[Resenha] Nanowar of Steel – Stairway to Valhalla

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Nanowar of Steel – Stairway to Valhalla
(Shinigami Records)

Por Clovis Roman

O Massacration gringo, caso você não saiba, é um projeto antigo. O debut desses malucos saiu em 2005, com o estupendo título de Other Bands Play, Nanowar Gay!; o segundo, Into Gay Pride Ride (2010). Ambos são avacalhações com o Manowar, que inclusive inspirou o nome Nanowar of Steel. Não tem como simpatizar com uma galera dessas.

Depois de A Knight at the Opera, saiu Stairway to Valhalla, que recebe versão nacional pela Shinigami Records. E que baita versão! Além das 18 canções regulares, há uma bônus, e como se não fosse suficiente, um CD extra com mais 10 faixas. É um material de primeira para curtir um power metal italiano com letras nonsense.


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O negócio aqui é bastante interessante, afinal as músicas são excelentes, na veia power/heavy, com excelentes solos de guitarra e composições bem estruturadas. E como complemento, a veia cômica com sons diferentes e melodias vocais grudentas e até mesmo patéticas, no bom sentido.

Não fosse suficiente terem uma faixa chamada “Barbie, Milf Princess of the Twilight”, eles tiveram a audácia de colocar o mago Fabio Lione para cantá-la. É bizarro e engraçadíssimo, até porque a música em si é muito boa. Mais hilários ainda são os agradecimentos: (traduzir) “Agradecemos ao Fabio Lione (Angra, Rhapsody of Luca Turilli of Fire ou qualquer que seja o nome da banda hoje em dia)”.

A pesadona “The Call of Cthullu” faz uma paródia com uma ligação telefônica, enquanto “Heavy Metal Kibbles” fala de um alimento que deixa o gato muito doido, com um refrão grudento, que inclusive inclui miados.

Muitas das músicas têm títulos zoando clássicos do power metal: “The Quest For Tanelorn”, a obra-prima do Blind Guardian, inspirou a ótima “The Quest For Carrefour”, feita nos moldes das composições dos alemães, até os vocais são similares. Os versos “Still I smell the scent of skewers. Crucify! Crucify! Still I hear the screams of thousands. Roastify! Roastify!”, citação direta a um trecho da colossal “The Script for My Requiem”, do mesmo Blind Guardian, deixam ainda mais clara a referência. O álbum Images and Words, do Dream Theater, se converteu em “Images and Swords”. E não precisa ir muito longe para saber de onde veio “Another Drill In The Wall”…

A vinheta “Images and Swords” abre com o riff de “Warriors of the World”, do Manowar, e conta com uma narração que “explica” como o Dream Theater faz sua música sofisticada, zoando com “Pull Me Under”, hit do grupo de prog metal. Cômico. Outra vinheta, “The Crown and the Onion Ring”, é zoação clara ao Manowar – de novo.

Outro momento brilhante é “In The Sky”, que se destaca pela letra aficionada pelo céu (a palavra sky é repetida, no mínimo, 50x), com um som totalmente Manowar. “Ironmonger (The Copier of the Seven Keys)” é outro power metal de primeira, que se você não ligar para as letras bobas, vai curtir do mesmo jeito. Impagável a citação ao “riff de saxofone” da gloriosa “Baker Street”, de Gerry Rafferty (não, não é do Kenny G.).

A hard rock empolgante de “Uranus” carrega em si um duplo sentido bastante claro – no meio, uma paródia breve com “Stayin’ Alive”, do Bee Gees. “Hail to Liechtenstein” é uma ode ao país, com versos hilários como “An unemployment rate so ridiculously low It’s just 1.5%”. Fechando o primeiro disco, uma versão alternativa de “Uranus”, com o vocalista de outra banda que é uma piada, mas por outros motivos: Michael Starr, do pavoroso Steel Panther.

O disco bônus reúne materiais lançados nos últimos anos: “Valhalleluja” é um single lançado em 2019, com participação de Angus Mc Fife (Gloryhammer) – e sim, tem corais gospel e tudo; e “Sottosegretari alla Presidenza della Repubblica del Truemetal” foi seu lado B, uma parceria com Gli Atroci que parece muito uma música do Sabaton. Muito! A faixa três é o mega hit da internet “Norwegian Reggaeton”, cujo videoclipe está prestes a bater a marca de 8 milhões de visualizações:

A divertida “Bestie Di Seitan” foi o lado b deste single, e é tão legal quanto o lado A. Um dos singles mais recentes, “Sneeztem of a Yawn” saiu em 2020 apenas em formato digital, e tem uma das letras mais complexas e difíceis de se memorizar de todos os tempos da história da humanidade. Também antes disponível apenas nas plataformas de streaming, “A Cena da Gianni” é cantada em italiano, enquanto a fanfarrona “Kurograd (feat. Asen Kralev)” é em russo (!!!). Encerrando o material, há a ótima “Esce Ma Non Mi Rosica” (cover de Shahram Shabpareh), que pelo que consegui entender, fala sobre alguma coisa que aconteceu – ou não – em 08 de janeiro. Encerram o disquinho “Deep Throat Revolution” (cover de Immanuel Casto) e um remix de “Norwegian Reggaeton”.

Conclusão
O Nanowar of Steel faz um humor inteligente, repleto de referências a canções muito famosas do metal, e até outros estilos (em “…And Then I Noticed That She Was a Gargoyle” há uma citação a “Maniac”, de Michael Sembello). A música, em geral, é um power metal bacana, bem tocado e composto. Nada desleixado, como alguns desavisados podem imaginar. O encarte é generoso, completíssimo e colorido, contando com as letras até das faixas extras. É o material perfeito para você conhecer esta banda e virar fã, afinal, são praticamente 30 faixas em cerca de 1h40 de diversão.

Compre: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9479363-Nanowar-of-Steel—Stairway-to-Valhalla

Foto: Divulgação/Reprodução

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