[Entrevista] Europe: “fazer turnês é a coisa mais importante para a banda no momento”, revela Joey tempest

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O Europe, assim como o The Cult em 2017, é uma das bandas internacionais que fará alguns shows paralelos de grandes nomes do Rock in Rio, entretanto, sem estar no festival. Portanto, o público de várias cidades poderá ver, além de figurões do referido evento, o lendário grupo sueco, que passa por uma fase bastante inspirada. O Europe teve grande exposição nos anos 80 (The Final Countdown é provavelmente uma das músicas mais famosas do universo), e após um grande hiato, voltou em 2004 com o grandioso Start from the Dark. E desde então o conjunto vem construindo uma discografia impressionantemente sólida.

A banda começa sua jornada pela América Latina, em sua maior turnê por aqui desde sempre, com um show em Curitiba (18/10), ao lado de Whitesnake e Scorpions. Chegue cedo, pois a programação oficial informa que eles sobem ao palco às 17h. A banda europeia também fará, pela primeira vez, dois shows na Bolívia, nas cidades de Potosí e La Paz. Conversamos com o vocalista Joey Tempest, pouco tempo depois dele ter chego a Curitiba. A ligação foi feita diretamente em seu quarto no hotel, e o papo transcorreu de maneira bastante cordial.

por Clovis Roman
Transcrição por Bruno Schmidt

Clovis Roman: Joey, Walk the Earth foi lançado há dois anos. Existem planos sólidos para gravar um novo álbum de estúdio em um futuro próximo?
Joey Tempest: Sim, estamos muito felizes com o Walk the Earth, então continuaremos em turnê no próximo ano com esse álbum. É um ótimo disco para tocar ao vivo e sentimos que estamos bem como uma banda ao vivo no momento. Mas já começamos a reunir novas ideias para um novo álbum. Mas fazer turnê agora é a coisa mais importante. Com o Walk the Earth, já estivemos na Austrália, estivemos no Japão, Escandinávia, Europa e agora chegamos à América do Sul. Iremos à Bolívia pela primeira vez e, esperançosamente, em breve iremos à América do Norte. Continuaremos “andando pela terra” [N. do R. : trocadilho com o nome do disco] com este álbum e depois gravaremos e lançaremos o próximo álbum. Esperamos que no próximo ano, mas quiçá no início do seguinte [2021].

Clovis: Este álbum me parece um pouco mais sombrio que os anteriores, isso foi uma decisão consciente?
Tempest: Na verdade, os últimos três álbuns Bag of Bones, War of Kings e Walk the Earth vieram de maneira automática, gravamos rápido no estúdio. Nós podemos escrever entre quatro à seis meses, mas nós nos movemos rapidamente para o estúdio, gravamos ao vivo. Queremos ter essa sensação primal, espiritual, nervosa, esse sentimento honesto do Rock and Roll, e é realmente importante que toda música tenha isso. Então, sim, estamos bem no momento.

Clovis: Você disse que a banda gravou o álbum muito rapidamente. Essa é uma fórmula que funcionou para a banda? E como foi gravar na Abbey Road?
Tempest: Sim, é uma fórmula que funciona muito bem, e por termos trabalhado com Dave Cobb, o produtor. Ele é músico e agora é quase como um membro da banda, ele também compõe conosco. Adoramos ter essas duas semanas explosivas em um ótimo estúdio, onde todo mundo joga idéias o tempo todo, é muito rápido. Obviamente, estávamos bem preparados, escrevemos por seis meses, já tínhamos muitas idéias. Mas quando tudo se reúne nessas duas semanas de forma explosiva, é realmente incrível. Nós meio que corrigimos algumas coisas e misturamos, sabe? Foi incrível gravar no Abbey Road, uma das razões para mim foi porque eu moro em Londres, então eu podia ir pra casa depois do trabalho, sabe? Caso contrário, costumávamos gravar na Suécia ou na América, nós esperamos por um longo tempo, o que é ok. Lá é um estúdio lendário, o equipamento é incrível, eles têm todo o equipamento dos tempos dos Beatles e Pink Floyd, mas também começaram a adicionar novos equipamentos. então você tem tudo o que você procura neste estúdio.

Clovis: Ainda sobre o processo de composição da banda, como isso mudou ao longo dos anos? Nos primeiros álbuns você compôs quase todas as músicas, e agora a banda também compõe, como isso mudou?
Tempest: Isso mudou ao longo dos anos, porque os outros caras foram ficando cada vez melhores. Eles são ótimos escritores agora, estão mais próximos de mim nesse sentido, porque eu sempre adorei escrever músicas. Quando nos conhecemos, eles eram mais músicos e eu era mais compositor, era uma ótima combinação naqueles dias, porque eu sempre escrevi desde muito cedo, então era perfeito. Mas hoje em dia é incrível entrar no estúdio, onde posso ter uma idéia de Mic Michaeli, o tecladista, ou de John Norum, o guitarrista, ou ainda de John Léven, o baixista. Todo mundo tem ótimas idéias e eu meio que corro com isso, coloco algumas palavras, melodias, [falo] sobre como tocamos juntos, e essa é a diferença. Eu adorava escrever músicas, e ainda gosto, mas agora gosto de co-escrever também. Antes, antigamente, eu meio que escrevia, fazia demos e terminava às músicas sozinho às vezes. É mais emocionante agora quando todos estão felizes.

