Guilherme Costa: Dissecando a obra do talentoso guitarrista mineiro

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Materiais gentilmente enviados pela Island Press

Guilherme Costa é um jovem guitarrista mineiro, que é ativo na cena daquela cidade tocando em grupos tributo. Em paralelo a isso, ele desenvolve seu trabalho autoral, que começou com um EP e chegou a estreia discográfica completa com o disco Light of Revelations. Abaixo, eu disseco ambos os trabalhos com resenhas detalhadas e não uma, mas duas entrevistas com o cara, em momentos distintos. Portanto, mergulhe na obra do talentoso músico:

por Clovis Roman

O álbum abre com “Fight Against Myself”, que traz os ótimos vocais de Gus Monsanto, que produziu o álbum e também o EP estreia do músico. O som, com forte acento de Rock Gótico, com teclados criando clima e base para a parte cantada sendo segurada pela cozinha, até a guitarra desenvolver um riff, que guia ao refrão melodioso e grudento. A seguinte é instrumental; “Bloody Wars” é um som de guitarrista para guitarrista, porém sem soar excruciante com demonstrações excessivas de técnica, afinal, há feeling e uma preocupação de soar homogêneo.

Outra prova que Guilhermes Costa pensou na consistência do trabalho foi mesclar sons com características diferentes. Portanto, não há três faixas seguidas mais ou menos na mesma linha. Dessa maneira, o ouvinte não cansa. E a duração do álbum em si, 32 minutos, é outro atrativo que serve de complemento à isso. Sendo assim, a terceira canção é “Inside My Mind”, um blues moderado, com um belo timbre de guitarra. A bela balada Hard Rock “Rising Star” é a segunda cantada, novamente por Monsanto, porém aqui em parceria com Jefferson Gonçalves.

Outra com pegada mais Hard Rock, porém aqui com mais energia que a anterior, é “The Sound of Hope”, onde as melodias de guitarra soam como se substituíssem melodias vocais, além claro, de solar bastante, mas sem exagero de velocidade. Como um interlúdio, “An Invitation to the Soul”, guiada por violões, abre caminho para a faixa título, a terceira e última com vocais. Monsanto mais uma vez entrega uma performance irrepreensível, em um Metal Melódico épico e veloz. Fãs de Sonata Arctica antigo, Stratovarius, Angra e afins, vão amar. Mesmo sendo a última, “Homeland” não se acomoda, e carrega em si influências de música brasileira, como o forró e o baião, em cima de uma base ‘hardeira’. É algo que ele pode explorar ainda mais em futuros lançamentos. Sua estreia em um álbum completo mostra toda a qualidade artística de Guilherme Costa.

Músicas
1. “Fight Against Myself”
2. “Bloody Wars”
3. “Inside my Mind”
4. “Rising Star”
5. “The Sound of Hope”
6. “A Invitation to the Soul”
7. “Light of Revelations”
8. “Homeland”
9. “Come on and Play” [bônus]
10. “The Beginning of a Journey” [bônus]
11. “The King’s Last Speech” [bônus]

Abaixo, uma entrevista atual (realizada agora em maio de 2020) com Guilherme Costa, via email, sobre seu CD. Logo depois, você confere uma resenha do EP The King’s Last Speech, complementada por outra entrevista que fiz com o artista, tendo como tema justamente esse EP, em 2019. Assim englobo aqui todo o trabalho de Guilherme Costa até o presente momento. Primeiro, a entrevista mais recente:

O disco tem três músicas com vocais, duas delas com Gus Monsanto. O fato dele ter produzido seu EP anterior foi um dos principais motivadores para convidá-lo a cantar em seu álbum?
Guilherme Costa: Foi sim, na verdade eu já tinha isso em mente a muito tempo antes mesmo da produção do EP, acho que ele ter produzido meu primeiro trabalho ajudou mais ainda a concretizar a ideia!

As letras das músicas em Light of Revelations parecem falar de dilemas pessoais, em um ponto de vista otimista, olhando para uma resolução. Quais suas inspirações para a parte lírica desse trabalho?
Guilherme: Várias vezes eu já tive que conviver com momentos de ansiedade que inclusive se tornaram obstáculos em algumas coisas na minha vida, principalmente com relação ao meu treino de voz que já venho fazendo a algum tempo. Todos esses acontecimentos foram inspiração para a canção “Fight Against Myself” pois muitas das vezes eu me enxergava realmente travando uma batalha contra mim mesmo. Light of Revelations faz uma metáfora ao autoconhecimento, que é algo que todos devemos buscar e quando encontramos, este se torna a solução de muitas de nossas enfermidades. De modo geral o disco retrata o conceito de dualidade, é como se em toda esta história “Fight Against Myself” fosse o problema e “Light of Revelations” fosse a solução (risos).

