha voz e eu voei para LA e gravei três músicas. Quatro, na verdade, Eu fiz a 4º na noite antes de voar de volta pra casa; e nunca recebi uma cópia. Aquelas músicas, claro, eram demos e nunca foram lançadas. Era algo com cerca de seis caras, e em um determinado momento foi anunciado no slashssnakepit.com que eu era o cara por uma semana. Como eu venho das raízes de metal extremo, foi um pouco surreal estar em uma pequena sala com 3/4 do Guns N’ Roses, basicamente. Nós fizemos uma jam e eles filmaram e gravaram. Soava mais perto de um GNR bruto do que o que eles se tornaram com o Scott [Weiland]. Mas eu amei o que eles fizeram com o Velvet Revolver. Ótimo pessoal!

Nos anos 80, você compôs a letra de Stronger than Hate e cantou os backing vocals no álbum do Sepultura, Beneath the Remains. Como foi isso? Como você conheceu os caras e se tornou “amigos”?
Kelly Shaefer: Sim, aconteceu através do meu amigo Scott Burns, lendário produtor que estava no Brasil trabalhando nesse álbum. Ele me pediu para escrever algumas músicas enquanto Max ainda estava trabalhando no inglês dele. Eles fizeram toda a música para o álbum no Brasil, e depois voaram para os estados para fazer vocais e mixar no Morrisound Studio, em Tampa, Flórida. Então, eu pude ir ao estúdio e trabalhar com Scott e Max na canção. Jon Tardy, do Obituary, estava no estúdio naquele dia também, então fizemos alguns vocais ‘gang’ juntos. Foram os dias de glória da cena de Death Metal de Tampa e do lendário Morrisound Studios. BONS TEMPOS!

Agora uma pergunta que faço para todos os meus entrevistados: Quais bandas você acha que fariam boas covers de alguma das músicas do Atheist?
Kelly Shaefer: Hmmmm, bom, eu adoraria ouvir o Gojira fazer alguma música do Atheist. E também acho que o Arch Enemy poderia destruir em alguma cover do Atheist.

SERVIÇO
Atheist e Suffocation no Brasil
Data: 20 de junho de 2019 (quinta-feira / Feriado)
Local: Backstage Hall
Endereço: R. Dr. Raul da Rocha Medeiros, 52 (próximo ao metrô Carrão)
Horários: 17h (portões) / 19h (Atheist) / 21h (Suffocation)
Ingressos: a partir de R$ 100 (pista promo / levar 1kg de ração)
Venda: www.sympla.com.br/suffocation-e-atheist-no-brasil__498055
Realização: Dark Dimensions


ENGLISH

This will be the first time that Atheist will play in Brazil. The band will prepare a special setlist for it or will play the regular setlist?
Kelly Shaefer: We have a very special set list for South American fans that have waited 30 years. Some songs that we have not played live in 25 years, also a couple of songs we have not played since 2006. We are excited about it!

Still on the setlist subject, how hard is to define which songs the band will play on stage? After all, the band have a lot of amazing stuff to play.
Kelly Shaefer: Well, for this upcoming tour we have added some songs that we have not played in 20+ years. Plus we are doing a cool version of Samba Briza that I think Latin America will appreciate. Sometimes the setlist is dictated by what country we are playing in. For example, Germany loves early stuff, while Eastern Europe enjoys more of the Elements style and Holland prefers more technicality.

Joey Muha joined the band a couple of months ago. How did you find him and why the original member Steve Flynn has left?
Kelly Shaefer: To be clear, STEVE has NOT left the band, he and I have always been the core of Atheist, and that has not changed, he simply was not able to do this particular SA tour. With Steve’s blessing, we brought in Joey Muha ,who is an amazing drummer and luckily available for this tour… as well as being a fortunate choice for us, he is an incredible young player, and I look forward to doing these shows with him.

When Atheist debuted with the amazing Piece of Time, it became obvious that the band has a different approach to the other Death Metal bands, with some good lyrics, instead of just sing about death, blood and stuff like that. Was this a conscient decision at that point in time, to stand out?
Kelly Shaefer: 100% I was influenced by the Neil Peart/Steve Harris school of lyrics among other greats. But yeah, we are definitely trying to separate ourselves from the Horror Movie, gory-occult type lyrics that were prevalent in the scene in those early days. I always like to say simple things in a difficult way.

In 2010 Atheist released Jupiter, overall a very good album. I myself enjoy it a lot, I really like the more harsh vocals in it. How do you see this album today, 9 years later?
Kelly Shaefer: More proud of it than ever, and thanks for having an open mind when it comes to Jupiter. I think much like all of our records they age well and Jupiter is the same. Lyrically it is among my favorite stuff as well as Steve Flynn’s drumming, and it is uniquely different than the other 3, which are also different from each other, it is kind of how it goes with us. We will never make the same record twice.

Kelly, you’ve made an audition to join Velvet Revolver back in 2002. Could you tell me more about that? How many songs did you sang? I remember to hear “Eye for an Eye” and also “Room 169” (I have these mp3 here) and both sounded killer. This songs wasn’t released, did they? (the other two songs I know you sang there was “Tomorrow and Today” and “End of the Line”, right?).
Kelly Shaefer: I did in fact, I actually got a quick mention in Slash’s book as well (LOL). I heard they were looking for a singer for a project, and so I was with my band Neurotica at the time and we had just come off the Ozzfest tour in 2002, my publicist at the time used to be Slash’s publicist and she sent him some of my Neurotica songs, he liked my voice and I flew to LA and recorded 3 tunes, 4 actually, I did the 4th the night before I flew back home and never got a copy. Those songs of course were demos and never released. It was down to about 6 guys and at one point it was announced onslashssnakepit.com that I was the guy for a week. As I come from extreme metal roots, it was a bit surreal to being in a small room with 3/4 of Guns n Rose’s essentially. We jammed, they filmed it, and recorded it. It sounded closer to a raw GNR than what they became with Scott. But I loved what they did with Velvet Revolver. Great guys!

Back in the 80’s, you composed the lyrics for Stronger than Hate and sang the backing vocals in the Sepultura album Beneath the Remains. How was that? How did you know the guys and became “friends”?
Kelly Shaefer: Yes I did, it came together through my friend Scott Burns, legendary producer who was in Brazil working on that record. He asked me to write a couple of songs as Max was still working on his English a bit, and they did all the music for the record in Brazil, and then flew to the states to do vocals and mixing at Morrisound Studio in Tampa Florida. So, I was able to go to the studio and work with Scott and Max on the tune. Jon Tardy from Obituary was in studio that day as well, so we did some gang vocals together on it. That was the glory days of the Tampa Death Metal scene, and the legend of Morrisound Studios. GOOD TIMES!

This is the question I do to all for all my interviewees: Which bands do you think would make a good cover of some of ‘Atheist”s songs?
Kelly Shaefer: Hmm well I would love to hear GOJIRA do an Atheist song, also ARCH ENEMY I think could crush an Atheist cover.

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