[Cobertura] “Rocked with a Hurricane”: Mesmo com forte tempestade, Scorpions, Whitesnake e Europe fizeram ótimos shows no festival Rock ao Vivo

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Scorpions + Whitesnake + Europe
Pedreira Paulo Leminski
Curitiba/PR
18 de setembro de 2019

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Shows que reúnem grandes lendas do Rock em uma só noite tendem a se tornarem eventos lendários. O Rock ao Vivo, que contou com Europe, Whitesnake e Scorpions, na Pedreira Paulo Leminski, se encaixa nisso. Mas não apenas pela alta qualidade musical. A força da natureza mostrou sua força e expulsou uma banda do palco, e uma chuva torrencial se fez presente toda a noite.

Europe
O cronograma do evento era bem específico, com o Europe começando às 17h30 seu show. Nesse horário a Pedreira estava ainda um tanto vazia, mas o grupo sueco mostrou seu profissionalismo e se apresentou como se estivesse tocando para dezenas de milhares de espectadores. O simpático vocalista Joey Tempest é um frontman único, pois dança e agita sem parar, além de fazer poses milimetricamente estudadas, para alegria dos fotógrafos. O show abriu com um clima de curiosidade, afinal uma parcela considerável da galera conhecia mesmo apenas “The Final Countdown” e mais uma ou outra.

Europe (foto: Clovis Roman)

Duas faixas novas, do mais recente disco Walk The Earth, convenceram os curiosos: “Walk the Earth” e “The Siege”. Na sequência, veio a grande “Rock the Night”, que levantou a galera, assim como a pesadíssima “Scream of Anger”, momento sublime do repertório. Da segunda fase da banda, quando retornaram à ativa em meados da década passada, a espetacular “Last Look at Eden” foi o grande destaque, assim como a ‘sabbática’ “Nothin to Ya”. A balada “Carrie” teve um belo coro no refrão. “Ready or Not”, pérola do disco Out of This World (88), também brilhou.

Durante “Superstitious”, o público estava já entregue à Tempest e companhia. Então a tempestade mostrou sua força e literalmente varreu a banda do palco. Um vento forte se uniu a chuva, que logo se tornou queda torrencial de granizo. A banda mostrou uma garra absurda ao ficar no palco o máximo de tempo que aguentaram. Até que nada mais se conseguia ver do palco, devido a força do temporal. Apresentação abortada prematuramente por força maior.

O vocalista David Coverdale, do Whitesnake, estava em cima do palco, e filmou o momento em que tudo veio abaixo; o vídeo foi postado em sua conta no Twitter. O público se desesperou e saiu correndo em busca de proteção, invadindo barracas de merchandising, banheiros ou qualquer outro lugar que parecesse mais seguro. O show, obviamente, foi interrompido, e duas músicas foram limadas do repertório: “Cherokee” e o ultramegahit “The Final Countdown”.

Whitesnake
Passado o susto, foi necessário mais de uma hora para que a produção avaliasse os danos e a equipe pudesse limpar o palco. Uma quantidade absurda de pedras de gelo e água ali se acumularam. A decisão de continuar o evento foi um alívio para todos, e por fim, o Whitesnake subiu ao palco, abrindo com a explosiva “Bad Boys”. Por mais que a banda tenha músicos extremamente gabaritados, não tem jeito: Coverdale chama a atenção para si de maneira hipnotizante. O cantor, que na próxima segunda-feira (22/10) completa 68 anos, domina o palco com destreza ímpar, de maneira simpática e ao mesmo intimidante.

Whitesnake (foto: Clovis Roman)

Abrir com um clássico foi entrar em campo com o jogo ganho. E a goleada veio com as igualmente grandiosas “Slide it In” e “Love Ain’t no Stranger” logo depois. As duas músicas novas, do excelente disco Flesh & Blood, não fizeram feio em meio a clássicos como “Slow an’ Easy” ou “Here I Go Again”: foram elas a veloz “Trouble Is Your Middle Name” (que título genial) e a mais cadenciada “Hey You (You Make Me Rock)”.