Rising Star é uma balada triste, tanto musicalmente quanto na parte da letra, que parece ser mais pessoal que as outras duas, devido ao tema. Como aquele caso em específico te afetou e qual sua relação com animais em geral? Você tem algum de estimação em casa?
Guilherme: Desde criança sempre tive animais de estimação e sempre tive um amor enorme por todos eles. O caso em específico que retrato na letra de Rising Star eu lembro de ter visto a notícia e a filmagem que foi divulgada nas redes sociais, muitas pessoas se revoltaram assim como eu e até hoje eu lembro disso e penso em como este e vários outros casos de maus tratos poderiam ter sido evitados. Eu e minha noiva temos um cachorro que demos o nome de Loki, nós o adotamos em 2012 através de uma feira de adoção realizada por uma ONG de Sabará/MG.

Os vocais nessa são divididas entre Jefferson Gonçalves e o Gus Monsanto. Como você chegou até o Jefferson?
Guilherme: Eu e Jefferson tocamos juntos nas noites de BH a alguns anos e desde então somos amigos bem próximos. Na época eu estava compondo as músicas do disco e um dia estávamos na estrada a caminho de um show no interior de MG e eu comentei com ele sobre as composições, por fim surgiu a ideia de Jefferson participar de uma das músicas e então no dia de gravar o disco nós fomos juntos para Petrópolis/RJ e colocamos a parceria em prática!

No release consta que “Fight Against Myself” tem sonoridade calcado no Grunge dos anos 90, mas essa canção em específico parece mais ser mais uma mescla de Hard Rock com Gothic Rock. Quais influências você de fato enxerga nessa composição, musicalmente falando?
Guilherme: Definitivamente meu carro chefe desta composição foi Alter Bridge, outra banda inspiradora também foi o Three Days Grace.

A faixa título “Light of Revelations” tem uma pegada totalmente calcada no Metal Melódico, remetendo a grandes nomes como Stratovarius e Sonata Arctica. Ela tem um diferencial por soar como uma música de banda, não um trabalho solo de guitarrista, por mais que as guitarras se destaquem bastante. Foi uma abordagem premeditada?
Guilherme: Sim. Eu me lembro de ter escutado o single da carreira solo de Edu Falaschi “The Glory of the Sacred Truth” e me inspirei muito nela ao compor “Light of Revelations”. Sempre fui fascinado por metal melódico principalmente a época do Edu no Angra e senti que precisava compor uma música que soasse de tal forma.

Qual sua relação com a música brasileira em geral? Pergunto isso pois esse elemento aflora na ótima instrumental “Homeland”, principalmente na forma de frevo e baião.
Guilherme: Eu estudo música brasileira a alguns anos e principalmente a bossa nova é um estilo que sempre venho usando como referência nas minhas aulas de harmonia. Ainda hoje eu venho traçando alguns ritmos brasileiros que ainda preciso estudar pois são muitos (risos).

As oito faixas originais do CD somam cerca de 31 minutos. Essa duração é bastante apropriada, pois não é muito curta, nem extensa em demasia. Houve uma preocupação consciente nesse sentido, de que as coisas não fossem mais compridas que o necessário? Ou apenas aconteceu de ser assim?
Guilherme: Sim. Na verdade o meu receio foi das músicas ficarem curtas demais, confesso que alguns elementos em algumas músicas precisaram ser cortados para que elas não ficassem muito extensas e soassem cansativas.

As três bonus tracks são as faixas do EP The King’s Last Speech. Você consegue traçar um paralelo entre elas e as músicas de Light of Revelations? Você enxerga diferenças sólidas entre elas ou o material mais recente é uma continuação daquilo que você havia apresentado no EP?
Guilherme Costa: Acho que todas as músicas têm influências em comum de guitarristas que possuem carreiras solo, sendo elas instrumentais e cantadas. Eu vejo o “Light of Revelations” como continuação do EP apesar dele ter soado bem diferente e mais rico musicalmente falando.

Quais são seus planos para o restante do ano, agora que estamos vivendo uma situação incomum, devido a pandemia?
Guilherme: Meu planejamento é aproveitar a quarentena para estudar mais coisas diferentes que até então não tive tanto costume, e se tudo der certo e voltar ao normal ainda este ano, fazer o evento de lançamento do “Light of Revelations”!


