[Resenha] Punk Faction: livro relata dilemas e angústias de punks britânicos

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por Clovis Roman

Punk Faction é um romance punk baseado em música e agressividade, servindo de análise e crítica social, ambientado na pequena cidade de Yorkshire, distante mais de 300 quilômetros de Londres. O livro foi escrito por Marcus Blakeston, veterano autor britânico especializado em temas marginais. A versão nacional é da Editora Denfire, que entrega um material com boa qualidade de papel e impressão, e com preço bastante convidativo – 30 reais com frete incluso.

A trama se desenvolve na Inglaterra de 1982, envolta na Guerra das Malvinas contra a Argentina. A vitória, conquistada após cerca de mil mortes, sendo a maioria de sul-americanos, impulsionou a manutenção da primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher no poder no ano subsequente. Enquanto isso, nas páginas do livro, os amigos Colin, Brian e Stiggy vivem a vida que se imagina de um grupo de punks com empregos risíveis ou amparados por seguro desemprego: ouvindo música, fazendo bagunça e ingerindo bebidas ou cheirando cola. As brigas também fazem parte da narrativa, sendo uma treta em específico o fio condutor. Tudo começa com Colin levando uma surra desconcertante de Trog, dentro do banheiro de um pub. O agressor é um skinhead, que estava em um mal dia e descontou no rapaz de moicano toda sua raiva momentânea.

Os dilemas e momentos de tensão são abordados e desenvolvidos a partir disso. A contenda é explicada mostrando os pontos de vista de ambos os subgrupos. Mais violência se segue. Quando a banda favorita das duas turmas se apresenta numa cidade nas redondezas, há um iminente prenúncio de problemas ainda maiores. Todos à margem da sociedade, eles enfrentam problemas com autoridades e familiares de maneira regular, humanizando os personagens ao mostrar que eles também carregam suas angústias, e que as extravasam de maneira agressiva.

Há também muito sobre música, com os personagens travando diversos diálogos acerca de diversos grupos e dos lançamentos em vinil daqueles tempos. Mesmo que o punk ou o hardcore não sejam a sua praia, o livro é bastante agradável, daqueles que você senta para ler e acaba lendo tudo em uma só tacada. A história volta e meia te coloca dentro dos cenários, afinal, é impossível não se sentir no meio do público na casa de shows The Maples, levando golpes e empurrando uma massa disforme de punks, na parte que narra a apresentação da banda fictícia Cockney Upstarts (seria uma referência clara e direta ao Cockney Rejects?). Para enriquecer de detalhes, há também leves inserções de flertes dos personagens principais com algumas garotas, que acabam por ter papel importante no decorrer dos acontecimentos. As intervenções da polícia e até mesmo de parentes mostram como a sociedade tende a reagir com agressividade e desprezo àquilo que teme, o que acaba se relacionando com o próprio comportamento punk.

A versão nacional de Punk Faction recebeu uma nova capa, tendo a bandeira da grã-bretanha como fundo, pintada em madeira imperfeita. A ilustração é muito bonita, e está anos-luz da capa original, que consiste um uma simplória foto em tons de cinza de um punk. A capa brasileira diz muito mais. O livro está à venda através do site da Editora Denfire.

Capa: Reprodução livro

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