[Cobertura] Helloween arrasta multidão em Florianópolis e concentra repertório nos clássicos

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Helloween
Arena Petry
Florianópolis/SC
28 de setembro de 2019

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Essa é a primeira parte da matéria especial do Acesso Music sobre os shows de Scorpions e Helloween em Florianópolis/SC, no festival Rock ao Vivo. A segunda parte abordará o show do Scorpions, com várias fotos inéditas.

O Helloween pintou na América do Sul pelo terceiro ano consecutivo com sua Pumpkin United Tour, sendo a segunda passagem pelo Brasil. Na primeira, em 2017, lotaram duas noites no gigantesco Espaço das Américas em São Paulo, e também tocaram em Porto Alegre. E agora retornaram para seis datas, em uma tour inesperada. Como o guitarrista Michael Weikath nos contou em entrevista exclusiva, a banda planejava se reunir para começar a trabalhar no primeiro disco de estúdio após sua reunião, mas uma oportunidade como essa não poderia ser desperdiçada. O Megadeth faria esses shows, mas por motivos de saúde com o líder do grupo Thrash Metal americano, Dave Mustaine, tudo foi cancelado. O grupo germânico agarrou a oportunidade, que se mostrou uma grande oportunidade deles ganharem um novo público, pois tocaram com bandas como Scorpions, Whitesnake e Europe. Claro, o Helloween é uma lenda do Metal, precursores do chamado Metal Melódico, e tem uma fiel legião de fãs. Mas expor seu trabalho a outro tipo de público tem suas vantagens.

Helloween (foto: Clovis Roman)

E o fato de serem uma banda lendária ficou provado por A + B na apresentação que fizeram no festival Rock ao Vivo em Florianópolis, capital de Santa Catarina. A dupla Helloween e Scorpions tocou na Arena Petry, uma casa gigantesca que se assemelha a um shopping. O local tem vários andares espaçosos, opções de alimentação e instalações confortáveis e modernas. O som, praticamente em qualquer ponto, estava ótimo. Isso tornou a experiência do público ainda melhor. Mas a parte musical apresentada pelo Helloween em sua 1 hora de show foi o grande trunfo da noite. Entre o público, a concentração de camisetas deles era maior que do Scorpions. Muitas pessoas, em conversas informais, relataram que ali estavam primordialmente para ver o Helloween.

Para uma banda com cerca de 35 anos de história (considerando o lançamento do primeiro EP) condensar tudo em apenas 10 músicas é complicado. Mas tiraram de letra ao organizar o repertório apenas com grandes sucessos, sem invencionices. Nada de músicas questionáveis, eles mandaram apenas clássicos indiscutíveis, que ajudaram a moldar todo um estilo dentro do Metal. Outro trunfo foi não enfiar solos enfadonhos no meio: foi 1 hora ininterrupta de música. Em playback, a instrumental “Initiation” foi a trilha para a entrada triunfal do septeto, ovacionado de maneira empolgada pelo público, que de acordo com informações, chegou a algo em torno de 12 mil pessoas.

Helloween (foto: Clovis Roman)

“I’m Alive”, cantada pelo lendário Michael Kiske, foi a abertura, levando muitos às lágrimas sinceras. O vocalista, que gravou os dois discos Keeper of the Seven Keys na segunda metade dos anos 80, passou anos afastado do Metal, gravando discos Pop e não fazendo shows ao vivo. Seu retorno ao Helloween, banda que o consagrou e na qual entrou quando mal tinha completado a maioridade, parecia impossível. Ouvir a voz original deste clássico foi algo transcendental para os fãs, e certamente chamou a atenção daqueles que nunca se aprofundaram no trabalho do Helloween. Junto a ele estava Andi Deris, que entrou na banda quando Kiske saiu, em 1994, e desde então vem sendo o porta voz do grupo. A parceria super honesta de ambos é outro fator que emociona, afinal, é bom ver que a banda está ali pelo prazer de estar, não apenas por questões comerciais.

