[Entrevista] Burning Witches: As bruxas do norte!

A banda suiça Burning Witches foi formada em 2015 e agora está lançando o quarto álbum, The Witch of the North, um trabalho cheio de histórias e suRpresas, incluindo uma versão de “Hall of the Mountain King”, do Savatage, com direito a participação de Chris Caffery e tudo. Conversamos com a vocalista Laura Guldemond (que entrou em 2019 e deu uma nova cara ao som do Burning Witches) sobre o atual momento do grupo.

A edição nacional do álbum está disponível no mercado nacional pela Shinigami Records.

por Clovis Roman

Clovis Roman: Burning Witches lançou um álbum no ano passado, e agora está lançando The Witch of the North. A situação de pandemia ajudou a banda a criar e gravar um novo álbum tão rapidamente?

Laura Guldemond: Sim, a gente não tinha mais nada para fazer, né? Nós gostaríamos muito de ter feito uma turnê do Dance With The Devil”, mas nós só pudemos fazer cinco ou seis shows, e foi isto.

Clovis: Como estão as coisas na Suíça em relação aos shows ao vivo devido à pandemia? Os shows estão sendo permitidos novamente ou ainda não?

Laura: Eu sei que até tem alguns shows agendados para junho, mas não tenho certeza se vão rolar. Sou a única da banda que não mora na Suíça. Então, não tenho certeza, mas a expectativa é que em agosto, na Europa, poderemos fazer mais shows em festivais de novo, as coisas estão caminhando.

Clovis: The Witch of the North é seu segundo álbum com a banda. Como você compara seu desempenho neste álbum com o anterior?

Laura: Sim, meio que eu já sabia o que esperar, então é claro que foi um pouco mais fácil. Acho que consegui. Um pouco depois de terminar de gravar, pensei, “ah, posso fazer outro dia” e da última vez, foi como “é, acho que esse foi o máximo que eu conseguiria fazer”.  Entende o que eu quero dizer? A principal diferença na composição é que desta vez escolhemos um tema, queríamos fazer sobre a bruxa do norte (The Witch of the North), mitologia nórdica, então meio que a composição se tornou mais fácil, porque, normalmente, fico tentando encontrar algo para escrever sobre, e agora foi “mitologia nórdica”. [O tema] já estava lá, entende? Então foi meio fácil.

Clovis: Então você o considera um álbum conceitual?

Laura: Sim, é bem focado na mitologia do norte e essa linha de histórias místicas. Então você pode considerar como um álbum conceitual. Talvez haja duas músicas que estão um pouco fora desse tema… Por exemplo, na verdade a música “The Circle of Five” nós escrevemos antes de todo o resto [risos].  A escrevemos entre os álbuns, assim como “We Stand as One”, que é só uma canção de metal.

Clovis: Eu ouvi o álbum inteiro apenas uma vez até agora, e me deparei com 10 músicas, há algumas mais cadenciadas e até mesmo uma balada. É uma preocupação da banda organizar a ordem das músicas no tracklist do CD, pela dinâmica da audição?

Laura: Pensamos cuidadosamente sobre isso, quero dizer, obviamente, começamos com uma introdução. Sim, na maioria das vezes, passando da metade do álbum temos as baladas, é meio clichê, quase todas as bandas fazem, nós fizemos também. Isso dá certo, né? Nós queríamos começar com “The Witch of the North” porque foi por essa música que começamos a compor todas as outras, que foram inspiradas nesse tema da mitologia nórdica.

Momento descontraído da entrevista.

Clovis: Hoje em dia é comum as pessoas ouvirem músicas aleatoriamente em plataformas de streaming, mas o Burning Witches sempre parece entregar álbuns para serem ouvidos do começo ao fim. Você costuma ouvir música em plataformas digitais ou ainda gosta de ouvir discos inteiros?

Laura: Sim, na maioria das vezes, para ser honesta, eu tenho preguiça de colocar um álbum, então eu escuto a “Weekly Sugestion” do Spotify ou algo assim. Então eu descubro muitas músicas novas e quando fico curiosa sobre um artista, tento ouvir um álbum e então tenho que me desligar um pouco e encontrar tempo, pois com as playlist é tipo “O que eu faço? O que é relevante?”. No momento estou mais em casa, não estou viajando muito, e eu escuto muitos álbuns enquanto estou viajando. Mas sim, eu gosto, quando estou ligada em uma banda adoro ouvir tudo do começo ao fim. [Eu também ouço] os álbuns que mais amo, talvez seja um pouco mais antiga, mas eu amo The Unforgiven, do Within Temptation, porque também tem um tema percorrendo todo o álbum, com uma história em quadrinhos dentro dela, eu acho muito legal. O que mais? Ah sim, tem uma [banda] acho que se chama Fen, um dos primeiros álbuns. Eu realmente gosto que há esse tema passando. Não sei se você conhece o Start One, do Arjen Lucassen?

