[Cobertura] Brujeria faz show intenso e curto em Curitiba

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Brujeria
Jokers
Curitiba/PR
15 de novembro de 2019

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Anunciado há 6 meses, o show do Brujeria em Curitiba permitiu que o público comprasse seus ingressos com uma certa tranquilidade, com tempo hábil para juntar grana e tudo o mais. O resultado de toda essa antecedência foi casa cheia para a segunda visita do grupo mexicano à cidade, que rolou no Jokers. A primeira visita aconteceu em fevereiro de 2014, também com bom público, no finado Music Hall.

Dessa vez, entretanto, eles vieram com uma formação um tanto mais enxuta, com apenas uma guitarra. Com a saída de Jeff Walker (El Cynico), Shane Embury (Hongo), do Napalm Death e integrante do Brujeria desde o começo, assumiu o baixo. Para a guitarra, Anton Reisenegger, parceiro de Shane no Lock Up. Na verdade, toda a seção instrumental da banda é do Lock Up. Aqui, no caso, com o adendo de dois vocalistas, o mexicano Juan Brujo e o americano Henry “El Sangron” Sanchez.

Shane Embury (foto: Clovis Roman)

O quinteto atrasou para começar seu set, alegando questões técnicas. O fato é que quando começou “Cuiden a los Niños”, seguida de “La Ley de Plomo”, tudo virou detalhe. A galera começou a se quebrar sem piedade, o que dificultou o trabalho de quem tentou tirar fotos do meio da pista. Foi uma missão suicida. Como o repertório foi focado em músicas mais cadenciadas, onde os riffs pesados de guitarra se evidenciam, a roda virou uma carnificina, e por mais dicotômico que seja, tudo rolou na mais perfeita paz.

Brujeria tocando “Consejos Narcos” (foto: Clovis Roman)

Grandes hits por essas redondezas, “Brujerizmo”, “La Migra” e “Raza odiada (Pito Wilson)”, por exemplo, foram momentos de maior fúria, tanto do palco quando da galera. Em “Consejos Narcos”, uma fã subiu ao palco para manusear a placa com “Si” escrito de um lado, e “No” do outro. O sim e não fazem parte de todos os versos da canção, e tudo saiu bem sincronizado, mesmo tendo sido algo espontâneo. Mais fãs subiram ao palco na derradeira canção da noite, “Marijuana”, uma zoação da já zoada “Macarena”. O fim despojado serviu para balancear toda o peso das 13 canções anteriores. E ficou ainda mais curiosa tendo vindo logo após “Matando Gueros”, com sua letra violenta e sonoridade condizente com o tema.

REPERTÓRIO – BRUJERIA
Cuiden a los niños
La ley de plomo
Amaricon Czar
Hechando chingasos (Greñudo locos II)
La migra (Cruza la frontera II)
El desmadre
Anti-Castro
Marcha de odio
Brujerizmo
Ángel de la frontera
Consejos narcos
Raza odiada (Pito Wilson)
Matando güeros
Marijuana

Abertura
A primeira banda a tocar foi o Jailor, que subiu ao palco logo após às 21h. Sendo o primeiro ato, o quinteto de Thrash Metal dividiu seu repertório em duas partes: abriu e fechou com duas músicas de seu último disco, Stats of Tragedy, e no meio, mandou três composições ainda inéditas em disco, a saber: “Never Ending War”, “Works Bleeding in Black” e “Army of Ghost”. O debut Evil Corrupts ficou de fora dessa noite. Mesmo com várias mudanças de formação nesses mais de 20 anos, o Jailor ainda continua letal ao vivo.

REPERTÓRIO – JAILOR
Jesus Crisis
Human Unbeing
Never Ending War
Works Bleeding in Black
Army of Ghost
Stats of Tragedy
Six Six Sickness

Ottavio Lourenço, vocalista do Choke (foto: Clovis Roman)

O Choke é de Curitiba, porém uma parte considerável de seu catálogo é cantado em espanhol. Não à toa, “Consejos Narcos”, do Brujeria, costuma fazer parte do show deles. Nessa noite, tocando com os mexicanos, o quarteto tocou músicas de todas suas fases, de uma maneira tão coesa que fez músicas como tão díspares como “Hit of Violence” (com vocais mais guturais que a versão de estúdio) e “Slum Radio” andarem lado a lado. Do primeiro disco (2003) ainda rolou a excelente “Cannibal Holocaust”, e do último, Les Liquid Temps (2015), a mais groovada “Dystopia”.

REPERTÓRIO – CHOKE
Fuck Off
Zero Future
Represent Acción
Slum Radio
Cannibal Holocaust
Politika Independiente
Dystopia
Alianzas y Parejas
Hit of Violence
Latino Revolution
Apocalyptic Carnival

Necroterio (foto: Clovis Roman)

Por fim, o Necrotério, outra banda oriunda dos anos 90 do profícuo cenário de Death Metal da cidade. O grupo, nesses 25 anos de estrada, lançou algumas demos e splits, além de três álbuns de estúdio. Mas é ao vivo que o grupo mostra de fato suas garras, com a dupla de irmãos Emerson Lima (bateria) e Marcos Lima (guitarra), que levam o nome da banda desde sua fundação, o vocalista de longa data Mano Mutilated e o atual – e jovem – baixista Johnny Benson. Materiais mais recentes como “Spectral Abominations”, “Servant of Killing” e “El Carniceiro” foram bons momentos, mas na hora de clássicos como “Elemental” ou “Dying Inside of Death”, e claro, “Gory Days”, a galera se quebrou violentamente. E quem quase se quebrou foi Mano, que pisou em falso enquanto cantava “Laceration of Emotions” e caiu do palco, e quase lacerou a cabeça. No final, foi apenas um susto. A banda nem parou de tocar, e logo o vocalista assumiu seu posto.

REPERTÓRIO – NECROTÉRIO
Elemental
Spectral Abominations
Tears, Anguish and Pain
Gory Days
Servant of Killing
Laceration of Emotions
El Carniceiro
Splattered Heads
Dying Inside of Death
Handcuffs

O show do Brujeria deveria ter 20 músicas, e teve 14. Mesmo com a redução do repertório, o público conferiu um grande show, com bons números de abertura e organização a altura. Mais uma noite memorável da música extrema na cidade, que esperamos ser um indício de crescimento da cena Death/Grind em Curitiba e região. Aqui, temos muitas bandas boas e público para os grande grupos internacionais dessa linha. Basta a galera continuar comparecendo. Aí é bom para todos: para o próprio público, para os artistas e para os produtores. E para nós jornalistas também, afinal, é sempre muito satisfatório presenciar e registrar eventos de sucesso como esse.

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