[Resenha] Dio, o maior ícone do Heavy Metal

Nenhum comentário

por Clovis Roman

Escrito por James Curl, Ronnie James Dio: A História de um Ícone do Heavy Metal, recebe sua primeira versão em português, pela editora Estética Torta. O livro que saiu originalmente em 2018, conta em mais de 200 páginas com texto e imagens, a história de um dos maiores vocalistas da história do Heavy Metal. Seu estilo único de cantar e o poder de sua voz, além de sua personalidade, marcaram gerações no Rock e no Metal, através das bandas Elf, Rainbow, Black Sabbath/Heaven & Hell e também em sua excelente carreira solo.

A trajetória de Dio começou ainda nos anos 50 e se seguiu pela década seguinte com o músico como baixista e vocalista em suas bandas, e na época do grupo ELF já atuava apenas como cantor. Com o passar dos anos Dio mergulhou de cabeça no peso cada vez mais proeminente no Rock and Roll. Ao brilhar no ELF, chamou a atenção do guitarrista Ritchie Blackmore, que na época estava insatisfeito com os rumos que o Deep Purple estava tomando. O som estava cada vez mais funkeado, influência trazida pelo novo baixista Glenn Hughes. Blackmore, por sua vez, queria tocar Rock and Roll de qualidade. Então saiu para gravar seu primeiro álbum solo, e convidou Ronnie para cantar. Foram três álbuns com o Rainbow e shows memoráveis, mas divergências quanto aos objetivos comerciais tiraram Dio do grupo ainda nos anos 1970.


Aparição de Dio no desenho South Park

Mas logo ele encontrou outro gigante do Rock para se aliar: Tony Iommi estava a procura de um novo frontman para o Black Sabbath, e encontrou em Dio a pessoa perfeita. Assim saiu Heaven and Hell, um dos melhores álbuns da história do Metal, que colocou a banda no topo, reforçando sua credibilidade. Nessa época o ‘chifrinho’ que Dio fazia com as mãos se efetivou como símbolo de todo um estilo musical. Mas apenas mais um álbum de estúdio a coisa degringolou – e o motivo não foi apenas um. Dali para a frente o Sabbath caminhou tropeçando o resto da década, enquanto que Dio explodiu com Holy Diver e Last in Line, dois registros perfeitos, com uma banda empolgada e composições coesas. No fim dos anos 1980 e a entrada da década seguinte, estilos menos refinados se tornaram as modas do momento e Dio enfrentou momentos de menos sucesso, com shows mais modestos, bem diferentes das produções nababescas e palcos imensos do passado. Mas ele se manteve como uma figura importante do Metal, consolidando seu status de lenda. Ainda deu tempo dele dar mais uma passada pelo Black Sabbath, que rendeu o espetacular Dehumanizer, cuja turnê inclusive passou pelo Brasil.


Dio com o Black Sabbath no Rio de Janeiro, em 1992.

Nos arredores da virada do milênio, virou tema de uma canção de Jack Black (o ator e suposto comediante) de sua banda Tenacious D – a música se chama “Dio” – e depois ainda apareceu ridículo filme The Pick of Destiny, interpretando… ele mesmo! Também foi personagem no escrachado desenho South Park, porém, diferente de outros artistas que eram zoados, ele foi retratado de maneira reverencial. Os álbuns Mágica e Killing the Dragon tiveram bom retorno, e Dio veio mais algumas vezes ao Brasil, tanto em carreira solo como com o Heaven and Hell (o Black Sabbath com outro nome). Com esse grupo aconteceu sua última visita ao país em 2009. Em 16 de maio daquele ano ele fez o segundo de dois shows sold out no Credicard Hall. Exatamente 365 dias depois, ele viria a falecer.


Participação no filme The Pick of Destiny.

O cantor estava planejando uma nova tour solo, após alguns anos se dedicando ao Heaven and Hell, mas no meio dos ensaios a coisa piorou e então começou sua luta contra um tumor. Nessa parte, o livro narra o que se passou sem apelar para o sensacionalismo. Mas é impossível não se sentir tocado com o trecho em que Claude Schnell, tecladista e grande amigo, se despede do vocalista. É emocionante e sincero.

Há muitos depoimentos durante toda a narrativa, primordialmente de músicos que tocaram com Dio, o que constrói uma ótima contextualização e alicerça bem a história, pois ela é contada com a ajuda de quem a escreveu. Há também inúmeras declarações do protagonista, o que endossa e credibiliza ainda mais o conteúdo final. As últimas páginas contam com diversas fotos de toda a carreira de Dio, desde os primórdios, nos anos 50.

Há menos fotos do Black Sabbath, por ser esse o grupo mais bem retratado desde sempre. Há mais espaço para fotos super antigas ou outros momentos da rica história de Dio. A última imagem do livro é outra parte que carrega em si uma tremenda carga emocional. Fãs têm a obrigação moral de comprar esse livro, assim como qualquer apreciador de Rock e Metal, pois é aqui retratada uma das mais vitoriosas carreiras. O livro está a venda em www.esteticatorta.com.br

Foto: AP Photo/Keystone, Sandro Campardo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s