Clovis: Sim, claro!

Laura: Legal! Space Metal, eu amo esse álbum também por causa da narrativa, eu realmente amo esse tipo de coisa!

Clovis: Aliás, você chegou a gravar algo com o Arjen, não é?

Laura: Sim, foi um momento muito especial. Eles tinham o The Theatre Equation em vez de The Human Equation , sabe? Porque eles fizeram isso ao vivo. Era uma produção teatral e eles a apresentaram ao vivo quatro vezes, acho que em Rotterdam, para um grande público, tinha umas quatro mil pessoas ou algo assim no teatro, foi muito legal. Eu era a substituta reserva do [personagem] Pride, portanto de [Magnus] Ekwalls, e ele tinha um vocal de rock bem alto, médio e cru. Eu acho que no coral nós meio que ficamos sem os vocais médios agudos, então eu consegui os vocais médios agudos (risos), portanto, foi bem legal. No coral nós fizemos todas as harmonias e ao vivo no palco foi muito legal, e foi gravado em DVD. Também fizemos o coral para o The Gentle Storm, da Anneke van Giersbergen. Claro que Arjen ajudou pois estava muito envolvido com tudo isso, ele estava lá na gravação e foi algo muito divertido. Sim, então esse foi o álbum que colocou um coral e eu estava lá no meio disto também.

N. do R.: O álbum de estúdio The Human Equation, do Ayeron, saiu em 2004. O registro ao vivo The Theater Equation, gravado na Holanda em 2015, saiu em 2016.

Clovis: Como a banda teve a ideia de gravar o cover do Savatage? O Savatage é uma grande influência na música do Burning Witches? E como foi ter Chris Caffrey gravando com vocês?

Laura: O Chris Caffery é um cara super legal, adoramos fazer isso. Ele queria nos ajudar, então gravou todas as partes de guitarra, eu acho. Eu me esqueci quem o convidou, pois eu meio que fico de fora dessas coisas. Quando eu tive a ideia estava pensando em algo para mim, pois tenho um canal no YouTube, também tenho uma página no Patreon na qual posto coisas. Eu queria ter um material legal e antigo de metal. Mas então eu ouvi essa música, eu fiquei tipo “isto se encaixa tão bem no álbum”, até porque temos as montanhas suíças na capa do álbum. Então, na verdade, “Hall of the Mountain King” meio que se encaixa, encerrando a história [risos]. Decidimos que queríamos essas músicas épicas de contar histórias no álbum. Então, essa foi a música perfeita, até porque ela é bastante dramática e eu amo demais isso. Também temos vocais dramáticos no Burning Witches. Eu posso basicamente fazer quase tudo o que eu quero e essa música definitivamente tem alguns vocais dramáticos. Esperava que todos amassem essa música e eles amaram.

Clovis: Quais músicas do novo álbum você acha que funcionarão bem nos shows ao vivo?

Laura: Bom, eu realmente espero que todos queiram cantar “We Stand As One”, porque é um hino tão metal, sabe? Percebi quando a escrevi. Não é como se você gritasse as mesmas frases o tempo todo. Então é primeiro o “One”, depois é “We Stand as One” e então temos um “Yeah” lá, então você tem que aprender isso, sabe? “We Stand As One” e “Yeah”. Espero que todos façam isso [risos], espero que as pessoas queiram cantar junto. A outra seria…  Estou meio curiosa para “Thrall”, sabe? É a música mais enérgica e barulhenta do álbum, e espero que as pessoas enlouqueçam. Então vamos ver o que acontece.

Clovis: Qual banda você acha que gravaria uma cover bacana de alguma das músicas do Burning Witches?

Laura: Uhh, bem… [risos]. Pessoalmente eu sou uma grande fã de Beast in Black, e eu sei que eles também amam coisas da velha escola como Judas Priest e WASP, e essas duas são minhas favoritas, na verdade. Então valeria a pena para eles fazerem isso, mas eu ficaria curiosa. Então sim, eu meio que escolho o Beast in Black.

Informações:

Burning Witches: https://www.burningwitches.ch
Laura Patreon: https://www.patreon.com/lauraguldemond
YouTube: https://www.youtube.com/lauraguldemond

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s