Registro de estreia
The King’s Last Speech é um EP do guitarrista Guilherme Costa, com três canções autorais e instrumentais. Sendo um disco nesse formato, é claro que há bastante virtuosismo sendo esbanjado, e nota-se claramente que o material foi desenvolvido para que o músico brilha-se. É um terreno pantanoso, entretanto, o talento do cara se sobressai e a trinca de canções soam todas muito agradáveis e funcionais. Com um ar meio Satriani, “Come on and Play” mostra Guilherme vindo e tocando pra valer, em um boa canção.

Bem menos agitada, “The Beginning Of a Journey” é uma balada razoável. É na verdade um acompanhamento moderado para que o guitarrista sole em cima. Tudo, ainda bem, feito com relativo bom gosto. O fato dela não ter assim tão longa (não chega aos 4 minutos) ajuda bastante. Um Malmsteen menos exagerado aparece em “The King’s Last Speech”, faixa que dá nome a esse trabalho. Essa é bem curta, inclusive, até demais. Poderia ter sido mais desenvolvida, pois apesar de ter uma estrutura meio similar à primeira, tem elementos sinfônicos bem legais.

Músicas
1. “Come on and Play”
2. “The Beginning of a Journey”
3. “The King’s Last Speech”

Por fim, uma entrevista que fiz em 2019 com o guitarrista, falando do EP, cujas três músicas saíram posteriormente também em Light of Revelations, como faixa bônus.

Você chegou a cogitar em usar algum “nome de banda” para esse seu projeto atual? Ou a ideia é mesmo ser um artista solo?
Guilherme: A ideia principal mesmo foi ser um artista solo, mas já havia pensado em um nome de banda algumas vezes também (risos).

E porque, após tocar em bandas de Metal você resolveu “caminhar por conta própria”?
Guilherme: Eu sempre tive muitos objetivos e ambições musicais que muitas das vezes se divergiam com meus colegas de banda, principalmente a forma de trabalhar para alcançar estes objetivos. Então depois eu pensei que se quisesse alcançar os objetivos que eu almejo, precisaria caminhar por conta própria mesmo.

Gus Monsanto produziu o disco, com mixagem e masterização por Celo Oliveira. Como foi o processo todo de gravação e concepção de “The King’s Last Speech”?
Guilherme: Foram 3 dias de gravação, durante as gravações o Gus e o Celo deram muitas ideias que contribuíram bastante para as composições e inclusive sou muito grato a eles por isso. Foram 3 dias de muito trabalho, mas com momentos de boas risadas também!

Como foi concebido e gravado o clipe da faixa “Come on and Play”?
Guilherme: Eu tive uma reunião com o Ricardo Assis da Big Boss Produções e mostrei minhas ideias para a produção do clipe da música, posteriormente o roteiro foi montado e então agendamos a gravação. Gravamos as cenas no Parque das Mangabeiras e na Praça do Papa em Belo Horizonte/MG, gravamos em dois dias sendo que no primeiro gravamos as minhas cenas e no segundo gravamos as cenas dos atores.

Você já está produzindo um álbum completo? Já tem composições inéditas? Tens precisão para lançamento.
Guilherme: Sim! O novo disco possuirá 8 faixas inéditas, inclusive foram gravadas novamente com a produção do Gus Monsanto e do Celo Oliveira. Sobre o lançamento, acredito que será no final do ano.

Será um trabalho voltado ao instrumental ou você pensa em ter vocais?
Guilherme: O disco terá 3 músicas cantadas e 5 instrumentais.

Como você enxerga o crescimento da música consumida por meios digitais, em detrimento ao material físico? O artista tem um retorno substancial em cima das vendas online?
Guilherme: Eu vejo que o consumo da música por meios digitais facilitou o acesso do ouvinte as suas músicas prediletas e por outro lado facilitou também a geração de renda do artista com suas composições. O artista tem um retorno substancial sim, principalmente quando falamos das plataformas digitais como Spotify, Deezer e iTunes. Cada vez que uma música é ouvida nessas plataformas, a receita é gerada automaticamente para os compositores da obra.

Essa pergunta faço a todos os meus entrevistados: Qual banda ou artista você acha que gravaria uma cover bacana de alguma de suas músicas?
Guilherme: Pensando bem pelas influências que eu tive nas composições, eu diria Joe Satriani, Paul Gilbert ou Kiko Loureiro.

Informações
Facebook: www.facebook.com/guilhermecostaguitar

Foto: Bruno Bavose/Divulgação

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