Clovis: Você disse que a banda tem planos de continuar em turnê no próximo ano. Vocês já pensaram em gravar um novo álbum ao vivo, já que “Live at Sweden Rock” foi lançado já há 6 anos?
Tempest: Sim, já faz um tempo. Na verdade, gravamos praticamente todos os shows que fazemos e também começamos a filmar coisas ao redor do mundo. Então, sim, esperamos que algo saia. Estamos apenas esperando o momento certo, os shows certos, para obter o ‘pacote’ correto. Estamos gravando o tempo todo e agora também estamos filmando.

Clovis: Como a banda preparará o setlist para os shows na Bolívia e no Brasil? Vocês se concentrarão mais no álbum atual ou a banda mostrará aos fãs uma espécie de setlist “best of”?
Tempest: Nós gostamos de misturar tudo, gostamos muito de tocar músicas ao vivo como “Rock the Night”, “Superstitious”, “The Final Countdown”. Essas músicas são ótimas e ainda gostamos de tocá-las, mas também temos novos favoritos. Nós gostamos de tocar “Last Look at Eden”, “War of Kings” e “Walk the Earth”, que é ótima de tocar, essa música é incrível, então existem essas músicas desses três últimos álbuns. Então essa é a mistura que faz isso acontecer, se você conhece o show na Europa, sabe que é a mistura entre o antigo e o novo, com o público se unindo. É um bom momento para a banda. A banda está tocando incrível como músicos, está tudo ótimo no momento.

Clovis: Ouviremos também algo do “Start from the Dark”?
Tempest: Não temos nada do Start from the Dark há algum tempo. Nós vamos fazer o setlist hoje. O que geralmente fazemos é que nos encontramos – acabamos de chegar ao Brasil – então nos encontraremos hoje e falaremos sobre o setlist, enviaremos algumas sugestões por e-mail e depois nos sentaremos para decidir. Não mudamos muito o nosso setlist, mudamos um pouco, de vários lugares. Há músicas que amamos tocar, e temos que tocá-las, e depois temos as músicas que sabemos que os fãs querem que toquemos, e a gente toca algumas delas também. Mas vamos ver o que acontece.

Clovis: Esta será a primeira vez da banda na Bolívia, quais são as expectativas para esse show?
Tempest: Bem, é sempre fantástico tocar em novos países pela primeira vez, adoramos explorar a Terra e ir à todos os lugares. E é muito empolgante para nós vir tocar na Bolívia. Obviamente, ouvimos falar da Bolívia. Também conversamos com outras bandas que disseram “você deveria tocar lá”. Então, estamos felizes que isso esteja acontecendo agora. O que sabemos, você sabe, é que é um ótimo lugar, vocês tem suas montanhas, seu deserto, sua floresta tropical, vocês tem tudo, belas vistas e montanhas, sabe? Vai ser incrível tocar em La Paz e Potosi também porque estão bem altos, quase lá no céu [risos]. Eu chamei Potosi de “sky rocket city” esses dias, e parece que está pegando. Houve um jornalista usando esse termo depois, então isso é legal.

Clovis: Para terminar nossa entrevista, faço uma pergunta a todos meus entrevistados: Qual banda você acha que faria uma versão interessante de qualquer música do Europe?
Tempest: Uau, essa é interessante! Bem, acho que seria ótimo ouvir uma música do Europe pelo Queens of the Stone Age! [risos]

Clovis: Essa é uma ótima banda, com certeza.
Tempest: Claro! [risos]

Clovis: Joey, muito obrigado pelo seu tempo e pela sua música.
Tempest: Obrigado, espero vê-lo em breve, tchau!

Confira aqui informações sobre o show e nossa sugestão de estacionamento seguro.


Joey, Walk the Earth has been released two years ago. There are solid plans to record a new studio album in a near future?
Yeah, I mean, we are so happy with Walk the Earth, so we’ll keep touring next year on this album. It’s a great record to play live and we feel like we are in a good place as a live band at the moment. But we have started to collect new ideas for a new album. But touring right now is the most important thing. With Walk the Earth we’ve been already in Australia, we’ve been in Japan, Scandinavia, Europe, now coming to South America, we’ll go to Bolivia for the first time, and we hopefully will go to North America soon. We will continue “walking the earth” with this album and then we will record and release the next album. Hopefully next year, but maybe beginning of the following [2021].

