O sopro avassalador de Rafael Fesaro nos vocais

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É quase impossível não se entregar ao mosh quando ouvimos Rafael Fesaro, vocal do Último Sopro cantar, berrar e mandar guturais avassaladores no palco. Quem o vê cantando e pulando nos palcos, sente de perto a conexão que o músico tem com a banda e público, sendo sugado pela energia contagiante que o vocalista transborda em suas performances.

A frente de uma das bandas mais inovadoras da nova safra do metalcore e post hardcore no Brasil, que em breve lançará clipe e EP novo, Rafael Fesaro se estabelece como dos grandes nomes da cena, inovando com suas linhas vocais e não seguindo receitas.

Conversamos com o vocalista sobre a sua carreira, influências musicais, planos futuros e outras curiosidades. Confira!

Você e os integrantes do Último Sopro apresentam uma desempenho excelente no palco. Como que funciona a parceria de vocês como músico e amigos dentro da banda?
Tentamos levar um show impecável e completo, principalmente na execução das músicas, mas também com a performance no palco. Acreditamos que se queremos ver o público animado, batendo cabeça e tal, devemos ser os primeiros a fazer isso. Temos 6 anos de banda, então já aprendemos que a amizade ajuda a manter o clima mais leve e descontraído entre nós, e também facilita na hora de compor, pois já nos conhecemos há tanto tempo que a música sai no feeling. Só que, negócios a parte, também nos cobramos com horários, faltas ao ensaio e com comprometimento em geral. Não é apenas um hobby pra gente. Banda tem gastos mensais, investimentos em merch e assessoria, composição e gravação de álbum, clipe… É muita coisa! E precisa administrar direitinho pra gente não se perder.

Dentro do cenário do post hardcore/metalcore brasileiro, você costuma acompanhar bandas com trabalho autoral? E sobre as estrangeiras, alguma atual que tenha lhe
chamado a atenção?
Eu acompanho mais a Pense, que tá cada vez mais gigante na cena. Torço muito por eles, inclusive. Também ouço Aurora Rules, Ponto Nulo no Céu, Cefa, e algumas da cena que tocam por aí, como Maieuttica, Venore, Reckoning Hour, Circus. De fora, acompanho Architects, Dance Gavin Dance, A day to remember, Make them suffer, Veil of Maya… O post-hc e metalcore ainda demonstra muita versatilidade, não são estilos engessados, e é por isso que são meus favoritos.

Que dica você daria a músicos brasileiros amadores ou profissionais, que tem medo de tentar coisas novas em suas músicas?
Com tanta música disponível pra ouvir na internet, temos que mostrar algum diferencial, chamar a atenção nessa multidão, sei lá! As principais bandas da história conseguiram inovar em alguma coisa ou até mesmo criaram estilos novos. Eu tento não seguir muitas receitas, cantar do meu próprio jeito, fugir da mesmice. Talvez seja a receita.

Quais são as suas maiores influências musicais? Pra você qual é o maior frontman de todos os tempos?
Eu tenho muitas influências. Cresci ouvindo de tudo, conheço os pagodes anos 90 tudo hahah. Aerosmith, Slipknot, Linkin Park, Spineshank, Deftones, Hopesfall, Glassjaw, Dance Gavin Dance, August Burns Red, e mais uma infinidade de bandas. O maior frontman? Fred Mercury. Era incrível a energia do cara, e se já me arrepia e emociona assistindo a um vídeo em má qualidade sentado no sofá de casa, imagina sentir isso ali ao vivo? Surreal. Hoje em dia um frontman foda é o Dave Grohl. Carismático, toca de tudo, corre, zoa com o público. Um show completo. Ele é foda.

Como que vocês compõem em cima da sua linha vocal? Como se da seu processo criativo?
Geralmente é com alguma letra que eu já tenha pronta (ou parcialmente) e algum esboço de melodia e ritmo. A galera compra a ideia (ou não), aí começa o processo criativo. Assim é bom que dá liberdade de cada um fazer o que quiser na música. Mas por exemplo, em “contra o tempo”, a galera estava querendo criar uma música nova e eu não tinha letra, então criei ali, em mais ou menos 15 minutos e mostrei a ideia do ritmo. O pessoal ficou maluco e saiu tudo ali no feeling!

Como a música surgiu em sua vida?
Sempre gostei de ouvir música. Colocava disco, cd, fita cassete ou rádio pra tocar enquanto fazia dever de casa, arrumava o quarto, sei lá. Meu irmão cantava no coral dos Canarinhos e eu gostava de vê-lo viajando pelo Brasil através da música. Eu tentei entra pro coral aos 8 anos, mas fui expulso. Hahahaha Na adolescência, já “roqueiro”, eu queria montar uma banda. Ia pra casa de um amigo (Pablo Rammos) e lá a gente ficava gritando cantando de death, black a nu-metal. Com a prática fomos aprendendo as técnicas e pegando jeito na coisa. Aí surgiu uma banda, onde inclusive conheci um dos guitarristas da Último Sopro, Rodolfo Costa.

Qual a importância o estilo musical do post hardcore/metalcore tem em sua trajetória?
Eu sempre gostei de música com melodia, porque gosto muito de cantar limpo, mas também curto porradeira e gosto de soltar o gutural. Aí nesses estilos foi onde encontrei o meio termo sem me preocupar se a música tá ficando mais ou menos pesada do que o “aceitável” pelos amantes desses gêneros. Ah, além da versatilidade que falei anteriormente, que é o que mais gosto nesses estilos. Não é raro ver bandas que misturam pop, dubstep, entre outros ritmos ao post-hc/metalcore.

Tem algum show na história do Último Sopro. que você ache que foi o melhor show? Algum em especial que sempre lembrará?
Sim, o show no festival Solstício do Som, realizado no bar da Cervejaria Bohemia. Muita gente, pessoal cantando junto, uma troca de energia muito maneira. Realmente foi um show inesquecível.

Quais os planos da banda para 2020?
Estamos finalizando as composições pra fechar o EP novo. Em março já vamos gravar o clipe do nosso próximo single “Alto Mar”, que vem uma pedrada. Logo depois gravaremos o EP, e a previsão é de lança-lo no meio do ano. Depois disso é estrada e muito show por aí!

Foto: Assessoria/Divulgação

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