Outro colosso, “Dr. Stein”, veio a seguir, e era difícil se concentrar, de tanta informação visual que havia no palco. Além de todo o cenário e dos dois vocalistas, havia o guitarrista Kai Hansen, outro regresso após anos longe da banda que fundou; Michael Weikath, o maestro que conduziu a banda através de todos os seus registros fonográficos; assim como o baixista Markus Grosskopf, que está na banda desde sempre, e gravou todos os discos. Completam a formação o competente baterista Dani Löble, quase há 15 anos comandando as baquetas, e o guitarrista Sascha Gerstner, que entrou em 2002 e se solidificou como peça importante na engrenagem. Kiske comandou “Eagle Fly Free”, quiçá uma das mais melhores e mais famosas músicas do conjunto, onde Grosskopf também teve seu momento de destaque nos holofotes, em um interlúdio nas 4 cordas em meio aos solos de guitarra. Deris assumiu a frente em “Perfect Gentleman”, a primeira do repertório cuja qual ele gravou em estúdio. A canção, divertidíssima e até meio boba, rendeu bons momentos de interação do frontman – vestido com uma capa cafona e chapéu – com a plateia.

Helloween (foto: Clovis Roman)

Ainda antes de Deris ou Kiske gravarem suas vozes em disco com o Helloween, quem cantava era Kai Hansen. Do disco de estreia, veio “Ride the Sky”, uma viagem no tempo de volta a 1985, afinal a linha de frente do Helloween daquela época estava ali, claro, agora com a adição de Sasha. A voz rasgada, quase esganiçada de Hansen continua igual, e soa até melhor nos últimos tempos depois dele novamente ter deixado a função de vocalista em sua outra banda, o Gamma Ray. Agora ele só canta quando quer, e isso trouxe notável melhora em sua performance. A banda não parecia disposta a deixar o público perder a atenção do palco um minuto sequer, então emendou “A Tale That Wasn’t Right”, balada com tons altíssimos no refrão, onde Kiske novamente brilhou, cantando com uma técnica absurda. Deris entrou na segunda parte para um dueto, em resultado fenomenal, principalmente nas últimas repetições do refrão no final. A poderosa “Power”, do magnânimo The Time of the Oath energizou todo mundo após o torpor emotivo da anterior, e evocou os melhores coros de todo o set, com uma rápida diminuída no ritmo para a galera cantar junto. Algo breve, entretanto, já que o tempo da banda no palco era curto.

Helloween (foto: Clovis Roman)

A trinca final veio com “How Many Tears”, outra do debut, cantada pelos três vocalistas, em um dos momentos mais inacreditáveis de toda a noite. A composição, soberba, dispensa comentários, e foi a música que uniu as três vozes que o Helloween teve durante sua existência. Épico. Aberta com uma rápida instrumental regida por Hansen, “Future World” foi outra que atingiu o uníssono do público no refrão. E “I Want Out”, outra cantada em dupla, foi a derradeira de um show forte, coeso, que não amornou em um segundo sequer. O Helloween vive uma excelente fase, com uma harmonia quase palpável entre seus integrantes. O fato de estar com uma formação recheada, unindo eras diferentes de sua carreira é uma forma de celebrar seu legado. Em conversa informal, o vocalista Andi Deris revelou que a banda volta em novembro de 2020. Que as abóboras permaneçam unidas por anos, e que o Brasil seja sua rota obrigatória para todo o sempre. O Brasil ama o Helloween.

REPERTÓRIO
I’m Alive
Dr. Stein
Eagle Fly Free
Perfect Gentleman
Ride the Sky
A Tale That Wasn’t Right
Power
How Many Tears
Future World
I Want Out

1 comentário em “[Cobertura] Helloween arrasta multidão em Florianópolis e concentra repertório nos clássicos”

  1. Foi animal. Já tinha visto Scorpions, mas quando soube que o Helloween viria, já com ingresso comprado, quase tive um ataque. Duas das bandas que mais gosto, no quintal de casa… Inacreditável. Os shows foram perfeitos, não consigo nem dizer qual foi melhor, o ambiente, a casa… Foi perfeito.

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