Como as condições climáticas ainda não eram muito amigáveis, a banda teve de reduzir um pouco seu setlist. Assim, caíram duas músicas e os enfadonhos solos de bateria e guitarra. E isso, por incrível que pareça, fez o show ser de uma força tremenda. Como não houve tempo para partes mais mornas, que são os solos, todo o repertório de cerca de 1 hora foi intenso do começo ao fim, música após música sem muito papo furado. O próprio Coverdale disse em determinado momento que estavam tocando o mais rápido que podiam.

Um show memorável que foi encerrado com “Still of the Night”, sempre certeira, e “Burn”, do Deep Purple. Show inesquecível. Em tempo: As músicas eliminadas nessa noite foram “Shut up & Kiss Me” e “Give Me All Your Love”.

Scorpions
O grupo alemão Scorpions é uma entidade do Rock and Roll. Sua importância é inquestionável para o estilo, e é formidável vê-los na ativa após cerca de meio século. Mas pegar o público cansado e molhado, e depois de dois shows intensos e pesados, foi complicado. Mas os veteranos fizeram seu papel e ofereceram um show que teve uma qualidade de som inferior (quiçá pelas avarias causadas pela água), mas que teve bons momentos musicais, como “Make it Real”, “Coast to Coast” ou o medley dos anos 70 que reuniu “Top of the Bill”, “Steamrock Fever” (em uma versão particularmente feroz), “Speedy’s Coming” e “Catch Your Train”. Isso mais para o começo do show.

Scorpions (foto: Clovis Roman)

A apenas razoável “We Built this House” quebrou o andamento de maneira brusca, a canção é bastante fraca comparada com qualquer das outras tocadas antes. Algumas baladas juntas também amenizaram os ânimos. Mais para o final, porradas como “Blackout”, “Bad Boys Running Wild” (mesmo que dentro de um medley) e “Big City Nights” colocaram tudo nos eixos novamente. O encore veio com a indefectível “Still Loving You” e “Rock you Like a Hurricane”, título que soa um tanto infeliz diante dos acontecimentos da noite.

Foi uma noite a ser lembrada por vários motivos. A tempestade que interrompeu o show do Europe foi inacreditável, e mesmo assim o grupo mostrou uma garra absurda. O Whitesnake tocou quase o tempo inteiro debaixo de chuva, assim como o Scorpions e todos seguiram em frente com força e determinação. E isso é ainda mais louvável quando se percebe que são todos músicos veteranos, alguns deles próximos dos 70 anos. Apesar de assustadora, a noite de 18 de setembro também foi marcada pela ótima música. Um festival para entrar na história, afinal, certamente todos esses pontos citados serão lembrados pelos presentes para sempre.

REPERTÓRIOS

Europe
Walk The Earth
The Siege
Rock the Night
Scream of Anger
Last Look at Eden
Ready or Not
War of Kings
Carrie
Nothin’ to Ya
Superstitious

Whitesnake
Bad Boys
Slide It In
Love Ain’t No Stranger
Hey You (You Make Me Rock)
Slow an’ Easy
Trouble Is Your Middle Name
Is This Love
Here I Go Again
Still of the Night
Burn [Deep Purple]

Scorpions
Going Out With a Bang
Make It Real
The Zoo
Coast to Coast
Top of the Bill / Steamrock Fever / Speedy’s Coming / Catch Your Train
We Built This House
Delicate Dance
Send Me an Angel
Wind Of Change
Bad Boys Running Wild / I’m Leaving You / Tease Me Please Me
Blackout
Big City Nights
Still Loving You
Rock You Like a Hurricane

1 comentário em “[Cobertura] “Rocked with a Hurricane”: Mesmo com forte tempestade, Scorpions, Whitesnake e Europe fizeram ótimos shows no festival Rock ao Vivo”

  1. Concordo muito que a estrela da noite fez um show médio e achei muito egoísta colocarem solos e musiquinhas mornas pra um público que estava molhado, com frio, exausto. Pra mim, Scorpions perdeu a chance de aposentar a banda há uns 5 anos. Além do mais, todos aqueles efeitos visuais durante o tempo todo foram exaustivos, eu não conseguia mais olhar pro palco . Muito efeito pra compensar a fraca apresentação?
    Por outro lado, que show do Whitesnake! ! Aquilo sim é EMPATIA! Nos fizeram até esquentar!!

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