This album is a kind darker than the previous ones, was that a conscious decision?
Not really, the last three albums Bag of Bones, War of Kings and Walk the Earth had just come automatically, we record quite quickly in the studio. We may write in four to six months. We move fast to the studio, we record live, we want to have that primal, that spiritual, that nerve, that feeling, that honest rock and roll feeling and it’s really important for all music to have that. So yeah, we are on a good role at the moment.

You said the band recorded the album very quickly. Is that a formula that worked for the band? And how was to record in Abbey Road?
Yeah, it’s a formula that works very good for us when we work with Dave Cobb as well, the producer. He’s a musician, and he’s almost like a band member now, he writes with us as well, we love have those explosive two weeks in a great studio, where everybody throws ideas in all the time, it’s really fast moving. Obviously we were well prepared, we’ve written for six months, we already had lots of ideas. But when everything comes together in those two weeks explosively, it’s really amazing. We sort of fix a few things and mix it, you know? It was amazing to record in Abbey Road, one of the reasons for me was because I live in London, so I could go home after the work, you know? Otherwise we used to record in Sweden or in America, we waited for a longer time, so that was nice. It’s a legendary studio, the equipment is amazing, they have all the equipment from The Beatles and Pink Floyd days, but they also have started to add new equipment, so you have anything you want in that studio.

Still about the composition process of the band, how did has it changed through the years? In the first albuns you composed almost all the songs, and now the band compose as well, how it has changed?
It changed through the years, because the other guys they have actually got better and better. They are great writers now, they are closer to me in that sense, because I always used to love writing songs. When we met they were more musicians and I was more of a songwriter, it was a great combination in those days, because I was very early on writing songs, so that was perfect. But these days it’s amazing to go into the studio where I can get an idea from Mic Michaeli, the keyboard player, or John Norum, the guitar player, or John Léven, the bass player. Everybody has great ideas and I sort of I run with it, I put some words to it, melodies, on how we play together, and that’s the difference. I used to love writing songs, and I still do, but now I like co-writing as well. Before in the old days I sort of write, do demos and finish songs myself sometimes. It’s more exciting when everybody is happy now.

You said the band have plans to keep touring next year. Have you guys thought about recording a new live album, since “Live at Sweden Rock” was released for a 6 years now?
Yeah, it was a while ago. Actually we do record pretty much every show we do and we started to film stuff around the world as well. So yeah, there will be hopefully something coming out. We’re just waiting for the right moment, the right shows, to get the right package. We are recording all the time and we’re now filming as well.

How the band will prepare the setlist for the shows in both Bolivia and Brazil? You will focus more on the current album or the band will show to the fans a kind of a “best of” setlist?
We do like to mix it up though, we really like playing live songs like “Rock the Night”, “Superstitious”, “The Final Countdown”. Those songs are great and we actually still love playing them, but also we have new favourites. We enjoy playing “Last Look at Eden”, “War of Kings”, and “Walk the Earth” is great to play, that song is amazing, there are these songs from these last three albums. So if the mixture that makes it happen, you know the Europe concert is the mix between the old and the new, with the crowd coming together. Yeah, it’s a good time for the band. The band is playing amazing as musicians, it’s great at the moment.

May we could hear something from Start from the Dark as well?
We haven’t had anything from Start from the Dark in a while. We’re going to do the setlist today. What we usually do is, we meet up like, we’ve just arrived in Brazil, so we’re gonna meet up today and talk about the setlist, we’ll e-mail a few suggestions around and then we sit down and decide. We don’t change our setlist so much, we change a little bit, from various places. There are song we love playing, and we have to play them, and then we have the songs that we know the fans like, we play some of those as well, but we’ll see what happens.

This is the band’s first time in Bolivia, what are the expectations for this show?
Well, it’s always fantastic to play countries for the first time, we love exploring the earth and go all different places. And Bolivia for us it’s very exciting to come and play. Obviously we’ve heard about Bolivia. We also talked to other bands that said “you should go and play there”. So we are happy it’s happening right now. What we know you know it’s a great place, you got your mountains, you got your desert, you got your rain forest, you got everything, you got beautiful views and mountains you know? It’s gonna be amazing to play in La Paz and Potosi as well because they are high up in the sky almost [laughs]. I called Potosi “sky rocket city” the other day, it seems to be sticking, there was a journalist using it again so, that’s cool.

To finish our interview, a question I ask to everybody: What band do you think would make an interesting version of any of Europe songs?
Wow, that’s interesting. Well, I think it would be great to hear an Europe song by Queens of the Stone Age! [laughs]

That’s a great band, for sure.
Yeah! [laughs]

Joey, thank you very much for your time and for your music.
Thank you, hope to see you soon, bye!

Foto: Divulgação/Promocional

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