[Resenha] Orthostat baseia disco em civilizações antigas e Death Metal

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Osthostat – Monolith of Time
Material gentilmente enviado por Sangue Frio Produções

por Clovis Roman

Formado em 2015, o Orthostat (de Jaraguá do Sul/SC) lançou uma demo e chegou ao seu disco de estreia em 2019, com Monolith of Time, um artefato que se encaixa no termo Death Metal, alicerçado principalmente pelo que foi feito no estilo nos anos 90, mas que também carrega em si um tanto de Thrash Metal, o que apenas dá ainda mais qualidade ao trabalho. O grupo o gravou como trio: David Lago (voz e guitarra), Rudolph Hille (guitarra) e Eduardo Rochinski (baixo), contando com o baterista Thiago Nogueira como contratado (o cara também cuidou da parte técnica e produção, junto a Lago). O trabalho teve apoio dos fãs via catarse.me, onde a banda angariou um valor que ajudou basicamente na metade dos custos de produção do CD.

Os minutos iniciais de “Ambaxtoi” trazem sons incômodos, com gritos desesperados unidos a riffs lentos e sorumbáticos, invocando os sons das profundezas do inferno. Quando a música em si começa, surge uma composição Thrash/Death, com vocais guturais cavernosos e relativamente baixos, o que na verdade fica bem melhor do que quando esses ficam acima do instrumental. Etimologicamente, a palavra “embaixador” deriva de “ambaxtoi”, termo galês que significa “aqueles que acompanham” um líder em uma guerra, quando se trata do povo celta. A canção já é velha conhecida de quem acompanha o grupo, pois também consta na demo Into the Orthostat (2016). Aliás, todas as 4 canções daquele registro estão aqui em Monolith of Time: “Incitatus”, “The Will of Ningirsu” e “Orthostat” completam a lista.

Mantendo a temática lírica, que em suma aborda civilizações antigas, “Qetesh” disserta sobre Qetesh, uma das deusas egípcias da fertilidade, êxtase e prazer sexual. Enquanto “Eridu” fala da cidade que, de acordo com a mitologia suméria, é a mais antiga do mundo, e que foi abandonada após milênios de uso intenso, seis séculos a.c. Musicalmente, ambas apostam no Death Metal com riffs em profusão e bateria variada, dando mais dinamismo aos sons. Há também boas passagens mais lentas e macabras, que somam nessa questão.

Um Death cadenciado é apresentado em “Incitatus” (Impetuoso), sobre o cavalo homônimo daquele demente chamado Calígula, que chegou a nomear o animal como cônsul da Bitínia, na época província romana, localizada onde hoje fica a Turquia, a noroeste da Ásia. O cara era desvairado, cruel e polêmico, um déspota cuja essa atitude foi considerada uma afronta ao senado e as instituições. Um cenário que se relaciona diretamente a líderes contemporâneos de grandes países.

Com uma rápida intro com barulhos de conversas, “Baetylus” dá um passo a frente na parte técnica, com bastante peso e destreza dos músicos, em uma peça que emana peso nas partes compassadas e agressividade nas velozes, onde o vocal se apoia. A letras é sobre pedras sagradas, cujo nome, oriundo das línguas semíticas, significa “house of god”. Entretanto, esse culto e adoração incomodou a vertente mais cristã e despertou a ira de Santo Agostinho, um dos considerados precursores da igreja cristã. Vale citar que na mitologia grega, esse termo era referência específica ao Omphalos, cujo termo significa umbigo (navel), e é tema da canção Omfalos, do fantástico grupo Krux, de Leif Edling (Candlemass). O álbum segue com “The Will of Ningirsu”, sobre o antigo deus mesopotâmico, e segue com o épico “Tezcatlipoca”, sobre o deus asteca onipresente e onipotente, o deus do céu noturno e da memória, e seu nome é relacionado com a leitura do futuro em obsidiana, uma espécie de vidro vulcânico. A composição é extensa, com mais de nove minutos de duração, e reúne diversas passagens de maneira contínua, resultando numa colossal música que se destaca, e é, de longe, a melhor de todo o álbum. Na segunda metade da composição, há uma quebra no andamento, que é retomada aos poucos, tendo como fundo um sample de “Synphoniaci”, uma antiga canção romana, executada pelo grupo italiano Synaulia. Ouça no Spotify.

O encerramento vem com a música que dá nome a banda Orthostat, seguida de dois registros ao vivo como bônus, uma é “Ambaxtoi” e a outra é “Orthostat”, que traz em sua intro um trecho de “Tezcatlipoca”. Claro que são faixas extras, com qualidade inferior, mas valem como registro histórico. No geral, Monolith of Time conta com composições longas, que rondam os seis minutos médios de duração. Mas como o som é abrangente, bem executado e estruturado, a produção é igualmente ótima e ainda há o acréscimo da bastante interessante questão lírica, a audição é um deleite. Agressiva e barulhenta, claro, mas ainda bastante agradável.

Músicas
1. Ambaxtoi
2. Qetesh
3. Eridu
4. Incitatus
5. Baetylus
6. The Will of Ningirsu
7. Tezcatlipoca
8. Orthostat
9. Ambaxtoi (Live at SESC, 2017)
10. Orthostat (Live at Delinquentes Bar, 2017)

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