[Cobertura] Bon Jovi canta na raça e mostra carisma acima da média em Curitiba

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Bon Jovi
Pedreira Paulo Leminski
Curitiba/PR
27 de setembro de 2019

por Clovis Roman
Fotos: Caroline Hecke/Seven Entretenimento

O cantor John Francis Bongiovi Jr., americano com ascendentes italianos, adotou o nome Jon Bon Jovi em meados dos anos 80 e montou uma banda com seu nome: Bon Jovi. O sucesso mundial veio ainda naquela década, sendo mantida desde então, com seu som se adequando com o tempo às necessidades radiofônicas. O Hard Rock com refrões grudentos e belas melodias foram adquirindo contornos mais Pop, na medida para manter o grande séquito de fãs acumulados com o passar dos anos. Manobra consciente e acertada comercialmente, diga-se de passagem.

O cantor e sua banda estiveram na capital paranaense em 1995, em um show lotado na Pedreira Paulo Leminski, com um repertório recheado de clássicos. Quase um quarto de século mais tarde, a trupe, levemente diferente (o guitarrista original Richie Sambora partiu em 2013 e em seu lugar está Phil X) fez um show novamente com casa cheia, e no mesmo local. Entretanto, o repertório dessa vez balanceou mega hits com sons mais recentes, o que tornou a apresentação uma montanha russa.

Bon Jovi (foto: Caroline Hecke / Seven Entretenimento)

Sons como “Roller Coaster” (o trocadilho foi inevitável) e “Knockout” – essas do mais recente disco This House is Not For Sale, “Amen” ou “Lost Highway” foram momentos mais amenos, com empolgação moderada da galera. No meio dessas, entretanto, Bon Jovi foi intercalando sons devastadores como “Born to Be My Baby”, “You Give Love a Bad Name” ou “It’s My Life”, que mesmo com performances relativamente mais suaves que suas versões de estúdio, fizeram todos cantarem junto.

Mas nem todas as composições mais novas foram pontos baixos. Em “Whole Lotta Leaving”, Bon Jovi além de cantar também empunhou um violão Takamine. A canção, bastante suave, soou bem ao vivo, assim como “We Weren’t Born to Follow” e seu ótimo refrão. Única representante do mediano Burning Bridges, “We Don’t Run” também manteve a galera atenta. Mas nada que tenha chegado perto de “In These Arms”, cantada pelo tecladista David Bryan, “Bed of Roses” com Jon usando a passarela central para se aproximar do público da grade, ou até mesmo “Have a Nice Day”, simpático single do disco de mesmo nome.

Bon Jovi (foto: Caroline Hecke / Seven Entretenimento)

Quando o show começou a rumar ao seu final, a coisa engrenou de vez, pois a épica “Wanted Dead or Alive” foi apresentada de maneira ótima, e logo depois – após a inesperada “Captain Crash & the Beauty Queen From Mars” – veio “Bad Medicine”, um Hard Rock primoroso, cujo alguns versos foram cantados pelo percussionista Everett Bradley. No ‘bis’, outra grande surpresa: “I’ll be There For You” emocionou geral, em uma versão ainda maior que a original de estúdio (que tem quase 6 minutos). O encerramento definitivo, obviamente, veio com a fantástica “Livin’ on a Prayer”, onde Bon Jovi, já segurando a voz, jogou alguns versos para a galera.

Jon Bon Jovi tem 57 anos, e é claro que sua voz não é mais a mesma de tantos anos atrás. Mas ele é honesto consigo e com seu público, ao cantar na raça, sem uso (ao menos perceptível) de bases pré-gravadas ou de playbacks em geral. E quando aposta nos grandes clássicos, ele tem o público todo nas mãos. Até mesmo em sons menos conhecidos ou menos impactantes, ele é sempre o centro das atenções, pois demonstra estar se divertindo em tocá-las. Todos aqueles sorrisos que ele esbanja não podem ser apenas encenação. E todo seu trabalho e sua constante adequação é recompensado com shows ainda lotados em todo o mundo. Até mesmo em Curitiba, cidade onde poucos shows são sold out, Jon conseguiu colocar mais de 20 mil pessoas dentro da Pedreira Paulo Leminski.

REPERTÓRIO
This House Is Not for Sale
Born to Be My Baby
Lost Highway
Knockout
You Give Love a Bad Name
Roller Coaster
Whole Lot of Leavin’
We Weren’t Born to Follow
It’s My Life
In These Arms
Have a Nice Day
Keep the Faith
Amen
Bed of Roses
Lay Your Hands on Me
We Don’t Run
Wanted Dead or Alive
Captain Crash & the Beauty Queen From Mars
Bad Medicine
I’ll Be There for You
Livin’ on a Prayer

Abertura
A abertura do show de Bon Jovi em Curitiba ficou com um grupo que também tocou junto com ele no Rock in Rio, duas noites depois. Trata-se do Goo Goo Dolls, que obteve grande repercussão com uma de suas músicas no final dos anos 90, mas nunca mais emplacou outro grande hit. Não se trata de ser uma boa banda ou não, trata-se do fato do sucesso comercial ter sido pífio nesses anos todos. Ou seja, seria uma boa banda para fazer um show em uma casa fechada, para seus fãs mais fiéis. Tocando em uma grande arena a céu aberto, pegando um público de outro artista, não teve jeito: o show deles passou batido, exceto, claro, quando tocaram “Iris”.

Goo Goo Dolls (foto: Caroline Hecke / Seven Entretenimento)

A canção foi trilha sonora de “Cidade dos Anjos”, filme mediano lançado já há duas décadas. Seu videoclipe foi exibido a exaustão naquela época, mas como naquele tempo a música Pop tinha muita coisa boa rolando, logo o grupo ficou em segundo plano nas paradas, e nunca mais voltou. Eles são bons músicos, mostram dedicação em cima do palco, mas não funcionou. Claro, teve gente que curtiu e cantou junto o grande hit. Mas foi muito pouco. Que voltem para tocar em um espaço mais adequado e para um público próprio.

REPERTÓRIO
Big Machine
Slide
Indestructible
Here Is Gone
Black Balloon
So Alive
Miracle Pill
Name
Come to Me
Bringing on the Light
Stay With You
Better Days
Broadway
Iris

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