[Cobertura] Blaze Bayley: Turnê dos sonhos teve repertório totalmente dedicado ao Iron Maiden

Nenhum comentário

Blaze Bayley
Wox Club
Pomerode
25 de janeiro de 2020

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

O vocalista Blaze Bayley é um guerreiro. Batalha há duas décadas em sua carreira solo, que já rendeu excelentes álbuns, como Silicon Messiah, Tenth Dimension e The Man Who Would Not Die. Ele, ao contrário de Paul Di’anno, trabalhou para afastar o fantasma de eterno ex-vocalista do Iron Maiden. Portanto ele tem mais que o direito de por o pé na estrada para celebrar seus dois discos que gravou junto a Donzela de Ferro. A Iron Maiden XXV Celebration Tour passou por um punhado de cidades brasileiras nas primeiras semanas de 2020. A catarinense Pomerode o recebeu, não pela primeira vez, no palco da Wox Club, que ficou lotada.

Absolva (foto: Clovis Roman)

Acompanhando Blaze nessa turnê está o grupo Absolva, que além de ser banda de apoio do cantor, também apresentou um set próprio, como abertura. Portanto, o grupo de Luke Appleton (baixista do Iced Earth, mas aqui, como guitarrista) executou um repertório enxuto de 9 músicas, sendo oito delas autorais e uma cover do Iced Earth. Essa, “Watching Over Me”, cantada por Luke, agitou a galera que já estava curtindo bastante. Vale citar que seu irmão, Chris Appleton, é o guitarrista e vocalista do grupo.

O repertório do Absolva focou no mais recente disco de estúdio, Defiance, de 2017. Dele vieram a faixa-título, “Life on the Edge” e “Rise Again”. Ainda houve espaço para “Legion”, que estará em Side by Side, que chega às lojas apenas em abril. O ritmo intenso das composições e a afinação de Chris realmente prenderam a atenção da platéia, que aprovou.

Blaze Bayley
Poucos minutos após meia-noite, os músicos retornam ao palco, agora para coadjuvar perante Blaze Bayley. O repertório do britânico foi idêntico aos outros shows dessa turnê, com 5 faixas de The X Factor e 6 de Virtual XI. A divisão parece um tanto estranha, afinal, o primeiro é comumente mais apreciado pelos fãs de Iron Maiden que o segundo. Claro que no palco o setlist fluiu de maneira incrível e o show foi intenso do começo ao fim. Mas quem sabe mais duas músicas no meio teriam aumentado a nota final. Por exemplo, “The Edge of Darkness” e “The Aftermath” teriam encaixado perfeitamente no conceito.

Preciosismos à parte, o show começou com tudo: “Lord of The Flies”, em seus primeiros segundos, já teve o cantor interagindo com o público, sendo respondido com um coro acompanhando a melodia de guitarra. Com uma camisa do Brasil, Blaze então cantou o épico “Sign of the Cross”, em uma versão levemente mais ligeira. Ele tirou a camisa do Brasil para entoar uma das canções mais subestimadas do Maiden: “Judgement of Heaven” se tornou gigante ao vivo, com a galera cantando junto o refrão lúgubre de uma composição pessimista que questiona o significado da vida e se a mesma vale a pena. O final da faixa foi estendido com um solo adicional não presente na versão original.

Blaze Bayley pega casa cheia em Pomerode (foto: Clovis Roman)

Foi curioso notar que boa parte dos presentes tinham na faixa dos 30 e 40 anos, ou seja, um pessoal que acompanhou o lançamento de The X Factor na época e possivelmente o criticou. O material de Blaze no Iron Maiden envelheceu bem. Tanto isso é verdade que até as canções de The Virtual XI cresceram muito e funcionaram bem ao vivo, vide “When Two Worlds Collide” e “Lightning Strikes Twice”, cujos versos iniciais foram cantados pela platéia, surpreendendo o cantor.

