[Resenha] Michael Schenker Group – Immortal

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Michael Schenker Group – Immortal
(Shinigami Records – nacional)

Material gentilmente enviado por Shinigami Records

Por Clovis Roman

O lendário e problemático guitarrista Michael Schenker gosta de trabalhar com diversos músicos, como mostram seus álbuns do MSG, do Michael Schenker’s Temple of Rock ou do Michael Schenker Fest. Sim, é confuso. Mas uma coisa é clara: Sempre sai coisa de qualidade e com Immortal – do Michael Schenker Group – não é diferente. Quando o assunto é música, Schenker ainda é um monstro.

Neste álbum, lançado no Brasil pela Shinigami Records, a banda varia a cada música, porém dois elementos são constantes. Um deles, claro, é Schenker. Outro é o baixista Barry Sparks, com currículo invejável, tendo tocado com gente como Marty Friedman, Tony MacAlpine, Roland Grapow (gravou o maravilhoso Kaleidoscope), Yngwie Malmsteen (com que registrou outra pérola: Magnum Opus), e até mesmo gravou um par de faixas no Unbreakable, disco bacaninha do Scorpions. Na bateria, se revezam Brian Tichy (ex-Whitesnake, Pride & Glory e The Dead Daisies, atual Lynch Mob), Simon Phillips (ex-Toto) e Bodo Schopf. Completam o time instrumental o tecladista e guitarrista base Steve Mann e o experiente tecladistaDerek Sherinian (ex-Dream Theater, Kiss, Billy Idol, Alice Cooper e Yngwie Malmsteen, para citar apenas cinco).

Como não fosse suficiente, junto a eles temos uma gama de cantores estelares, e todos entregam performances no mínimo ótimas. A faixa de abertura “Drilled to Kill” tem Ralf Scheepers (Primal Fear, ex-Gamma Ray) nos vocais, um som pesado que se aproxima do power metal e poderia ter sido lançada pelo Primal Fear, ainda mais na fase mais recente. A parte instrumental junto aos solos é fantástica, uma viagem aos anos 1970. A base para a parte cantada remete a “Exciter”, do Judas Priest: simples e direta. A agitada e mais orientada ao rock and roll “Devil’s Daughter” também é cantada pelo careca, que rouba a cena. O cara tá mandando bem muito nos últimos anos, onde quer que seja.

A cadenciada e com refrão brando “Don’t Die on Me Now” traz a voz e a peruca de Joe Lynn Turner (ex-um zilhão de bandas, entre elas, Deep Purple e Rainbow e o estrondoso Hughes Turner Project), que apresenta uma performance estupenda, uma canção cadenciada cheia de feeling e um tantinho de peso. A parte Mid 8 #1, com versos quase declamados, é interpretada pelo veterano cantor de maneira brilhante. Só não é melhor que o supracitado refrão. A música pedia um final apoteótico, e Schenker entrega isto com um belo solo de guitarra. O veterano cantor aparece na penúltima faixa do CD, “Sangria Morte”, cadenciada com ares de grandiosidade, apesar do andamento reto da bateria. O refrão é fácil, apesar de comum.

Voltando ao peso, a básica e efetiva “Knight of the Dead” tem outro grande vocal, Ronnie Romero, o malandro que integrou a última encarnação do Rainbow. Era uma posição difícil de ocupar, função que ele desempenhou com dignidade. O verso “Flames and fire, burning higher”, que serve de ponte para o refrão (explendoroso, por sinal) por si só vale a música toda. Entretanto, em “Sail the Darkness”, baixou o espírito de Ronnie James Dio no Ronnie, algo amplificado pela música, que remete ao Rainbow setentista. Não dá para reclamar, afinal, Dio era um monstro e Romero é um ótimo vocalista. Na base dos versos, inclusive, é possível cantar “Holy diver, you’ve been down too long in the midnight sea, oh what’s becoming of me”. É como se o Whitesnake gravasse uma cover de “Holy Diver”. O mancebo (o cara não tem nem 40 anos!) ainda performa em “Come On Over”, uma boa faixa com excelentes riffs e melodias.

Balada comum porém funcional, “After the Rain” é cantada pelo grande Michael Voss-Schoen, antigo parceiro do guitarrista alemão no Michael Schenker Fest e afins, seja como cantor, seja como produtor. Ele interpreta outra mais cadenciada, “The Queen of Thorns and Roses”, um rock simples e com melodias acessíveis – e que conta com mais um ótimo solo de Schenker. Caso estivéssemos nos anos 1990 e esta faixa tivesse um videoclipe, rodaria tranquilamente na programação regular da saudosa MTV.

Outro que esteve nas fileiras do Rainbow – e que também já gravou com Schenker no passado – é Doogie White, que aparece apenas na saideira “In Search Of The Peace Of Mind”, ao lado de Romero, Gary Barden (The Michael Schenker Group, Praying Mantis) e Robin McAuley (McAuley Schenker Group). A música abre com um dedilhado cativante, uma balada que vai crescendo enquanto os cantores se revezam. A tensão caminha para momentos de tensão, com vocais altíssimos e riffs 100% heavy metal, encerrados com um longuíssimo solo de guitarra (que como a maioria, não aposta muito na velocidade, e sim, no feeling) em um fim apoteótico e barulhento.

O álbum é redondo, pesado e reúne mais um time de peso. O trabalho pode ter dividido opiniões, mas no geral a música fala mais alto e convence. Immortal é mais um brilhante momento na reluzente carata discográfica de Michael Schenker. Pode ir sem medo.

Compre o disco: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9480131-Michael-Schenker-Group—Immortal

Músicas
Drilled To Kill (com Ralf Scheepers)
Don’t Die On Me Now (com Joe Lynn Turner)
Knight Of The Dead (com Ronnie Romero)
After The Rain (com Michael Voss)
Devil’s Daughter (com Ralf Scheepers)
Sail The Darkness (com Ronnie Romero)
The Queen Of Thorns And Roses (com Michael Voss)
Come On Over (com Ronnie Romero)
Sangria Morte (com Joe Lynn Turner)
In Search Of The Peace Of Mind (com Ronnie Romero)

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