[Resenha] Guro estreia com disco bruto e repleto de críticas e observações

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Guro – Anticristo
(independente – coletivo de selos)

Material gentilmente enviado pela própria banda

Por Clovis Roman

O primeiro álbum completo do Guro, banda de Londrina/PR, chama-se Anticristo. O trio grindcore não poupa violência, como o título já sugere. Ele foi gravado no segundo semestre de 2019, na cidade natal dos caras, e conta com uma sonoridade boa no geral. Há algumas variações no timbre de guitarra, mas no geral é tudo homogêneo nesse sentido.

A abertura com “Grind Pop Freak” parece já avisar o conteúdo do trabalho, que em sua versão em CD conta com 23 faixas e 31 minutos. A faixa em questão abre já com um gutural solitário, e a caixa da bateria chamando a pancadaria, como o Napalm Death fez em algumas músicas com maestria. Ultrassônicas, “Morto” e “Horrorshow” tem duração abaixo dos 60 segundos, e antecedem “Anticristo”, que também não é lá muito maior. O riff de abertura dessa é um absurdo de bom, arrastado e agonizante, que claro, em determinado momento, deságua na ‘grindêra’.

O bacana do trabalho é que os vocais foram mixados um pouco mais abaixo que o normal, então eles soam como um instrumento a mais, e não simplesmente como “a voz”. É uma mescla interessante e bem pensada, ainda mais se considerarmos o timbre do vocalista. “Baskin” traz letra certamente inspirada no filme turco do gênero Horror, enquanto que “Athenesic” agride o cristão como agente dissipador de mentiras dissimuladas.

O trabalho chega a sua metade em “Otromsued”, a mais extensa do play (desconsiderando uma das faixas extras no final), uma música semi instrumental, pois tem apenas breves linhas vocais lá pro final, e tem em sua maioria trechos declamados de “O Louco”, de Nietzsche, em espanhol. Em tempo: Para entender o título dessa faixa, basta lê-lo de trás pra frente. Outra que vai na mesma pegada é “Recall”, que por sua vez, conta com citações de William S. Burroughs.

Outro ponto de êxito em Anticristo é que ele não apenas critica a fé cristã. Há letras com temas bastante variados, como “Açucar”, sobre o vício no doce; “Lata”, sobre o vício em crack de moradores de rua e “No Hope Coke”, na mesma linha, porém relativo a cocaína; e “Daughter of Satan”, uma das poucas em inglês, com letra inspirada em “Alucarda, La Hija de Las Tinieblas”, respeitado filme mexicano baseado em rituais de sangue e maldades afins.

Rondando a marca dos dois minutos, “Sádico” e “Suicídio” seguem caminhos relativamente congruentes, e encerram a audição regular do disco, deixando a certeza de que o tempo investido foi bastante proveitoso. Ambas tem essa coerência sonora por terem sido gravadas a parte do material prévio, em uma sessão ao vivo em estúdio, três anos antes. Como material extra da versão física, há duas covers. A primeira delas é “Hangar 18”, do Megadeth, cujo timbre de guitarra é bastante estranho e o instrumental em geral é mais minimalista. Em todo caso, o vocal gutural encaixou bem, e o solo desfigurado beira o noisecore. E os caras enfiaram uns blast beats na melodiosa parte final. A outra é “Idiot Parade”, do grande nome do grindcore, o Nasum. Aqui o negócio é mais parecido com o original, com exceção, obviamente, da timbragem e dos vocais.

Formado em meados de 2014, o Guro começou com Francisco Paiva na bateria e Guilherme Tavares na guitarra e vocal. Essa formação gravou uma demo e participou de uma coletânea chamada “Horrendous Grindcore Freak Compilation”. Com a saída de Guilherme, entram dois novos membros, Thiago Franzim (guitarra) e Eron Bueno (vocal). Como um trio, eles gravam um split com o Captain Three Leg (USA) e outro com o Cruel Face (esse em vinil 7”).

Músicas
1 – Grind pop freak
2 – Morto
3 – Horrorshow
4 – Anticristo
5 – Grindcuzão
6 – Baskin
7 – Athenesic
8 – Buried Alive
9 – Açúcar
10 – Necropolis
11 – Ascaris
12 – Otromsued
13 – Lata
14 – Daughter Of Satan
15 – Vazio
16 – No Hope Coke
17 – Cannibals
18 – O Ceifador
19 – Recall
20 – Sádico
21 – Suicídio
22 – Hangar 18
23 – Idiot Parade

Formação
Eron Bueno – Vocal
Thiago Franzim – Guitarra
Francisco Paiva – Bateria

Informações
Bandcamp: guro1.bandcamp.com
Facebook: www.facebook.com/gurodeath

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