A performance de suas banda foi correta, com um bom trabalho das cordas e performance correta do baterista Martin McNee. Ele certamente não é como Larry Patterson (assista Alive in Poland e entenda), mas sua pegada reta e simplificada por vez ou outra deixou os sons um tanto mais magros. Certamente não é fácil tocar material gravado pelo gigante Nicko McBrain, entretanto, faltou um pouco de classe e pegada. Isso, todavia, não tornou o show vacilante, afinal, o repertório foi soberbo. E em sons mais arrastados, como “Fortunes of War”, essa pegada funcionou bem.

Blaze Bayley (foto: Clovis Roman)

Antes de “Virus” rolou um momento meio auto-ajuda, com Blaze falando coisas como “se eles disserem que você ou seus sonhos não são bons o suficiente, Blaze Bayley diz que eles [os sonhos] são! Eles [os que criticam]são o vírus“. A letra foi uma resposta às críticas da imprensa à ele em meados dos anos 1990, mas seus versos fortes podem ser interpretados como direcionados à sociedade como um todo. A performance foi suja e rápida, com direito a novo coro da platéia depois do solo, antes dos versos “The rats in the cellar, you know who you are“, que precedem o fim. Essa parte, inclusive, foi tocada ainda mais rápida que o resto. Outra que trouxe mudanças foi “Lightning Strikes Twice”, onde Blaze cantou o título da música no refrão uma vez a mais que a original, inclusive criando uma nova melodia ao declamar essas três palavras. No encerramento da canção, ele repetiu a dose. Algumas alterações de interpretação foram notadas, como que dizendo que ele pode brincar e celebrar seu passado na banda. Ele deixou um legado sólido, que apenas tardou para ser reconhecido e respeitado.

O hit “The Angel and the Gambler”, faixa duvidosa que foi single na época (1998), apareceu um uma versão revisitada, mais crua, sem os sintetizadores. O frontman brincou falando que se as pessoas gostassem da releitura, que contassem para todos, e que se achassem uma merda, que ficassem quietos. Nessa faixa, logo no começo, um fã mais exaltado etilicamente subiu ao palco e deu um mosh, algo totalmente sem sentido e desnecessário. O olhar de raiva de Blaze foi fulminante, seguido de um rápido discurso, bastante severo: “Esse é meu palco, não o seu. Esses são meus fãs, não os seus fãs. Se você acha que pode fazer melhor, volte no tempo“, vociferou o britânico.

Blaze Bayley (foto: Clovis Roman)

Passado o desconforto, a animação retornou com os singles “Man on the Edge” e “Futureal”, além da semi-balada “Como Estais Amigos”, que fala sobre a guerra das Malvinas e dos argentinos que perderam suas vidas nas batalhas; letra tocante e melodias carregadas de melancolia, ambas criadas por Blaze. Para o encerramento, em clima descontraído, uma cover que gravou com o Iron Maiden e virou b-side do single “Lord of the Flies”. Trata-se do clássico do UFO, “Doctor Doctor”, que inclusive o Maiden usa até hoje como prenúncio do começo de seus shows. Após falar repetidas vezes que ama Pomerode e o Brasil, Blaze e seus comparsas encerram a apresentação, que durou 90 minutos.

Blaze é um dos artistas que mais vem ao Brasil, e sempre apresenta shows de qualidade. Entretanto, essa celebração aos seu passado foi uma das melhores turnês que ele nos trouxe em anos. A quantidade de músicas (13) foi um tanto pequena, e caberia mais um par de canções. Mas em todo caso, foi um show forte e nostálgico, que fez jus à carreira do cantor de 56 anos.

REPERTÓRIO
Lord of the Flies
Sign of the Cross
Judgement of Heaven
Fortunes of War
When Two Worlds Collide
Virus
Lightning Strikes Twice
The Clansman
The Angel and the Gambler
Man on the Edge
Futureal
Como Estais Amigos
Doctor Doctor

GALERIA DE FOTOS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s