[Baú do Clovis] Resenha do álbum Save Us From Ourselves, da banda Desalmado

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A resenha abaixo foi escrita em 2018, quando do lançamento do referido álbum pela Black Hole Productions. O texto foi revisado e otimizado, mantendo o ponto de vista do redator na época em questão, ou seja há cerca de três anos.

por Clovis Roman

Seis anos após seu debut auto intitulado, o Desalmado volta às prateleiras com o disco Save Us From Ourselves, sua estréia cantando em inglês (influência das turnês pela Europa, quem sabe?). O álbum deu uma enxugada na quantidade de músicas em relação ao anterior – 15 contra 9 – portanto sua duração é mais curta também. São apenas 25 minutos de barulheira. A banda é formada atualmente por Bruno Leandro (baixo), Estevam Romera (guitarra), Caio Augusttus (voz) e Ricardo Nutzmann (bateria).

A qualidade de gravação é básica, sem enrolações ou firulas. Tudo é bem mesclado, com um resultado potente e claro. As letras críticas e ácidas são bem construídas e contundentes, sem extremismos ideológicos. A receita se mostra funcional logo na abertura, “Privilege Walls”, que pode ter como referências as coisas mais básicas do Napalm Death pós 1990’s ou o Nasum. Puxando mais para o core, “It’s Not Your Business” é curta como a anterior, não chegando a marca de dois minutos.

A banda de grindcore parece expandir sua sonoridade para fora do seu rótulo, questionando dessa maneira até mesmo o conformismo musical, Afinal de contas, a faixa título começa com percussão, num clima meio capoeira, logo seguida por riffs arrastados e bateria lenta marcando o ritmo. A parte climática no meio da faixa é o grande ápice da composição. A criação de camadas sonoras com as guitarras é um grande trunfo. Mais cadenciada, a intro de “Black Blood” te coloca quase dentro do Enemy of the Music Business, do Napalm Death, logo caindo na ‘grindêra’, e daí pra frente, sem folga.

Outra que começa diferente é “Blessed by Money”, caótica e arrastada, que serve de prenúncio para outra faixa que mescla velocidade com partes mais ‘core’. É daquelas que você se pega imaginando como se sai ao vivo. Esta se conecta diretamente à canção seguinte, “Bridges to a New Dawn”, que virou videoclipe e é uma das mais extensas do disco. O som não investe na velocidade, mas sim em nuances e camadas cadenciadas, com riffs robustos e letra forte.

Como que para contrastar, “Corrosion” chega na sequência, com peso descomunal e velocidade guiada pelos blast beats em 102 segundos de pancadaria suja. Um verdadeiro arregaço e o ponto mais alto de um trabalho nivelado lá em cima. Os versos “governance of corporations […] genocides of hungry nations” é explícita referência ao Napalm Death. Dá até pra cantar isso no lugar dos versos “Multinational corporations, genocide of the starving nations”, presentes em “Multinational Corporations”, primeira música do primeiro álbum da banda britânica, Scum (1987). Bela referência.

“Binary Collapse” pode enganar com sua introdução, sugerindo algo mais de boa. Logo o som vira um grind de respeito. Voltada mais ao death metal, “Exist and Resist” direciona o álbum ao seu prematuro fim. Alguns versos da letra são um brado que deveria ser uníssono: “All working people of the world, exploited majorities, women, oppressed races, native people, unite!”. O grito de “No masters, no gods, no slave lords!” é a despedida e uma marca que o grupo deixa, explicitando sua visão de mundo, antifacista e anti controle religioso. Save Us From Ourselves é daqueles que fica na ‘vitrola’ por um bom tempo. Mais uma paulada oferecida pela Black Hole Productions em parceria com Helena Discos.

Músicas

  1. Privilege Walls
  2. It’s Not Your Business
  3. Save Us from Ourselves
  4. Black Blood
  5. Blessed by Money
  6. Bridges to a New Dawn
  7. Corrosion
  8. Binary Collapse
  9. Exist and Resist

Informações: www.facebook.com/desalmado.band

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