Acesso Geral – 02

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O Acesso Geral é a seção do Acesso Music onde fazemos um apanhado geral de discos que chegam até a gente. Esse compilado traz resenhas um pouco mais concisas, mas que ainda assim se aprofundam na música e nos elementos que a compõem.

Hoje abordaremos quatro grupos que nos contataram recentemente, com todos tendo algo em comum: a qualidade musical! Vamos lá com Anguere (SP), As Dramatic Homage (RJ), Acrostica (SP) e Korvak (PB).

por Clovis Roman

Acrostica – Discórdia

Discórdia é o trabalho de estreia desse grupo de Diadema/SP, que alega fazer um som “mesclando metalcore, deathcore e groove metal com música sinfônica e algumas pitadas de música eletrônica”. Apesar da definição abrangente, o título das faixas remete a algo Doom Metal, vide nomes como “Içado Pelos Passos Que Temos Apagado”, “Aceito A Ascensão Como A Morte De Meus Sonhos” e “Ofensiva Torpe De Uma Fera Raivosa”. E sim, o nome Acróstica não é por acaso: as letras são escritas em acróstico, ou seja, a primeira letra de cada frase das músicas formam justamente o seu título.

As músicas são extensas, os arranjos são pesados mas bem variados, com teclados criando camadas e melodias, com vocais guturais e mudanças incessantes de andamento. A música que abre o trabalho, “Dentre Aqueles Que Ainda Tem Esperanças”, reúne tudo isso e as referências estilísticas que eles citaram: Tem Metalcore e variações, com aqueles riffs quebrados característicos, tem aquela pegada Emocore, tem batida eletrônica e orquestrações pomposas. As duas mais enxutas, “Cruzando O Limite Da Insanidade” e “Ofensiva Torpe De Uma Fera Raivosa”, são os grandes destaques.

O som groovado do quinteto deve agradar a galera do Deathcore e quem sabe pode atingir o pessoal que curte Epica e similares. As canções poderiam ser um pouco mais curtas, ao menos alguma delas, afinal elas tem em média mais de seis minutos cada; a última tem mais de 11! Não tem nada de ruim no trabalho, mas uma lapidada – além de dar um um upgrade nas guitarras base, meio parecidas entre si – pode render ainda mais no futuro. Trabalho interessante da garotada, vale uma conferida!

Spotify: open.spotify.com/album/41gBZ4mR7qsbcIK7fjlKqH
Soundcloud: soundcloud.com/acrostica
Informações: www.facebook.com/acrostica

As Dramatic Homage – Praxis

Os cariocas do As Dramatic Homage estão há mais de duas décadas na estrada, e nesse tempo todo, lançaram alguns singles e EPs, além de um álbum completo – Crown, de 2012. O mais novo registro do grupo é o mini EP Praxis. A abertura com “Isrs” é guiada por um belo dedilhado de violão com uma camada minimalista de teclado ao fundo. Ela não se une a faixa título a seguir, entretanto. São duas músicas com começo e fins distintos. Seu título vem do acrônimo de “Inibidor seletivo de recaptação de serotonina”, uma classe de medicamentos de fins antidepressivos, normalmente para casos menos graves/profundos.

A similaridade é a pegada acústica, já que ambos supracitados instrumentos são protagonistas também em “Praxis”, que aqui conta também com a voz de Alexandre Pontes. O som remete a coisas como Anathema (da época do A Fine Day to Exit) e por consequência, Pink Floyd, e até mesmo Empyrium. São excelentes referências. Essa música em questão não é inédita, afinal, foi gravada em 2015 e lançada no ano seguinte no EP Enlighten, de 2016. Ambas suas versões são bastante similares. O título é uma palavra grega que significa prática. É a ação que se opõe a teoria, e é um termo estudado em diversos ramos da filosofia e psicologia. A letra reflexiva, que sugere caminhos, caminha a partir desse conceito.

Ao lado de Alexandre, que também gravou as cordas, Leonardo Silva é creditado nos teclados e Pedro Ramos, que também compôs a abertura. Que esse trio, unido a outros músicos – ou não – providencie o quanto antes um novo trabalho desse excelente nome do cenário carioca, que felizmente opta por fazer música de qualidade, sem ter que apelar para a barulheira desconexa e com letras primárias, artifícios tão comuns por aí. Bandaça!

Reverbnation: www.reverbnation.com/asdramatichomage
Bandcamp: asdramatichomage.bandcamp.com
Facebook: www.facebook.com/AsDramaticHomage

Korvak – Korvak

Após dois EPs e oito anos de estrada, chegou, no final de 2019, a hora do disco de estreia do Korvak (Thash Metal), oriundo de Campina Grande/PB. Eles se juntaram ainda bem jovens, em 2001, quando tinham entre 13 e 15 anos e tocavam covers de grandes bandas. Em 2013 o nome atual foi adotado e passaram a brutalizar o som e apostar em composições próprias. O álbum, auto intitulado, tem gravação bastante satisfatória e oito músicas bem estruturadas e tocadas. É uma excelente estreia.

