Sangue, medo, estranheza… e mais das Horror Music

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por Julian Dedablio

… Ou “ como fazer você se borrar e pedir chorando pela mãe, só com a música” seria um título apropriado para esta divisão, que tem toda uma propriedade sui generis por trás das suas composições (beeem complexas, por sinal), mas, antes de mais nada, precisamos entender dois conceitos aqui: o do próprio terror per si, e de um fenômeno chamado “uncanny valley”.

“Terror”, numa concepção ampla, é o gênero que explora as reações emocionais negativas dos seus expectadores, tais como fobia, receio, nojo, agonia… e, através de figuras, ora sobrenaturais, ora desconhecidas, criam uma “persona” para representar esses sentimentos ou a ação que os provoca, o que nos leva a…

“uncanny valley”, ou vale da estranheza, é uma hipótese no campo da robótica, estética e computação gráfica que diz que, quando réplicas humanas se comportam de maneira muito parecida – mas não idêntica – provocam repulsa entre os observadores humanos reais.

Ambos conceitos tirados da wikipedia e adaptados para este texto. Vocês podem procurar por fontes, artigos, ou similares, mais detalhados sobre o assunto…

…, mas o que esses conceitos têm a ver com o gênero musical “horror”? Se associados logicamente, quase tudo! “Imersão” continua sendo a palavra de ordem para a criação e execução de uma boa soundtrack , entretanto, diferente dos outros gêneros, que procuram uma imersão mais passiva e guiada, esta aqui tem uma característica mais visceral, repulsiva e (por que não) íntima, e é justamente isso que torna a horror music tão única, pois para cada expectador que a ouve, uma característica muito profunda do ouvinte vem à tona com uma dose de facilidade e imediatismo, e o sentimento de estranheza é a porta de entrada para a “apreciação”, colocada aqui entre aspas propositalmente pois apreciar isso de forma bem separada na mente é um exercício mental bem interessante (e trabalhoso).

Talvez seja também o único caso que eu não precise necessariamente separar entre filmes, games, séries, animações, entre outras produções visuais, o que a música comunica por aqui, pois, além do fator individual acima, a similaridade de criação entre os compositores do gênero é tamanha que eu poderia embaralhar as músicas aqui e deixar para que vocês pesquisem sobre tais obras e as apreciem de acordo (e, naturalmente, é isso que vou fazer HAHAHA). A meu ver, uma variante dessas composições seria o nível de “ruído” mental que o músico quer causar no seu ouvinte, seja pela forma da “revelação”, seja pela sensação de claustrofobia ambiental, seja também pelo ruído distorcido por sí só, mas essa simplicidade de definição em nada significa que esse estilo de OST seja medíocre….muito pelo contrário!

Justamente a combinação de músicas de momento para criar uma atmosfera densa, cheia de perigo e aspereza, e que torna você a mais indefesa das criaturas perante até a sua própria sombra, só com a tonalidade de peso de (as vezes) um único instrumento é que torna a máxima “menos é mais” tão presente por aqui (e que atire a primeira pedra quem nunca se borrou com aquela caixinha de música tocada naquele cômodo escuro, com aquela criança, branca, com um corte profundo no pescoço e com a roupa toda ensanguentada, te encarando).

Os arranjos instrumentais para criar a sensação de imprevisibilidade e revelação torna até, em alguns casos, o diálogo dispensável. Bernard Herrmann nunca me deixaria mentir sobre isso, ainda mais depois de compor uma das músicas mais marcantes do gênero. O mesmo pode-se dizer de nomes como Charlie Clouser, Ayako Toyoda, Shigekiyo Okuda, Akira Yamaoka, Modest Mussorgsky, Jason Graves, entre outros.

Outro fator interessante é que outros músicos, cujo foco nem está no terror, criam faixas inspiradas no estilo em momentos específicos para criar as mesmas sensações acima, mas num nível mais concentrado. Nomes como Hirokazu Tanaka, Christian Henson e até mesmo o próprio John Williams já pegaram um pouco dessa estética sonora pra causar tais sensações no público.

E, como disse antes, vou jogar aqui uns sons, e aí é com vocês…

Psycho (theme), por Barnard Herrmann

JAWS 1975 – Main Title, por John Williams

Earthbound-Giygas Theme, por Keiichi Suzuki

Silent Hill theme, por Akira Yamaoka

CONFIRA TAMBÉM:

Saw theme, por Charlie Clouser: https://www.youtube.com/watch?v=vhSHXGM7kgE

Dead Space – main title, por Jason Graves: https://www.youtube.com/watch?v=ILTs9lYxxHg

A nightmare on elm street main theme, por Charles Bernstein: https://www.youtube.com/watch?v=CXF7x1D77-Y

Halloween theme, por John Carpenter: https://www.youtube.com/watch?v=gqVyois9mp4

The Shinning theme, por Wendy Carlos: https://www.youtube.com/watch?v=g_nsZ8yt1KA

Chrono Trigger – Confusing Melody, por Yasunori Mitsuda: https://www.youtube.com/watch?v=XfWqNKPbbNM

Manhunt theme, por Craig Conner: https://www.youtube.com/watch?v=pbfmSEUeu7s

E aí, qual outra música deixou você com gelo na espinha? Deixa aqui nos comentários…e não olhe pra trás!

Esse texto eu dedico a minha amada irmã, Juliana Ribeiro (@majurasmask) estudante de cinema expandido, e uma entusiasta do gênero, que me ensinou que sim, o terror pode ser profundo e revelar muito sobre nós mesmos.

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