[Resenha] Hylidae – Unbreakable Curse

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Hylidae – Unbreakable Curse
(independente – nacional)

por Clovis Roman

A banda Hylidae surgiu no Acre em 2009, e em 2011 estabilizou sua formação. O primeiro álbum não tardou a sair, mas o quinteto teve problemas internos e passou por um período de hiato, retomando as atividades em 2016 como um quarteto. Com um estilo voltado para o death/thrash, lançam em 2021 (depois de segurarem um tempo devido a pandemia) o segundo trabalho completo, Unbreakable Curse. A formação que o registrou é: Aldine Padula (voz), Erbesson Chaves (guitarra), Anderson Cassidy (baixo) e Roberto Bala (bateria).

O álbum foi gravado em Rio Branco/AC, no RB Studio, por José Risley e produzido por Roberto Bala. Mixagem e masterização ficaram a cargo de Davi Serra Barroso (Maximum Violence Productions, de Fortaleza/CE). A arte da capa, fantástica, é obra de Alcides Burn.

Aqui na resenha, vou seguir a tracklist de acordo com as plataformas digitais, e explicarei o motivo no fim desta resenha. O trabalho abre com “Unbreakable Curse”, com uma intro com um cântico de algum xamã, seguida de uma batida tribal de bateria que abre espaço para o restante da banda. O vocal gutural ficou meio deslocado, mas não compromete o resultado final. Um passo a frente é dado com “Hell is Hollow”, não tão pesada mas com partes cativantes no instrumental.

A veloz “Weak Minds” conquista de cara pela agressividade e pelo vocal opressor de Aldine Padula. O leve toque a lá Cannibal Corpse ficou bastante interessante. A melhor do play atende por “Warrior Spirit”, pesadíssima e reta, instaurando o caos principalmente pelo trampo das guitarras e pela profusão de partes distintas. O vocal em boa parte da canção bem esganiçado, meio na linha Fernanda Lira ou Schmier, funcionam muito bem aqui. “Losing Myself” reduz a velocidade mas aplica uma pequena dose extra de peso, com riffs densos e linhas vocais incomuns.

Mais melódica e portanto um pouco mais acessível, “Peoples Temple” conta com bons riffs e igualmente valiosos momentos com blast-beats. As partes mais cadenciadas são um bom complemento à composição (assim como o trecho final caótico), que se destaca em um álbum instrumentalmente homogêneo. Uma faixa com o título “Serial Killer” a princípio poderia sugerir algo mais amedrontador, mas no final da adução, nota-se que o grupo adicionou todos os elementos necessários. Novamente há riffs memoráveis e partes de fácil assimilação, com partes bem conectadas e fluídas. Baseada no terreno do thrash e do death, a Hylidae assimila influências mais modernas, tornando seu som interessante para diferentes tipos de fãs de música pesada.

Chegando a reta final do álbum, “Aleph” mescla os elementos ouvidos até então, servindo de ponte para a chegada da última música, “The Ghost of Hank Williams”. É normal as bandas deixarem seus épicos como encerramento de seus discos, e o Hylidae manteve a tradição. A bela intro engana, pois quando começa a levar o ouvinte para uma outra dimensão, é abruptamente interrompida para a entrada de mais uma composição de metal, com arranjos modernos. Há outro corte inesperado lá pelos quatro minutos e tanto, para a entrada de algo diferente, que parece até mesmo como uma faixa escondida no fim do CD, não uma parte da música em si. Em todo caso, é uma faixa excelente e um dos grandes destaques. Em tempo: Hank Williams era um artista country que morreu aos 29 anos, e tem como maior hit a música “Luke the Drifter” (pois é, eu também nunca ouvi).

O porém do trabalho fica para a performance vocal, que parece ter ficado menos impactante em comparação com o debut. Os vocais rasgados em sua maioria são bastante efetivos, esganiçados e agressivos. Os guturais, por sua vez, soavam mais agressivos e bem encaixados no álbum anterior, aqui, estão mais fracos em potência. Os primeiros urros em “Hylidae”, logo a faixa de abertura, deixam isto bastante evidente. Uma atenção maior a pronúncia do inglês certamente aumentaria a nota em alguns pontos. Há momentos certeiros, entretanto, como em “Home of Souls”, onde os urros vomitados remetem a algo do Carcass. De resto, o trampo conta com uma ótima produção sonora, músicas bem estruturadas e uma concepção gráfica impressa em digipack deslumbrante (algo que faltou no disco de estreia).

