[Resenha] Ruins of Elysium – Amphitrite: Ancient Sanctuary In The Sea

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Por Clovis Roman

O grupo Ruins of Elysium é oriundo de Minas Gerais, e Amphitrite: Ancient Sanctuary In The Sea é seu terceiro álbum. Os anteriores são Daphne (2016) e Seeds of Chaos and Serenity   (2017). O hiato de quatro anos não foi proposital, mas acabou sendo proveitoso para o grupo, que refinou composições e processos de produção, entregando ao público um álbum amplo musicalmente, com uma vastidão de sonoridades e abordagens. Tem até um rap no meio da pesadona “The Ocean is Yemanja’s”, uma colaboração da rapper trans Zaiiah.

O Ruins of Elysium não quer que seu ouvinte fique em uma zona de conforto: “Alexiel – An Epic Lovestory” vai dos ares eruditos à blast-beats do black metal com uma naturalidade rara. Fãs de Rhapsody e Blind Guardian vão amar os coros e toda a pompa sonora, que é abrilhantada com a participação especial de Melissa Ferlaak (Plague of Stars, ex-Vision of Atlantis). Por sua vez, “Belladona” investe mais nas velozes partes de bateria e nas guitarras climáticas, que se opõem ao mesmo tempo que se mesclam naturalmente às vozes operísticas de Drake.

Faixas como “Leviathan” e “Oceanic Operetta” são mais densas, como uma trilha sonora de um filme fantasioso, envolventes, principalmente a segunda, que é um interlúdio que antecede “Atlas”, um symphonic que começa com uma grandiosidade furiosa, prendendo a atenção do ouvinte. A utilização de um tenor como voz principal aumenta ainda mais suntuosidade do álbum. É uma abordagem pouco comum, e aqui, feita com maestria, traz resultados extremamente positivos. Uma faixa que surpreende é “Okami, Mother of The Sun”, com temática oriental e participação de Foxx Salema, que canta alguns versos em japonês.

Com um trampo de guitarras mais voltado ao heavy/prog, “Cathedral of Cascades” direciona o ouvinte ao encerramento, com “Canzone Del Mare (Canção Do Mar)”, um épico de quase nove minutos, com todos os elementos ouvido até então unidos de maneira coesa e claro, magnificente. O álbum se encerra após 73 minutos, deixando o ouvinte um tanto desnorteado, com uma sensação de ter feito uma viagem a terras e eras distantes. 


As músicas são longas, em média seis minutos de duração. Elas mesclam sonoridades bastante abrangentes, que convergem em um som pomposo, chamativo e até mesmo excêntrico. Não há muito espaço para estruturas simples, o negócio aqui é grandioso, brilhoso, um verdadeiro arrasa quarteirão erudito e pesado que pode dividir opiniões, mas certamente não vai passar batido. Quem ouvir, não vai mais esquecer da proposta da Ruins of Elysium. O frescor apresentado pelo conjunto de Drake Chrisdensen é estimulante. As peças desta obra magnânima não repousam no lugar comum, pelo contrário: são atrevidas, corajosas e retumbantes.

Informações
https://www.facebook.com/RuinsOfElysium
https://ruinsofelysium.bandcamp.com
https://www.instagram.com/ruinsofelysium/
https://www.youtube.com/RuinsOfElysiumOfficial

Capa: Reprodução/Divulgação

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