Como manda a cartilha do estilo, “Pandemonium” tem uma longa sessão instrumental no começo, levando quase dois minutos para os vocais entrarem. Esses são bastantes rasgados, e se encaixariam até numa banda de Death Metal. Outra extensa é “Mind Malefactor”, com partes instrumentais muito empolgantes, agregando influências externas ao thrash sem, entretanto, perder a pegada e a raiva característica do estilo. A abertura percussiva de “Eagle Death” corrobora essa teoria. Essa, aliás, conta com passagens melódicas memoráveis, que alicerçam o psicodélico solo, que soa como um Chuck Schuldiner após ter uma overdose de Pink Floyd.

Assim como a intro “Hybris”, “Empty Soul” é guiada por um violão dedilhado, que invoca um clima de tensão, que se permanece durante toda a faixa. Mas o grande trunfo aqui é o épico “The Hydrocyclone (Part I – Apex, Part II – Vortex)”, um colosso instrumental com mais de 11 minutos, que envolve e não cansa. A parte doidona no meio lembra Primus e é simplesmente genial. A mais básica “Maniac” encerra o tracklist regular, que se despede de vez com “Dyke”, similar e oposta a introdução, como um contraponto.

A capa traz um homem ferido, caindo, com uma mala cheia de grana e uma bíblia aos seus lados. As páginas do livro e o dinheiro estão sendo sugados por um vórtice cujo núcleo é um olho. As letras também entram nessa espiral e ajudam a entender a gravura. Basta ler, por exemplo, “Mind Malefactor”, que critica a criação de legião de idiotas pelas corporações religiosas (ou outras de massificação), ou “E.O.D. (Empire of Dust)”, que vai na mesma pegada. “Maniac”, por sua vez, soa como uma narrativa a parte. Ou seja, não é um álbum temático, mas tem canções que se relacionam. Influências de Testament, Metallica antigo e Anthrax, mesclado a algo de Heavy tradicional e um toque de anos 70 são os principais elementos do som da Korvak. Excelente.

São sete músicas de fato – sem considerar a intro e o outro, ambos, inclusive, composições de Jorge Ribbas – em um CD que fica perto da marca de 50 minutos de duração. São composições longas, mas que não cansam.

Spotify: open.spotify.com/album/718suJjuertwsvQBOBMq3l
Facebook: www.facebook.com/korvakthrash

Anguere – Castigo

Praticando um Thrash/Hardcore, o Anguere, grupo de Rio Claro/SP, lançou esse ano o EP Castigo, com 4 faixas próprias. Desde sua formação em 2008, eles tocam “um som raivoso e agressivo”, e nesse novo registro, que marca a estreia de uma nova formação – com Thiago Soares (vocal), Cleber Roccon (guitarra) e Pedro Amaro Giachetti (bateria) – não seria diferente. As composições são curtas, com vocais gritados e naquele andamento mais lento que enfatiza ainda mais o peso.

A maior música é a abertura “Zé Pequeno”, sobre o personagem do cultural filme Cidade de Deus, repleta de palavrões e raiva, com samples do referido longa metragem. Com uma tímida parte percussiva no começo que remete à música brasileira, “Você Não Sabe de Onde Eu Vim” é outro esporro sonoro e ácido, beirando o Death Metal em algumas passagens. Também com algumas brasilidades sonoras na parte percussiva, “Olho Gordo” mantém a ira em alta, com mais uma letra bruta – os versos “Faz o seu e esquece nós um pouco, sai pra lá filha da puta olho gordo” sintetizam bem a ideia. Como faixa bônus, gravada em outra sessão estúdio, “Chacina” (que conta com outro baterista) é mais um bom petardo.

Esse é o melhor trabalho dos caras, disparado. Os sons mais diretos ao ponto foram uma grande sacada. Em registros anteriores havia muitas músicas mais compridas, mas a fórmula atual funciona bem mais. O EP é bom demais – a qualidade sonora aqui também é bastante superior ao passado – apesar de não chega a marca de nove minutos. Que venha logo um álbum completo, que se tiver o mesmo pique dessa prévia, vai concorrer fortemente nas listas de melhores do ano. Porrada!

Site: anguerehc.wixsite.com
Facebook: www.facebook.com/AnguereThrash
Spotify: open.spotify.com/artist/29ZgoYv2XFxJ60j6yxyykw
Bandcamp: anguerehardcore.bandcamp.com

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