Há uma discordância entre a traseira do CD e o encarte, com títulos grafados de maneiras diferentes: A faixa 10, “A Ghost of Hank Willians”, no encarte consta como “The Ghost of Hank Williams”. A música anterior também diverge: na traseira está “Aleph”, e no encarte, “Aleph – Circle of the Rainbow Light”. A mesma coisa com “Peoples Temple” e “The Peoples Temple”, respectivamente. Se formos olhar para as plataformas digitais, outra curiosidade: No disco a abertura é com “Hylidae”, e online, a faixa se chama “Unbreakable Curse” (verificado em duas plataformas: Spotify e Deezer).

O Hylidae apresenta ótimas músicas neste segundo registro, e apesar de algum ponto específico, o balanço final é muito positivo. Acompanho a banda desde o álbum anterior, e recebi este com satisfação. Quando a pandemia permitir, o negócio é tocar bastante para divulgar este disco. A perseverança e o apoio dos headbangers é fundamental neste processo. Portanto, confira e prestigie o trampo do grupo e faça com que nossa cena musical cresça ainda mais.

Informações:
https://sl.onerpm.com/5879737569
https://www.instagram.com/bandahylidae/

Texto bônus

Aproveitando o ensejo, resgato aqui a resenha que fiz do debut do grupo, Promiscuous World. A matéria foi escrita em 2016.

Hylidae – Promiscuous World

Hylidae, em português, hilídeos, é uma família de anuros (sem cauda), vulgarmente chamados de pererecas, que contam com dedos dilatados na extremidade, sendo algumas espécies arborícolas (que vivem nas árvores). Esta é a definição da palavra que dá nome ao grupo idealizado no Acre em 2009, mas que passou por diversos percalços até chegar a Promiscuous World, sua estreia em CD.

“Intro”, como o nome preconiza, abre o disco. E nada de barulhos indescritíveis ou pianos com flautas. A faixa é um som pesadão e instrumental, que emenda direto com “Promiscuous World”, outra que transborda peso. O trampo de guitarra é violento, a rifferama é o que conduz o álbum como um todo. Uma pena que “Malism” quebre a empolgação estruturada no começo. É uma composição que tem suas boas ideias afogadas em partes que parecem desconexas e vocais limpos que não convencem. Os vocais limpos surgem em outros momentos, como em “Bleeding Out”, mas aqui a coisa funciona razoavelmente bem. Este som, inclusive, é uma balada Death Metal (uma baladeath?) bem interessante.

Em pouco menos de 40 minutos, o grupo mostra um trabalho bacana, feito com bastante esmero. Há momentos mais agitados, como “Alive But Dead”, e outros mais acessíveis, como “Evil Serpent” (esta merece single e clipe). No meio da pancadaria thrash metal, há toques de progressivo, afinal, há muitas partes distintas e coesas. O encerramento surge com “The River”, um épico com mais de seis minutos, onde a única coisa que não encaixa legal são as vozes limpas – o resto é muito bom. Os vocais guturais de Aldine Padula são brutais, assim como seus gritos mais rasgados; nestas partes e principalmente nós tons médios, lembra bastante o timbre de Angela Gossow, ex-Arch Enemy. O riff quebrado que alicerça o refrão de “Everytime I Die” deixa isto bem claro.

O álbum foi gravado em 2012 – é, faz tempo – no Silent Music Studio, com o produtor Karim Serri, e a masterização foi feita no Finnvox, a cargo de Mika Jussila (Nightwish, Stratovarius, Helloween), em maio de 2013. Sim, a banda do Acre gravou em Curitiba/PR e o disco teve sua finalização feita na Finlândia. O som, um híbrido de Arch Enemy com Nevermore – só para citar as duas referências mais gritantes – merece uma ouvida. Ah, eles costumam tocar “Pursuit of Vikings” ao vivo – tá aí mais uma referência, caso queira.

Ouça no Spotify: https://open.spotify.com/album/5330aTH3pyD7f7elm4MjQm

Capa: Reprodução

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